Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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grau de
jurisdição, principalmente nas comarcas de grande extensão territorial, em que pode haver varas
distritais (nos bairros) cuja competência seja fixada, pelo menos em parte, a partir deste critério,
quanto no que tange ao segundo grau, principalmente nos Estados em que há Tribunais de Alçada
(ao lado dos Tribunais de Justiça), em que a competência desses tribunais pode ser. estabelecida em
função do valor das causas, além de poder sê-lo em função da matéria.
5.8.2 Matéria
A matéria a ser decidida (lide, pedido ou pretensão) desempenha papel de critério de competência,
interferindo na sua fixação em primeiro grau de jurisdição. Exemplo disso é o de uma ação de
separação judicial, que deve ser distribuída para a vara de família; ou de uma ação de retificação de
nome, que deve ser distribuída para a vara dos registros públicos etc. Em segundo grau de jurisdição,
a matéria pode interferir na escolha entre os Tribunais de Justiça e de Alçada e entre os órgãos
fracionários (internos) desses tribunais.

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De qualquer modo, a infração à regra em que se elegeu como critério para fixação de competência a
matéria a ser decidida gera vício que não fica acobertado pela preclusão, podendo ser decretado a
qualquer tempo.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

5.9 Competência relativa - Regime jurídico - Formas de impugnação
A classificação da competência em relativa e absoluta depende de as normas que a respeito delas
dispõem serem facultativas (= poderem ser afastadas em função de convenção das partes) ou
imperativas (= incidem independentemente da vontade das partes). A natureza dessas normas
depende, de regra, do critério eleito para estabelecer a competência.
Gera vício menos grave a infração a regras de competência que levem em conta critério territorial e
de valor. Trata-se de competência estabelecida por regras derrogáveis (art. 111, 2ª parte, cuja
infração gera, no processo, vício sanável). Portanto, trata-se de defeito que não pode ser argüido
pelas partes a qualquer tempo, ficando escoado o prazo dentro do qual essa argüição pode ser feita,
acobertado pela preclusão. Também não pode o juiz conhecer de ofício (sem provocação da parte)
de vício de competência relativa.
0 único meio adequado para que a parte se insurja contra a situação de a ação ter sido movida em
juízo relativamente incompetente é a exceção (arts. 304 a 311 do CPC).
Dispõe, para manejar a exceção, do prazo de 15 dias (art. 297). Poderá, todavia, fazê-lo antes de
apresentar contestação e reconvenção, ficando o processo suspenso até que a exceção seja
definitivamente julgada, quando então poderá apresentar as demais peças de defesa (em sentido
lato) no resto do prazo.
Não tendo a parte feito uso do instituto da exceção para se insurgir contra a incompetência relativa,
ocorre a prorrogação da competência, tomando-se competente o juízo que antes incompetente era,
não havendo mais oportunidade para que, durante o processo, se levante esse defeito. A prorrogação
da competência nada mais é do que efeito específico da preclusão, que ocorre neste caso.
Como o vício se considera como tendo sido sanado, se não argüido em tempo e através do meio
hábil, tem-se como conseqüência ser absolutamente imaculada sentença proferida por juízo
relativamente incompetente.
5.10 Competência absoluta - Regime jurídico - Formas de impugnação
A infração de regra que disponha a respeito de competência absoluta, ou seja, que tenha como
critério matéria e função, gera vício incomparavelmente mais grave. Desta maior gravidade decorre a
diversidade de regimes jurídicos entre este vício e aquele de que no item anterior se tratou. A
competência absoluta é determinada por regras imperativas ou de ordem pública, sendo, portanto,
inderrogável, já que essas normas incidem independentemente da vontade da parte (art. 111).
Está-se, aqui, diante de vício que pode ser argüido a qualquer tempo pelo réu, embora o momento
adequado seja o da resposta e o meio apropriado seja a contestação (art. 301, 11), por razões
ligadas à economia processual.

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Não alegando o réu a incompetência absoluta neste momento oportuno, poderá posteriormente fazê-
lo por meio de simples petição, ficando, todavia, sujeito a responder pelas custas de retardamento

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(arts. 113 e 268, § 3º 2.' parte, que se refere ao art. 267, IV, que diz respeito não só, mas também aos
pressupostos processuais de validade).
Justamente por se tratar de vício de maior gravidade, deve o juiz dele conhecer de ofício, durante o
procedimento em primeiro grau de jurisdição, na fase de apelação e durante o julgamento de todos os
recursos ordinários. É esse o sentido da expressão em qualquer tempo e grau de jurisdição,
constante do art. 267, § 3º
Ainda, não tendo o réu alegado (ou mesmo tendo feito a alegação, que teria sido rechaçada), não se
tendo o juiz manifestado de ofício a respeito da incompetência absoluta, e tendo havido, nesse
processo, decisão de mérito transitada em julgado, está-se diante de sentença rescindível (art. 485,
11). Sentença proferida por juízo absolutamente incompetente fica maculada por vício que terá, na
verdade, normalmente, ocorrido quando da propositura da ação, como se o defeito se tivesse
"propagado" ao longo do processo. Toma-se, por isso, apesar do trânsito em julgado, passível de ser
impugnada durante os dois anos subseqüentes (art. 495).
5.11 Causas modificativas da competência
Os autores, de modo geral, tratam de duas figuras - conexão e continência como sendo causas
"modificativas" da competência.
Trata-se, na verdade, de dois liames de afinidade existentes entre duas ou mais ações, que faz com
que se justifique a reunião dos processos que estavam antes tramitando em juízos diversos, para
que, reunidos, passem a tramitar em conjunto e sejam decididos concomitantemente.
Essa possibilidade significa exceção ao princípio da perpetuatio jurisdictionis. Esse princípio, bem
como o da perpetuatio libelli e o da perpetuatio legitimationis, foram adotados pelo nosso CPC e
refletem nítida preocupação com a estabilidade do processo. De fato, com a propositura da ação
fixam-se certos elementos que só excepcionalmente podem ser alterados: fixa-se o libelo (causa de
pedir + lide), fixam-se as partes e fixa-se a competência. Vejam-se os arts. 294 (fixação do pedido),
art. 42, caput (fixação das partes), e art. 87 (fixação da competência).
Essas regras comportam exceções. Pense-se, por exemplo, no caso de litisconsórcio necessário
formado ulteriormente, na modificação do pedido, desde que antes da citação, e também, justamente,
na conexão e na continência.
Ações conexas ou continentes guardam entre si uma relação de afinidade, e, portanto, dois foram os
objetivos do legislador ao determinar a possibilidade de reunião de todas elas. 0 primeiro deles foi o
de levar a efeito o princípio da economia processual, já que, em função da mencionada afinidade, é
comum que a mesma fase probatória possa ser partilhada por ambas as ações, e as provas, que
deverão dar origem a duas sentenças, serão produzidas de uma só vez. 0 segundo dos objetivos é
evitar a existência de decisões logicamente contraditórias.
Para que haja reunião das ações continentes ou conexas, é necessário que o juízo em que tramitarão
os processos seja competente em relação a todos, em função de critérios relativos à competência
absoluta.

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É necessário frisar que o juiz não tem o dever de juntar processos conexos ou continentes (art. 105),
mas deve fazê-lo
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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