Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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positivo sofreu fortíssima influência de Enrico Tullio Liebman, por certo o maior
inspirador do Código de Processo Civil de 1973. Liebman define a ação como um poder de exigir a
prestação jurisdicional, poder esse vinculado a uma pretensão existente na esfera do direito material,
cuja análise se faz por meio das condições da ação. Para esse autor, somente se pode considerar
existente a ação (ação processual) se estiverem presentes todas as condições da ação. Liebman dá
pouca relevância à matriz constitucional da ação, entendendo que a ação constitucional constitui
mero pressuposto remoto sobre que se assenta a ação de natureza processual, esta sim, relevante
para o processo.
De acordo, todavia, com a concepção teórica hoje vigente, o direito de ação é independente e
autônomo diante do direito material invocado como causa de pedir (v. adiante), embora a ele seja
vinculado instrumentalmente, "porque sua finalidade é dar solução a uma pretensão de direito
material". Assim, há exercício do direito de ação mesmo que sem o sucesso almejado pelo autor, isto
é, por aquele que, mediante o exercício desse direito, instaura o processo em juízo e pede uma
determinada solução jurídica para a lide. Ainda que a solução seja outra, distinta daquela pretendida
pelo autor (este pretendia a procedência total de seu pedido e obteve, por exemplo, a procedência
parcial ou mesmo a improcedência), terá havido exercício da ação, e a isso corresponde o dever do
Estado de dar uma solução, favorável ou não, ao interesse do autor.
7.2 Conceito de ação
Como vimos em espaço próprio, o exercício lícito da autotutela dos direitos (ou das afirmações de
direito) é reservado a pouquíssimos casos, sempre expressamente previstos no ordenamento
jurídico. A arbitragem, como mecanismo jurisdicional alternativo delegado, também tem cabimento
apenas em casos específicos (direitos disponíveis) e, ainda assim, na dependência do consenso das
partes. Resta então, como sistema ordinário de tutela dos interesses e direitos, a atividade
jurisdicional do Estado em sentido estrito, ou seja, aquela confiada aos órgãos do Poder Judiciário.
Se, por um lado, o Estado avoca para si a função tutelar jurisdicional, por outro lado, em matéria de
direitos subjetivos civis, faculta ao interessado (em sentido amplo) a tarefa de provocar (ou invocar) a
atividade estatal que, via de regra, remanesce inerte, inativa , até que aquele que tem necessidade
da tutela estatal quanto a isso se manifeste, pedindo expressamente uma decisão a respeito de sua
pretensão.
A regra geral, portanto, consiste na ampla disponibilidade dos serviços judiciários, em decorrência da
garantia constitucional da inafastabilidade do controle jurisdicional (ao que se afirma titular de direito,
se sobrevier lesão ou ameaça a esse direito, não poderá ser negado o acesso ao Poder Judiciário).
Ocorre que a atividade jurisdicional, em matéria civil, é, na generalidade dos casos, inerte,
dependendo da iniciativa do interessado (no sentido processual, isto é, o próprio titular do direito
afirmado ou aquele que deva, em nome titular, defender esse direito em juízo).

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Cabe, portanto, ao titular da afirmação de direito (ou da pretensão) que deva ser submetida à solução
do Judiciário ou, ainda, por outras palavras, da lide que dependa de resolução, buscar a tutela
estatal, acionando, por assim dizer, o aparelho jurisdicional, com observância das regras de
competência, sob a forma de pedido de providência que lhe satisfaça.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

Essa provocação se faz por meio do exercício do direito de ação.
Podemos conceituar o direito de ação como o direito público, subjetivo e abstrato, de natureza
constitucional, regulado pelo Código de Processo Civil, de pedir ao Estado-juiz o exercício da
atividade jurisdicional no sentido de solucionar determinada lide.
7.3 Elementos identificadores da ação
Num universo extraordinariamente extenso e expressivamente conflituoso, a atividade jurisdicional
está disponível para conhecer e julgar todos os pedidos que ao Poder Judiciário sejam feitos, por
meio do caminho previsto na ordem jurídica, ou seja, no bojo de processo, instaurado por força do
exercício do direito de ação.
Ocorre que a multiplicidade de casos (ou de conflitos) determina o surgimento de inúmeras lides (ou,
com o mesmo sentido, de inúmeras pretensões ou, ainda, inúmeras afirmações de direito), para as
quais deve haver soluções específicas, objetivas, capazes de promover a pacificação caso a caso,
interesse por interesse.
Por outro lado, a entrega ao Estado da atividade encarregada de resolver as lides exige que, se, por
um lado, os interessados (partes, em sentido processual) devem confiar essa solução ao Poder
Judiciário (como regra geral, como vimos), em contrapartida devem contar com alguma segurança,
no sentido de que o resultado que o processo trouxer será firme e produzirá efeitos capazes de, no
mundo dos fatos, efetivamente resolver aquilo em razão de que a parte foi a juízo.
Essa segurança, desejada pela sociedade, estaria comprometida, até mesmo irremediavelmente, se
a uma solução dada a determinado processo, entre A e B, a respeito do pedido X, pudesse se seguir
outra solução, formulada por outro órgão jurisdicional, no mesmo ou noutro sentido, e,
sucessivamente, mais outra solução pudesse se suceder, alterando novamente o equilíbrio
conquistado por força da primeira solução. Se A pede a separação judicial de sua mulher B, e esse
pedido é julgado procedente, como conviver com outra sentença, de improcedência, dada por outro
ou pelo mesmo juízo, em razão de pedido formulado por B contra A?
Esse exemplo, que é muito simples, serve para demonstrar a importância da estabilidade das
decisões judiciais que, em determinado momento, devem se tomar firmes, imutáveis, como se se
tratasse de lei a reger aquele determinando interesse submetido à apreciação judicial. Essa técnica
pela qual optou o legislador, com o objetivo de conferir imutabilidade às decisões judiciais, num certo
momento do processo, como se verá em espaço próprio, se traduz, em nosso sistema processual,
pelo fenômeno da coisa julgada.
No entanto, para que se possa estabelecer com absoluta clareza essa gama de efeitos capazes de
determinar a inflexibilidade do comando emergente da sentença judicial, é preciso que se delimitem
os contornos, objetivos e subjetivos, dentro dos quais esses efeitos estarão garantidos.
Se A move ação de cobrança contra B e essa ação é julgada procedente e produz coisa julgada, não
poderá B, quando acionado por C, em razão de outra dívida, contraída diante de C, alegar que sobre
essa situação incidem os efeitos da coisa julgada, porque já teria pago aquilo que devia a A.

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É preciso, então, identificar ação por ação e, via de conseqüência, cada processo nascido de cada
momento de exercício do direito de ação. 0 processo gerado porque A moveu ação de cobrança
contra B, porque este lhe devia o cumprimento da obrigação de pagar determinada quantia, referente
à compra e venda de um automóvel, não interfere no processo em que o mesmo A, por força de
contrato de compra e venda de um terreno urbano, igualmente move contra B. Há um elemento
distinto nesses dois casos, apesar da identidade de partes, isto é, apesar de nos dois processos
serem autor e réu os mesmos A e B.
Cada ação levada a juízo, portanto, deve ser particularmente observada, para que dela se extraiam
elementos identificadores, de forma que possa ser considerada separadamente e distinguida das
outras ações que também tenham sido propostas ou que possam vir a ser propostas futuramente.
Rodrigo Reis fez um comentário
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