Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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de conhecimento de natureza condenatória, o processo de execução também serve para,
com os mesmos meios executórios que se constituem em atos de força, destinados a retirar do
patrimônio do réu bens suficientes para, transformados em dinheiro (regra geral) servirem de forma
de pagamento ao autor, atuar concretamente comandos existentes em documentos firmados entre as
partes, aos quais a lei confere a mesma força executiva atribuída a esse tipo de sentença. São os
chamados títulos executivos extrajudiciais (exs: nota promissória, cheque, contratos etc.), que serão
tratados oportunamente.
6.3 Processo cautelar

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A atividade jurisdicional, quer aquela desenvolvida no seio do processo de conhecimento, quer a que
se realiza no processo de execução, se destina, sempre, ao sucesso. Com isso queremos (fizer que o
espírito que norteia o sistema processual é o da efetividade, no sentido de que todo aquele que
invoca a tutela do Estado, por meio da jurisdição, deve receber uma resposta satisfatória, pouco
importando, para esse fim, que seja uma resposta de procedência ou de improcedência. Afinal, se a

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

jurisdição é, em princípio, inafastável e indelegável, ela deve, a todos quantos da função jurisdicional
precisem, uma resposta efetiva, isto é, que resolva a lide no sentido jurídico e prático.
Se A vai a juízo pedir um provimento contra B, não se pode contentar apenas com uma sentença de
procedência de seu pedido, pois esta é apenas o mecanismo de declaração (em sentido amplo) da
existência de seu direito diante de B. 0 que A quer é uma solução que atue no mundo empírico, isto
é, que tenha como resultado objetivo a promoção de transformações na ordem dos fatos. Se A pediu
a condenação de B ao pagamento de uma indenização (processo de conhecimento), A não se
contenta com a sentença que condene B ao pagamento, mas sim com a atuação concreta (processo
de execução) no sentido de fazer com que, no mundo dos fatos, ocorra a transformação consistente
em fazer com que B efetivamente pague aquilo a que tenha sido condenado.
Pode ocorrer, todavia, que atitudes de B, diante da inexorabilidade do provimento jurisdicional
contrário a seu interesse, que é, no exemplo, o de não pagar a A, tendam a inviabilizar o provimento
jurisdicional. B, sabendo que o processo de execução, que se seguirá ao de conhecimento (em que
fatalmente será condenado a indenizar os danos que causou no patrimônio de A), retirará bens de
seu patrimônio, para que com tais bens se obtenha o dinheiro suficiente para pagar o que deve a A,
começa a vender todos os seus bens, de forma que, quando advier a execução, não haverá mais
bens capazes de responder pela obrigação.
Para situações como essa é que a jurisdição está equipada com mecanismos, deixados à disposição
do autor (A, credor diante de B) a fim de que este, se quiser, proteja a execução futura, resguardando
bens do patrimônio de B (de modo que se mantenha o estado das coisas, como se se tratasse de
"congelar" a realidade naquele momento), para que oportunamente respondam por sua obrigação.
Genericamente, essa é a finalidade do processo cautelar: proteger contra o risco de ineficácia o
resultado do processo: seja a eficácia futura de provimento jurisdicional que muito provavelmente
será proferido em processo de conhecimento, seja o resultado de processo de execução que já se
encontra em curso, ou que brevemente estará tramitando em juízo (processo cautelar incidental ou
preparatório).
Tanto o processo de conhecimento quanto o de execução têm demora própria e necessária,
inexoravelmente decorrente dos seus respectivos procedimentos. Isso significa que o provimento
desejado pelo autor não lhe é dado instantaneamente pelo Poder Judiciário. Pode ocorrer, então,
como se viu acima, que, entre o pedido e a sentença ou entre o ajuizamento da inicial da execução e
o pagamento. ao credor, exista o risco do esvaziamento do resultado do processo, em razão do
tempo ou de atos do réu tendentes à sua frustração. Estando presente esse risco (periculum in
mora) e sendo razoável a hipótese de que o provimento jurisdicional seja favorável ao autor, porque
existe indicação, ainda que mínima, da plausibilidade do direito de que afirma ser titular (fumus boni
iuris), pode o autor servir-se do processo cautelar para que, por meio de uma medida de natureza
cautelar, garanta a eficácia do processo principal, seja do provimento jurisdicional definitivo (de
conhecimento) seja do próprio processo de execução, a fim de evitar a frustração de seus efeitos
concretos.

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7. AÇÃO E ELEMENTOS IDENTIFICADORES DAS AÇÕES
SUMÁRIO:
7.1 Teorias sobre o direito de ação
7.2 Conceito de ação
7.3 Elementos identificadores da ação
7.4 As partes como elementos de identificação da ação
7.5 0 pedido como elemento identificador da ação
7.6 A causa de pedir como elemento de identificação da ação.
7.1 Teorias sobre o direito de ação
A ação, assim como hoje é concebida pela doutrina, como direito público abstrato de requerer a tutela
jurisdicional do Estado, sempre que dela se precisar para a solução (útil) de determinada lide ou para
a declaração de uma afirmação de direito que se faz, não constitui modelo pacífico, tendo sido
percorrido longo caminho, no curso da história, no qual foram múltiplas as concepções teóricas a
respeito dela.
Num primeiro momento, a ação era tida como fenômeno abrangido pelo próprio direito material
reclamado em juízo. Segundo a teoria civilista ou imanentista (porque imanente ao direito material), a
ação seria o direito que o titular de determinado direito tinha de pedir em juízo exatamente aquilo que
lhe era devido em função de normas de direito material. Dizia-se, então, que a ação seria uma
qualidade agregada ao próprio direito material ou que seria este direito, de natureza substancial, em
estado de reação a uma agressão que tivesse sofrido.
Essa teoria hoje é absolutamente inaceitável, pelo simples argumento de que, fosse essa concepção
correta e, em regra, só haveria ações julgadas procedentes, pois não se poderia falar em
improcedência da ação decorrente de um direito efetivamente existente. Como justificar tal teoria
diante da sentença que não reconhece a existência do direito alegado? E como justificar a existência,
no Código de Processo Civil, da ação declaratório negativa, em que o interesse do autor (art. 4º)
pode limitar-se à declaração da inexistência de um determinado direito? Ex.: a ação daquele que não
deve, mas diante de quem é cobrada determinada quantia, para obter a declaração da inexistência da
alegada relação de crédito e débito.
Depois, outras teorias foram surgindo, já a partir da separação havida entre o direito material e o
direito processual, resumindo-se, as mais importantes, em duas: a teoria da ação como direito
autônomo e concreto e a teoria da ação como direito autônomo e abstrato.
A primeira - a ação como direito concreto - também não logrou obter êxito no nosso sistema,
justamente porque somente admitia a efetiva existência da tutela jurídica do Estado se e quando se
tratasse de hipótese em que a sentença fosse favorável ao autor.

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A teoria que prevalece no nosso sistema processual é a da ação como direito abstrato de agir. Essa
"abstração" não é, todavia, absoluta, pois, para que se possa exercer o direito de ação, isto é, com

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possibilidade de se obter sentença de mérito (no processo de conhecimento), é preciso observar as
condições da ação.
Nosso direito
Rodrigo Reis fez um comentário
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