Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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declaratórias; constitutivas e condenatórias;

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

9.3.1 Ações declaratórias;
As ações (e as sentenças) declaratórias; ou meramente declaratórias; já que todas têm certa dose de
declaratoriedade, são aquelas em que o interesse do autor se limita à obtenção de uma declaração
judicial acerca da existência ou inexistência de determinada relação jurídica ou a respeito da
autenticidade ou da falsidade de um documento (art. 4.' do CPC).
A, que foi, no passado, devedor de B, e já pagou o título, extraviou o título de crédito (duplicata de
prestação de serviços, por exemplo) não tendo, agora, como efetuar a comprovação do pagamento.
Necessitando fazê-lo, propõe ação declaratória, cujo pedido é limitado à declaração da inexistência
da relação débito/crédito entre A e B. A não quer que B a nada seja condenado, nem quer "criar"
relação jurídica nova. Também, não quer desconstituir a relação que, afinal, já se havia extinguido
com o pagamento. Quer apenas e tão-somente a declaração judicial da inexistência da relação
jurídica noticiada.
9.3.2 Ações condenatórias;
As ações condenatórias; são aquelas em que o autor instaura processo de conhecimento visando,
além da declaração (que é a eficácia inicial da sentença), uma condenação do réu ao cumprimento
de obrigação ativa ou omissiva. A promove ação de reparação de danos contra B, alegando que, em
razão do dano que lhe foi causado por este, sofreu prejuízos materiais e morais que precisam ser
ressarcidos e, reparados (respectivamente) por B. Se seu pedido for julgado procedente, haverá
sentença condenatória, que autorizará posterior execução (v. Vol. 2, Caps. 1 e 2).
9.3.3 Ações constitutivas
As ações constitutivas, por seu turno, não contêm condenação, mas declaração acompanhada da
constituição, modificação ou desconstituição de relação jurídica. Contra B, A propõe ação de
anulação de contrato, alegando vício de vontade (coação por exemplo). Se for julgado procedente o
pedido, estaremos diante de ação/sentença constitutiva, porque estará desconstituída a relação
jurídica entre A e B.
9.4 As ações mandamentais e executivas lato sensu
Ao lado da classificação tradicional, há outra, conhecida como classificação quinária das sentenças
de procedência no processo de conhecimento, que também se presta para classificarmos as ações
segundo o provimento requerido pelo autor. Essa classificação pressupõe as ações segundo a
eficácia preponderante das respectivas sentenças de procedência.
Segundo essa classificação, além das ações declaratórias; constitutivas e condenatórias; o processo
de conhecimento comporta, também, ações mandamentais e ações executivas lato sensu.

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As ações mandamentais têm por objetivo a obtenção de sentença em que o juiz emite uma ordem de
autoridade, que, se não for especificamente cumprida por quem a receba, implica sujeição às
sanções de tipo penal. Exemplos típicos, referidos pelos defensores da autonomia desse tipo de ação

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(e, correlatamente, desse tipo de sentença), são a sentença proferida no mandado de segurança e a
proferida na ação de nunciação de obra nova (art. 938 do CPC).
As ações executivas lato sensu são uma espécie de ação que contêm um passo adiante além daquilo
que a parte obtém com uma ação condenatória. Nas executivas lato sensu há, sim, condenação,
mas, diferentemente da regra geral das ações condenatórias; a produção de efeitos práticos, no
mundo dos fatos, independe, neste caso, de posterior processo de execução. Se a ação
condenatória produz sentença que, se for de procedência, demandará novo processo, agora de
execução, voltado à promoção de alterações no mundo dos fatos, a executiva lato sensu disso não
necessita, estando sua sentença apta a produzir diretamente os efeitos de transformação no mundo
empírico, sem necessidade do posterior processo de execução.
Exemplificando: A. move contra B ação condenatória e obtém sentença de procedência do pedido. Se
se tratar de sentença líquida (oportunamente, liquidação da sentença), ajuizará processo de
execução de sentença, para conseguir a efetiva satisfação de seu crédito.
Movendo ação executiva lato sensu, o autor - A - independerá do processo de execução para obter a
pretendida alteração no mundo dos fatos, porque este tipo de ação não se destina a constituir título
executivo (como ocorre com as ações condenatórias; sendo sua sentença exeqüível no mesmo
processo em que foi proferida. Adiante, quando verificarmos a matéria relativa à relação jurídica
processual, voltaremos a esse exemplo.

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10. PROCESSO E PROCEDIMENTO
SUMÁRIO:
10. 1 Noções gerais
10.2 A importância da distinção entre processo e procedimento.
10.1 Noções gerais
A discussão a respeito dos conceitos de processo e procedimento, que já foi intensa na doutrina, foi
revigorada desde 1988, com a edição da regra constante do inciso XI, do art. 24, da Constituição
Federal.
Se, no passado, a discussão pouco repercutia no plano concreto, hoje, principalmente em
decorrência das inevitáveis conseqüências que dela se podem extrair, principalmente diante da
necessidade de se fixar a esfera da competência legislativa dos Estados federados, ela está
novamente pulsante, por razões que veremos adiante.
Processo é conceito de cunho finalístico, teleológico, que se consubstancia numa relação jurídica de
direito público, traduzida nutri método de que se servem as partes para buscar a solução do direito
para os conflitos de interesses (especificamente, como se verá, para aquela parcela do conflito
levada a juízo, ou seja, para a lide).
0 alcance dessa finalidade (buscar a solução do direito) se dá pela aplicação da lei ao caso concreto,
e isso ocorre no processo, que é o instrumento através do qual a jurisdição atua.
0 vocábulo processo tem sua origem etimológica em processo que, na língua latina, significa "seguir
adiante. Certamente o uso desse vocábulo contribuiu para que se estabelecesse certa confusão entre
os conceitos de processo e de procedimento.
Processo quer dizer movimento, e isso se entendia como a organização encadeada dos atos
processuais, do início ao fim do processo, idéia que é, sem dúvida, muito mais afeita ao conceito de
procedimento.
Hoje, o processo deixou de ser visto apenas sob o prisma da organização dos atos processuais em
seqüência, passando a ser observado sob seu aspecto teleológico, ou seja, dos fins que lhe são
próprios, especialmente quanto à função de resolver aquela parcela do conflito de interesses
submetida ao poder estatal. Do ponto de vista político, o processo é visto como instrumento de que
dispõem o Estado e as partes para buscar solução pacificadora dos conflitos, servindo de meio,
portanto, para a realização de objetivos afeiçoados ao Estado de Direito.
Já o procedimento, embora esteja ligado ao processo, é meramente o mecanismo pelo qual se
operam os processos diante da jurisdição.

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Processo e procedimento, na verdade, segundo expressiva doutrina, compõem, somando-se um ao
outro, a relação jurídica processual, o primeiro como dado substancial e o segundo como aspecto
formal, de ordem estrutural, pois é por meio dele - do procedimento - que o processo se desenvolve,

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com toda a sua complexa seqüência de atos, entre si interligados, de forma a proporcionar condições
para que exista o provimento jurisdicional que ponha
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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