Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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em função de que esta reunião represente efetivamente alguma utilidade, o que não
ocorreria, por exemplo, no caso de um dos processos já estar em avançada fase recursal e o outro
ainda em fase de citação.
5.12 Conexão e continência
Diz a lei que a conexão que enseja a reunião de causas é aquela que decorre da identidade ou do
pedido ou da causa de pedir, próxima ou remota. Tem-se conexão, por exemplo, em ações
decorrentes de um mesmo acidente automobilístico (art. 103).
Continência existe quando as partes são as mesmas, quando a mesma é a causa de pedir mas
quando o pedido de uma é maior do que o da outra, ou seja, contém o da outra (art. 104).
A doutrina tradicional assevera que, quando a ação com pedido menor for movida depois, deve ser
extinta por litispendência, só havendo propriamente continência quando a ação cujo pedido for menor
for intentada antes.
Excepcionalmente, consignamos aqui nossa opinião pessoal, no sentido de que ou a continência
deve gerar a imperatividade de reunião dos processos ou a extinção do segundo pedido, formulado
na segunda ação por litispendência, ainda que a segunda ação, vista como um todo, seja mais
abrangente. Assim, explicando: não é concebível que A formule contra B o pedido x, e que,
posteriormente, intente contra B nova ação, pedindo, agora, x, y e z, e que estas ações não sejam
reunidas; ou que o x, na segunda ação, seja julgado novamente.
5.13 Prevenção
A noção de prevenção ganha importância quando se está diante de ações que devem ser reunidas.
Essas ações são as conexas, as continentes e aquelas entre as quais existe a relação de
acessoriedade (que estudaremos mais adiante, quando examinarmos as ações cautelares). Em que
juízo? Naquele em que, em primeiro lugar, ocorreu a prevenção. A prevenção é fenômeno que gera,
em relação às demais ações já em curso, o que a doutrina chama de vis attractiva, "atraindo", como
consta da expressão, para junto de si, as outras ações.
Dá-se a prevenção em função de dois critérios, ambos cronológicos, a que faz menção a lei: a citação
e o despacho que ordena que esta se efetive (arts. 219 e 106). Ocorre a prevenção no juízo onde a
citação ocorrer em primeiro lugar, e no juízo em que tiver havido o despacho ordinário de citação em
primeiro lugar, no caso de ambos os juízes terem a mesma competência territorial.
A prevenção pode ocorrer tanto em primeiro quanto em segundo grau de jurisdição, e também nos
tribunais superiores, como veremos oportunamente.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

6. TIPOS DE PROCESSO
SUMÁRIO:
6.1 Processo de conhecimento
6.2 Processo de execução
6.3 Processo cautelar.
0 exercício da função jurisdicional do Estado se dá mediante o concurso de diversos órgãos, que dela
são encarregados, nos termos do que prevêem a Constituição Federal, as Constituições dos Estados
e as normas de organização judiciária a que já nos referimos.
As normas de direito processual civil, por seu turno, disciplinam o mecanismo de acesso a tais
organismos pelas partes envolvidas em conflito. Definida a lide, isto é, a parcela do conflito que será
levada ao conhecimento do Poder Judiciário, reclamando solução do direito, passa-se a se submeter
às regras que disciplinam o processo.
A atuação de tais organismos, à luz das normas processuais, se dá tendo em vista um dos diferentes
tipos de provimentos jurisdicionais desejados pelo autor, ou seja, por aquele que procura o Poder
Judiciário em busca de uma solução para a lide, tencionando fazer valer aquilo que afirma ser seu
direito.
Assim, em vista do tipo de resultado desejado pela parte, é possível classificar os processos em três
tipos distintos, conforme disposição expressa do Código de Processo Civil: processo de
conhecimento cimento, processo de execução e processo cautelar.
6.1 Processo de conhecimento
0 processo de conhecimento é aquele em que a parte realiza afirmação de direito, demonstrando sua
pretensão de vê-lo reconhecido pelo Poder Judiciário, mediante a formulação de um pedido, cuja
solução será ou no sentido positivo ou no sentido negativo, conforme esse pleito da parte seja
resolvido por sentença de procedência ou de improcedência.
No processo de conhecimento, as partes têm oportunidade de realizar ampla produção de provas,
voltadas a demonstrar a existência do direito (regra geral, pelo autor) ou a existência de fato que o
impeça, modifique ou extinga (regra geral, pelo réu). Diz-se processo de conhecimento porque, nessa
modalidade de processo, o juiz realiza ampla cognição, analisando todos os fatos alegados pelas
partes, aos quais deverá conhecer e ponderar para formar sua convicção e sobre eles aplicar o direito
(dizer o direito = jurisdictio) decidindo, através de sentença de mérito, pela procedência ou pela
improcedência do pedido formulado pelo autor.

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Se A afirma ser titular de direito a indenização, em razão de dano que lhe tenha sido causado por B
(por exemplo, em acidente de automóvel), o meio para a obtenção de provimento jurisdicional que
resolva essa lide será o processo de conhecimento. No pedido (que, como se verá, será formulado no
bojo da petição inicial) A dirá que em determinado dia e hora foi vítima de acidente de automóvel,

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causado por B, no qual sofreu danos pessoais (ferimentos, por ex.) e materiais (estragos em seu
veículo). Pedirá ao juiz a condenação de B ao ressarcimento dos danos que sofreu. B terá
oportunidade para ampla defesa e, em seguida, as partes (A e B) produzirão provas a respeito de
tudo quanto tenham alegado. Após a produção das provas o juiz sentenciará, dando pela procedência
ou pela improcedência do pedido formulado por A.
Conforme se verá quando se tratar da classificação das ações, o processo de conhecimento admite
diversos tipos de ações, conforme seja o tipo de provimento pedido ao Poder Judiciário, isto é,
conforme o tipo de resultado desejado pela parte (ação declaratório, constitutiva, condenatória,
mandamental e executiva lato sensu).
6.2 Processo de execução
De nada adiantaria para a parte, todavia, a obtenção de uma sentença de mérito condenatória, em
que o Poder Judiciário determinasse ao réu o cumprimento de certa obrigação, se não houvesse
meios através dos quais se pudesse coativamente fazer valer essa decisão judicial' diante do réu
renitente, isto é, daquele que, apesar de condenado a cumprir determinada obrigação, resista à
espontânea observância do provimento jurisdicional.
Para atuar concretamente o provimento de mérito proferido em processo de conhecimento
condenatório anterior é que existe o processo de execução. Essa expressão - atuar concretamente -
quer dizer fazer com que aquela decisão judicial, que, por exemplo, condenou o réu ao pagamento de
determinada quantia em dinheiro, realize-se e produza efeitos no mundo dos fatos, de forma que o
autor receba aquilo a que tem direito por força da sentença. Trata-se de cumprir coativamente o
comando existente na sentença. Se a sentença condenou B a pagar a A determinada quantia em
dinheiro e se B não o faz espontaneamente, o processo de execução é o meio criado pelo sistema
processual para que, mediante os chamados meios executórios (isto é, atos de força, coativamente
realizados pelo Estado), A efetivamente receba de B aquilo a que tem direito. Esse tipo de processo
se destina a operar modificações no mundo empírico (isto é, no mundo dos fatos), através das quais
se dê pleno cumprimento àquilo que se tenha decidido na sentença.
Além de servir de meio para a efetivação do provimento jurisdicional contido na sentença proferida no
processo
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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