Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

Disciplina:Direito Processual Civil I5.333 materiais457.140 seguidores
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E quais são esses elementos, que permitem que cada ação seja isoladamente considerada? A
doutrina e também o CPC (art. 30 1, § 2.11) apontam três elementos, com base na teoria da tríplice
identidade: as partes, o pedido e a causa de pedir (causa petendi).
7.4 As partes como elementos de identificação da ação
0 primeiro exercício que se deve fazer, sempre que se queira identificar uma ação e o processo que
ao seu exercício se seguiu, e verificar quais são as partes, isto é, quem está atuando como autor,
porque exerceu o direito de ação, e quem está no pólo passivo do processo, isto é, contra quem o
autor propôs a ação diante do Poder Judiciário. Em outras palavras, trata-se de identificar os sujeitos
parciais (partes) da ação e do processo.
0 autor é aquele que, em nome próprio, e de regra defendendo direito de que afirma ser o titular
(regra geral do art. 6º do CPC), vem a juízo para expor sua pretensão e formular o pedido diante da
jurisdição.
0 réu, que é o outro dos sujeitos parciais da ação e do processo, é aquele em direção a quem ou
contra quem o autor formulou o pedido de tutela jurisdicional.
Se, num determinado processo, A e B são, respectivamente, autor e réu, é fácil distinguir, pela
análise desse elemento subjetivo, se há alguma outra ação em que A e B estejam situados nas
mesmas situações ou nas posições inversas (B como autor e A como réu).
A qualidade de parte implica sujeição àquilo que for decidido no processo, de forma que os chamados
efeitos subjetivos da coisa julgada alcançarão a um e a outro dos sujeitos parciais. Se se tratar,
todavia, de parte ilegítima, isto é, se vier a juízo, como autor ou como réu, alguém a quem não afeta a
situação jurídica controvertida, mesmo assim, até que haja a exclusão da parte ilegítima ou a extinção
do processo sem julgamento do mérito (da pretensão, da lide), processualmente haverá a sujeição às
regras que norteiam a conduta da parte. Com isso se quer dizer que, do ponto de vista processual,
parte ilegítima também é parte, enquanto exista o processo ou enquanto não seja excluída dele, por
força do reconhecimento de ilegitimidade.
7.5 0 pedido como elemento identificador da ação

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Quem vai a juízo, ou seja, quem invoca a proteção da atividade jurisdicional do Estado,
movimentando esse aparato estatal, o faz porque dele necessita (v., a seguir, causa de pedir -
necessidade + utilidade) e porque tem uma pretensão ou, como preferem alguns setores da doutrina,
uma afirmação de direito, a respeito da qual fará um pedido ao Poder Judiciário.
0 autor, ao exercer o direito de ação e dar início ao processo, quer que, ao seu final, o pedido seja
atendido, de forma que o Poder Judiciário decida pela sua procedência e emita, para esse fim, um
provimento que resolva a lide, pondo fim à discussão a respeito daquela situação jurídica e, enfim,
faça valer aquele direito de que o autor se diz titular.
Há, na doutrina, quem prefira tratar deste elemento identificador da ação denominando-o de objeto da
ação, que consistiria, segundo sustentam, no próprio pedido, com duas vertentes distintas: uma de
natureza processual (objeto imediato) e outra vinculada ao direito material subjacente à pretensão
(objeto mediato). Assim, de acordo com o que se entende por tais setores da doutrina, objeto é o
mesmo que pedido.
Pedido ou objeto, é certo que há, na realidade, dois nomes em razão dos quais se pode definir, em
cada caso concreto, esse elemento de identificação da ação. Tanto faz parte do pedido o aspecto
processual, vinculado ao meio de que a parte se serviu para veicular sua pretensão, quanto esta
mesma, que, em última análise, se constitui no próprio bem jurídico perseguido pelo autor da ação.
7.6 A causa de pedir como elemento de identificação da ação
Ao levar sua pretensão a juízo, o autor apresenta duas ordens de fundamentos: os fatos a respeito
dos quais pretende uma solução do Estado e o direito que, em seu entender, decorre de tais fatos.
Em razão disso, isto é, deste conjunto complexo de fatos e de fundamentos jurídicos, é que o autor
formula seu pedido.
A causa de pedir (causa petendi) ou razão do pedido significa, resumidamente, o conjunto de
fundamentos levados pelo autor ajuízo, constituído pelos fatos e pelo fundamento jurídico a eles
aplicável.
0 CPC adotou a teoria da substanciação, pela qual são necessária,,,'. além da fundamentação
jurídica, a alegação e descrição dos fatos sobre os quais incide o direito alegado como fundamento
do pedido. A fundamentação jurídica é, via de regra, a causa de pedir próxima, enquanto o fato
gerador do alegado direito se constitui, também na generalidade dos casos, na causa de pedir
remota. Na opinião de José Rogério Cruz e Tucci, a causa petendi próxima se constitui no
"enquadramento da situação concreta ( ... ) à previsão abstrata, contida no ordenamento de direito
positivo", enquanto a causa petendi remota está presente nos fatos "que fazem emergir a pretensão
do demandante".

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8. CONDIÇÕES DA AÇÃO
SUMÁRIO:
8.1 Noções gerais
8.2 Interesse processual
8.3 Legitimidade das partes
8.4 Possibilidade jurídica do pedido.
8.1 Noções gerais
0 direito de ação faz parte do sistema constitucional de garantias, próprias do Estado de Direito,
razão pela qual alguns autores preferem denominá-lo de direito constitucional de ação, enquanto
outros optam por enquadrá-lo no direito de petição.
0 exercício do direito de ação resulta na instauração do processo e, a partir daí, as normas
processuais é que regulam tudo quanto se refira à ação.
Isso quer dizer que, embora o direito de ação tenha matriz constitucional, é a ordem jurídica
infraconstitucional, de natureza processual, que dispõe a respeito da ação, a partir de quanto tenha
sido exercido esse direito de acesso à jurisdição.
Trata-se, na verdade, de direito extraordinariamente amplo quanto ao seu exercício, na medida em
que qualquer afirmação que o autor possa fazer, quanto a lesão ou ameaça a direito que entende de
sua titularidade, pode se constituir em pretensão suficiente para ensejar o manejo do direito de ação.
Entretanto, desde o momento em que é exercido pelo autor da demanda, o direito de ação se
submete às regras processuais, devendo respeitar três condições previstas no CPC, que, presentes,
permitem sua admissibilidade regular pelo Poder Judiciário, dando ensejo a que, no processo de
conhecimento, se profira sentença de mérito, pela procedência ou pela improcedência do pedido
formulado pelo autor.'
Dessa forma, conquanto possa ser exercido sem qualquer restrição, para que seja possível a regular
instauração do processo e a obtenção da tutela jurisdicional, o direito de ação sujeita o autor à
observância de condições previstas no CPC.
Tais condições, que, como se disse antes, são três, devem estar presentes, todas, para que se abra
caminho, por meio do instrumento processual adequado, para a prestação da tutela jurisdicional
requerida.
Ausente qualquer delas, fica como que bloqueado o caminho para a efetiva prestação da tutela, pois
o juiz deve decretar a carência da ação e extinguir o processo sem o julgamento do mérito.
São três as condições que permitem a regular admissibilidade da ação: interesse processual,
legitimidade das partes e possibilidade jurídica do pedido.

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8.2 Interesse processual
A condição da ação consistente no interesse processual se compõe de dois aspectos, ligados entre
si, que
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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