Direito Tributário 1
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Direito Tributário 1

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É diferente de Legitimidade – com relação aos atos administrativos exige-se uma conformidade com o interesse público.
 
 
Questões:
1.                 Quando entra em vigor uma norma jurídica tributária?
2.                 Quando uma torna jurídica tributária que institui ou aumenta um tributo começa a ser eficaz?
3.                 Uma norma jurídica tributária pode alcançar fatos já ocorridos? Explique sua resposta.
4.                 O que são os chamados “fatos geradores pendentes”?
5.                 Uma norma jurídica tributária pode ter vigência fora do território da pessoa política tributante? Explique.

Semana 7
Princípios constitucionais tributários
 
Princípio: regra básica, implícita ou explícita, que, por sua generalidade, ocupa uma posição de destaque no mundo do direito e, por isso mesmo, vincula o entendimento e a aplicação das normas jurídicas.
 
- Explícitos – enunciados claramente
- Implícitos – sua percepção e isolamento dependem de um esforço indutivo
- Gerais – valem para todo o ordenamento
- Específicos – valem para determinado ramo do direito
 
1 - Princípio da Igualdade
 
Art. 5º, caput, CF e art. 150, II, CF
 
Todos são iguais perante a lei. A lei tributária deve tratar de maneira igual os contribuintes que se encontram na mesma situação e de maneira desigual aqueles que se encontram em situação diferente.
 
O princípio da igualdade comporta os seguintes desdobramentos:
 
a – Progressividade: Alíquotas diferentes para situações diferentes (valor – progressividade fiscal – ou outro critério – progressividade extrafiscal). Ex: alíquotas maiores para imóveis mais valiosos e alíquotas menores para imóveis menos valiosos.
 
É diferente de proporcionalidade: uma única alíquota para todos. Ex: todos os proprietários de imóveis pagarão 1% de IPTU sobre o valor do imóvel
 
Em que pese a existência de divergências doutrinárias e jurisprudenciais sobre o tema, sustentamos que a justiça fiscal só se alcança com a utilização da progressividade.
 
STF – a progressividade só é permitida quando previstos expressamente no texto constitucional.
 
Casos em que a CF prevê progressividade:
- IPTU – art. 156, § 1º
- IR – art. 153, § 2º, I
- ITR – art. 153, § 4º, I
- IPVA – art. 155, § 6º, II
- CIDE sobre combustíveis – art. 177, § 4º, I, a
 
OBS.: Não há previsão expressa de progressividade na CF para o ITBI – (Súmula 656, STF) nem para o  ITCMD.
 
b – Seletividade: Está ligada à essencialidade da mercadoria, do produto e dos serviços, ou seja, quanto mais essencial, menor o valor a ser exigido a título de imposto.  Aplica-se para o IPI – art. 153, § 3º, I, CF e ICMS – art. 155, § 2º, III, CF.
 
 
2 – Princípio da Legalidade
 
Art. 5º, II, CF e art. 150, I, CF.
Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer senão em virtude de lei. Nenhum contribuinte é obrigado a pagar um tributo sem que haja lei prevendo a sua cobrança.
 
Aplica-se também para seu aumento, diminuição, isenção, parcelamento, criação de obrigações acessórias, previsão de infrações e as respectivas sanções etc.
 
Exceções:
- art. 153, § 1º, CF – as alíquotas do II, IE, IPI, IOF podem ser alteradas por decreto presidencial
 
- art. 155, § 1º, IV, CF – para o ITCMD o Senado fixará a sua alíquota máxima
 
- art. 155, § 2º, IV, V, CF – resolução do senado pode tratar da alíquota do ICMS
 
- art. 177, § 4º, I, b, CF – decreto presidencial pode reduzir e restabelecer alíquota da CIDE sobre combustível
 
3 – Princípio da Anterioridade
 
Art. 150, III, b e c, CF
 
“b” – proíbe a cobrança do tributo no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou
 
“c” – é necessário respeitar um intervalo “mínimo’ de 90 dias entre a publicação da lei e o início de sua cobrança.
 
Em matéria tributária, toda lei que criar ou aumentar tributo fica com sua eficácia paralisada até o próximo exercício financeiro. O motivo é a não surpresa do contribuinte, ou seja, permitir que o contribuinte se organize, preparando-se para pagar o tributo ou evitando a ocorrência do fato imponível.
 
Exceções: art. 150, § 1º, CF
 
As exceções da alínea “b” não são as mesmas da alínea “c”, rigorosamente.
 
Se a exceção for à alínea “B”, será possível a cobrança do tributo no mesmo exercício financeiro.
 
Se a exceção for à alínea “c”, não será necessário respeitar o intervalo de 90 dias.
 
Anterioridade especial ( mitigada ou nonagesimal)
Art. 195, § 6º.
As contribuições sociais só poderão ser exigidas após decorridos 90 dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado.
 
 
Não se confunde com o Princípio da Anualidade – os tributos só podem ser exigidos se houver previsão na lei orçamentária anual. Existem divergências acerta da sua atuação aplicação.
 
 
4 – Princípio da Capacidade Contributiva
 
Art. 145, § 1º, CF
Está relacionado à capacidade econômica do contribuinte.
 
É uma capacidade objetiva – pouco importa a situação do contribuinte, basta que ele pratique o fato imponível para ter que pagar o tributo.
 
Condições individuais não são levadas em conta.
 
A demonstração de riqueza implica em uma presunção de disponibilidade econômica.
 
5 – Princípio da Proibição de Confisco
 
Art. 150, IV, CF
 
Confisco: privação coativa dos bens de alguém.
 
A tributação não pode ser confiscatória.
 
Podemos ter tributações confiscatórias na cobrança de alíquotas excessivamente altas, na violação dos princípios constitucionais etc.
 
 
6 – Princípio da Irretroatividade
 
Art. 150, III, a, CF e art. 144, CTN.
 
A irretroatividade impede que a lei alcance fatos imponíveis ocorridos antes de sua entrada em vigor.
 
Exceções: art. 106, CTN – a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, por exemplo:
I – quando seja expressamente interpretativa.
 
II – quando lhe comine penalidade (multa) menos severa.
 
7 – Princípio da Uniformidade Geográfica
 
Art. 151, I, CF
 
Os tributos federais devem ser uniformes em todo território nacional, ou seja, as alíquotas devem ser iguais, pouco importando o local onde o fato imponível ocorreu.
 
Exceção: O tributo pode ter alíquotas diferentes quando for para promover equilíbrio entre as diferentes regiões do país.
 
8 – Princípio da Não Discriminação Tributária em Razão da Procedência ou Destino dos Bens
 
Art. 152, CF
 
Proíbe gradação dos tributos com base nesses fatores.
 
 
9 – Princípio da Não Cumulatividade Tributária
 
Permite que o valor devido na operação anterior seja abatido do valor a ser pago na operação seguinte.
Se aplica apenas a alguns tributos. Ex.: IPI, ICMS, impostos de competência residual da União etc.
 
Princípios Implícitos
 
1 – Princípio da Vinculabilidade da Tributação
A tributação consiste em uma atividade administrativa plenamente vinculada.
 
2 – Princípio da Territorialidade da Tributação
 
Determina que os agentes políticos podem apenas tributar os fatos ocorridos nos seus respectivos territórios.
 
 
3 – Princípio da Indelegabilidade das Competências Tributárias
 
As competências tributárias são intransferíveis. O ente político que recebeu a competência não pode delegar à outro ente.
 
A capacidade tributária ativa (cobrança e recebimento) pode ser delegada.
 
 
Questões:
1.                 Explique o princípio da seletividade tributária. Dê um exemplo de tributo ao qual ele se aplica.
2.                 Explique a progressividade no Direito Tributário. De acordo com o STF, ela é aplicável para quais tributos? Fundamente sua resposta.
3.                 Indique a partir de quando poderão ser exigidos os seguintes tributos: (2 PONTOS)
a.                 Imposto sobre a renda (IR) com alíquota majorada por lei publicada e em vigor em 31/12/2008
b.                 Imposto sobre produtos industrializados (IPI) com alíquota majorada por lei publicada e em vigor em 02/06/2008
c.                 Imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) com base de cálculo majorada por lei publicada