Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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se podem traduzir no binômio necessidade-utilidade, embora haja setores na doutrina que
prefiram traduzir esse binômio por necessidade-adequação. Parece não haver diferença substancial
entre as duas expressões, para a análise do interesse de agir, pois, sempre que se estiver diante da
propositura da ação inadequada, estar-se-á também, diante da inutilidade do pedido para os fins que
se pretendam alcançar. A adequação é como que o fracionamento da utilidade.
0 interesse processual está presente sempre que a parte tenha a necessidade de exercer o direito de
ação (e, conseqüentemente, instaurar o processo) para alcançar o resultado que pretende,
relativamente à sua pretensão e, ainda mais, sempre que aquilo que se pede no processo (pedido)
seja útil sob o aspecto prático. Essa necessidade tanto pode decorrer de imposição legal (separação
judicial, por ex.) quanto da negativa do réu em cumprir espontaneamente determinada obrigação ou
permitir o alcance de determinado resultado (devedor que não paga o débito no vencimento).
Assim, se A pretende obter a satisfação de um crédito representado por um contrato que não se
constitua em título executivo, de que é titular diante de B, terá necessidade da tutela jurisdicional se
B, no vencimento, se negar ao pagamento, e terá como tutela útil aquela que vá, ao final, reconhecer
a existência do crédito e compelir B à sua satisfação.
Será inexoravelmente necessária a tutela jurisdicional, em decorrência de disposição expressa da lei,
na hipótese de se pretender a decretação do divórcio, por exemplo.
Será, todavia, desnecessária a tutela jurisdicional, não havendo, portanto, interesse processual, se A,
maior e capaz, de posse de documento comprobatório do nascimento de seu filho, requerer,
representado pela mãe do recém-nascido, a tutela do Estado, pela via judicial, para obter o direito ao
registro do filho junto ao ofício do registro civil. Para tanto, é desnecessária a invocação da tutela
jurisdicional, bastando que A se dirija ao cartório do registro civil do local em que se deu o nascimento
e o declare ao oficial.
0 interesse processual nasce, portanto, da necessidade da tutela jurisdicional do Estado, invocada
pelo meio adequado, que determinará o resultado útil pretendido, do ponto de vista processual. É
importante esclarecer que a presença do interesse processual não determina a procedência do
pedido, mas viabiliza a apreciação do mérito, permitindo que o resultado seja útil, tanto nesse sentido
quanto no sentido oposto, de improcedência. A utilidade do resultado se afere diante do tipo de
providência requerida.
8.3 Legitimidade das partes
Autor e réu devem ser partes legítimas. Isso quer dizer que, quanto ao primeiro, deve haver ligação
entre ele e o objeto do direito afirmado em juízo. 0 autor deve ser o titular da situação jurídica
afirmada em juízo (art. 6º do CPC). Quanto ao réu, é preciso que exista relação de sujeição diante da
pretensão do autor.

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Para que se compreenda a legitimidade das partes, é preciso estabelecer-se um vínculo entre o autor
da ação, a pretensão trazida a juízo e o réu. Ainda que não se configure a relação jurídica descrita

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

pelo autor, haverá de existir, pelo menos, uma situação jurídica que permita ao juiz vislumbrar essa
relação entre parte autora, objeto e parte-ré.
Regra geral, no sistema do CPC, é parte legítima para exercer o direito de ação (autor) aquele que se
afirma titular de determinado direito que precisa da tutela jurisdicional, ao passo que será parte
legítima, para figurar no pólo passivo (réu), aquele a quem caiba o cumprimento de obrigação
decorrente dessa pretensão.
Se A se afirma credor de B por determinada quantia, em razão de algum vínculo igualmente afirmado,
A será parte legítima para figurar como autor da ação, ao passo que B será parte legítima para estar
no pólo passivo. Se, entretanto, A se afirma credor de certa quantia, que lhe deve C, e propõe ação
contra B, este é parte ilegítima para figurar no processo como réu. Se A e B contrataram determinada
obrigação, A como credor e B como devedor de seu cumprimento, C será parte ilegítima para propor
ação contra B.
8.4 Possibilidade jurídica do pedido
Há, na doutrina, duas opiniões predominantes a respeito dessa condição da ação. Uma delas
sustenta que se estará, sempre, diante de pedido juridicamente possível, quando o ordenamento
jurídico contiver, ao menos em tese, em abstrato, portanto, previsão a respeito da providência
requerida. Outra sustenta que haverá pedido juridicamente possível sempre que inexistir vedação
expressa quanto àquilo que concretamente se está pedindo em juízo.
Com fundamento em autorizada doutrina, entendemos que é preciso mesclar essas duas posições
para se concluir que, em matéria de direitos contidos na esfera do direito privado, é suficiente a
inexistência de vedação expressa quanto à pretensão trazida ajuízo pelo autor. Assim, ainda que
inexista previsão expressa na lei (norma material) quanto ao tipo de providência requerida, se
proibição não houver, estar-se-á diante de pedido juridicamente possível.
Em sede de direito público, todavia, a questão assume contornos diferenciados, pois é princípio
básico desse ramo do direito (exs: direito administrativo e direito tributário) que só se tem por
permitido aquilo que a lei expressamente autorizar, sendo vedado aquilo a respeito de que a lei deixe
de fazer qualquer referência?
Assim, diante dessa inegável diferença de tratamento do sistema jurídico para as questões de direito
privado e as de direito público, a avaliação da presença, ou não, da possibilidade jurídica do pedido
deve ser feita à luz dos princípios que informam um e outro ramo do direito.

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9. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES
SUMÁRIO:
9.1 Noções gerais
9.2 Classificação quanto ao tipo de provimento pedido pelo autor
9.3 Classificação das ações segundo a tutela pleiteada no processo de conhecimento

9.3.1 Ações declaratórias;
9.3.2 Ações condenatórias;
9.3.3 Ações constitutivas

9.4 As ações mandamentais e executivas lato sensu.
9.1 Noções gerais
A doutrina costuma proceder à classificação das ações tendo em vista o tipo de provimento
jurisdicional pedido pelo autor, quando do exercício do direito de ação.
Conforme se destaca na doutrina, essa forma de classificação das ações parte do pressuposto de
que, se toda ação implica determinado pedido de provimento jurisdicional, e, ainda mais, se entre as
ações é possível estabelecer diferenças, exatamente na medida da distinção entre os provimentos
pedidos em juízo, é justificável classificá-las de acordo com esse critério.
9.2 Classificação quanto ao tipo de provimento pedido pelo autor
Quanto ao tipo de provimento jurisdicional desejado pelo autor, as ações se podem classificar em
ações de conhecimento, de execução e cautelares. Dessa classificação já tratamos quando
abordamos a classificação dos processos.
9.3 Classificação das ações segundo a tutela pleiteada no processo de conhecimento
Vamos apreciar com mais vagar, neste tópico, a classificação das ações, segundo critério
eminentemente processual, levando em conta a espécie de tutela jurisdicional invocada através do
exercício do direito de ação.
Há, hoje, no direito processual civil brasileiro, duas fortes correntes doutrinárias, que discutem a
classificação das ações no processo de conhecimento (na verdade, a classificação das sentenças
proferidas em processo de conhecimento).
A classificação usual, que goza de plena aceitação na maioria da doutrina, trata as ações de
conhecimento como
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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