Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

Resumo de Direito Processual Civil

Assunto:

CURSO DE DIREITO

PROCESSUAL CIVIL

Autor:

REINALDO WANBIER

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL
1. JURISDIÇÃO
SUMÁRIO:
1. 1 Histórico
1.2 Conceito
1.3 Jurisdição e Estado de Direito
1.4 Divisão da jurisdição.
1.1 Histórico
0 estudo do direito processual civil exige, como conhecimento prévio, básico e indispensável, que se
tenha noção daquilo que seja jurisdição, pois, afinal, é nesse ambiente, ou seja, no seio da atividade
jurisdicional, desenvolvida pelos órgãos do Poder Judiciário, que se processará todo o desenrolar do
conhecimento da matéria relativa ao processo civil.
A atividade jurisdicional, hoje, é reconhecida como sendo uma das funções do poder estatal (as
outras são a administrativa e a legislativa), incumbida de dar àquela parcela de cada conflito de
interesses a ela submetida pelos interessados (ver, adiante, o conceito de lide) a solução que para tal
tenha sido engendrada no âmbito do sistema jurídico. Logo abaixo analisaremos especificamente o
aspecto polêmico do conceito de jurisdição.
0 conhecimento de jurisdição exige, como dado prévio, que se trace, ainda que com muita brevidade,
um esboço histórico.
Nos primeiros tempos da civilização, aqueles que se vissem envolvidos em qualquer tipo de conflito
intersubjetivo poderiam resolvê-lo por si mesmos, do modo que fosse possível, realizando aquilo a
que hoje se denomina de autotutela.
Se A e B estivessem em conflito em razão do desrespeito, por B, de direito atribuído a A, este poderia
defender-se sozinho, resolvendo o conflito em que estivesse envolvido, mediante qualquer tipo de
solução, ainda que baseada na supremacia decorrente da força bruta ou de qualquer faceta
representativa dos poderes econômico e bélico. Por exemplo: diante do inadimplemento de obrigação
consistente em pagar um débito, assumida por uma parte diante da outra, o credor poder-se-ia
apropriar ar de bens do devedor, em valor equivalente ao de seu crédito, como forma de receber
aquilo a que tinha direito, sem que estivesse incidindo na prática de qualquer delito. Hoje, no direito
positivo brasileiro, o exercício da autotutela, salvo pouquíssimas exceções expressamente previstas
na lei (ex.: art. 502 do CC, desforço imediato no esbulho da posse) é tipificado penalmente. 0 art. 345
do CP define como crime o exercício arbitrário das próprias razões.

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Num outro estágio da civilização, a esse subseqüente, a autotutela foi sendo abandonada, chegando-
se à solução dos conflitos entre os sujeitos mediante o concurso de terceiro desinteressado e
imparcial, eleito pelos contendores. Tratava-se daquilo que se pode denominar de arbitragem
facultativa.

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Subseqüentemente, a arbitragem passou a ser obrigatória, de modo que os envolvidos no conflito
deveriam necessariamente submeter-se a uma solução criada por terceiro desprovido de interesse
direto no objeto daquele conflito.
Somente muito depois, com o desenvolvimento da noção de Estado e, conseqüentemente, com o
nascimento das primeiras idéias a respeito daquilo que seria, mais tarde, o Estado de Direito, é que a
tarefa de solucionar os conflitos (por conflito entenda-se aquela "parcela" deste levada ao Judiciário,
ou seja, a lide) entre as pessoas foi admitida como função do Estado, primeiramente atribuída ao
soberano, de quem emanava todo o Direito e, mais tarde, numa fase mais desenvolvida, mediante o
concurso dos organismos do Poder Judiciário, dotados de independência estrutural diante dos
demais órgãos de gestão das atividades estatais.
Essas fases não ocorreram de forma marcadamente distinta, de modo que se possa enxergá-las,
num olhar voltado para o passado histórico, absolutamente separadas umas das outras. Não houve
marcos divisórios nítidos, precisos, entre essas diferentes fases, correspondentes a distintos modos
de solução de conflitos admitidos pelas diversas sociedades ocidentais. A história mostra que, em
quase lodos os momentos, esses diferentes sistemas conviveram uns com os outros, ora com a
predominância de um, ora com a preponderância de outro. Ainda hoje essa concomitância se verifica
com muita clareza, apesar da evidente predominância da atividade jurisdicional estatal.
Essa nítida preferência pela solução jurisdicional estatal dos conflitos de interesses faz com que se
afirme, na doutrina, que a jurisdição é monopólio do poder estatal. É preciso esclarecer, todavia, que
esse caráter monopolizador da atividade jurisdicional do Estado não impede que, autorizados por lei,
possam os interessados optar por meio não estatal de exercício da jurisdição, isto é, de realização de
atividade capaz de por fim à lide. Nessa hipótese, a jurisdição é, por assim dizer, exercida por
delegação do Estado, desde que expressamente autorizada por lei e, sempre, em decorrência do
interesse das partes, manifestado de forma expressa.
Se a jurisdição estatal é preferida pelas diversas sociedades, coexistem com ela outros mecanismos,
como o da arbitragem, quer nos conflitos internacionais, quer nos conflitos entre blocos econômicos
quer, no âmbito interno, nos conflitos a ela submetidos por deliberação dos interessados, em que se
realiza aquilo que acima denominamos de exercício delegado da jurisdição.
A arbitragem, por se tratar de opção que deva ser feita necessária e exclusivamente pelos próprios
interessados, em casos hoje expressamente previstos na lei, não implica violação ao princípio da
inafastabilidade do controle jurisdicional (art. 5º, XXXV, da CF).
No ordenamento jurídico brasileiro, a atividade jurisdicional estatal convive com os mecanismos
arbitrais previstos na Lei 9.307, de 23 de setembro de 1996. De acordo com o art. 1º dessa regra, "as
pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos
patrimoniais disponíveis".'
A arbitragem, como exercício delegado da jurisdição estatal, serve de mecanismo alternativo à
atividade do Poder Judiciário, pois também se insere no conjunto de meios para a solução da lide.

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Embora em casos reduzidíssimos, a jurisdição e a arbitragem facultativa convivem, ainda hoje, em
nosso direito, com algumas hipóteses em que se permite a autotutela. Exemplo disso está no art. 502
do CC, em que se autoriza o possuidor molestado ou desapossado ao desforço imediato para a

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manutenção ou restituição da posse. Segundo essa norma, "o possuidor turbado, ou esbulhado,
poderá manter-se, ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo".
1.2 Conceito
A jurisdição é, portanto, no âmbito do processo civil, a função que consiste, primordialmente, em
resolver os conflitos que a ela sejam apresentados pelas pessoas, naturais ou jurídicas (e também
pelos entes despersonalizados, tais como o espólio, a massa falida e o condomínio), em lugar dos
interessados, por meio da aplicação de uma solução prevista pelo sistema jurídico.' Por solução do
sistema, entendemos aquela prevista pela função normatizadora do Direito, esta consistente em
regular a apropriação dos bens da vida pelas pessoas, mediante o uso de um sistema de comandos
coativos ou sancionatórios, de sorte que seja possível alcançar soluções compatíveis com a
necessidade de manutenção da paz social.
1.3 Jurisdição e Estado de
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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