Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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fim à lide.
Segundo autorizada doutrina, processo e procedimento não dizem respeito a objetos distintos, mas
sim a aspectos diversos do mesmo objeto. De acordo com essa opinião, para a noção de processo
são essenciais as idéias referentes à relação jurídica processual formada entre os sujeitos do
processo e às suas finalidades (obtenção de provimento jurisdicional), ao passo que para o
procedimento dizem respeito as noções de movimento da relação processual no tempo.
10.2 A importância dá distinção entre processo e procedimento
Como dissemos anteriormente, a discussão a respeito das diferenças entre os conceitos de processo
e procedimento, durante expressivo espaço de tempo, se deu exclusivamente no campo doutrinário,
sem que se pudessem dela extrair repercussões no plano prático.
Entretanto, com a promulgação da CF de 1988, essa assumiu novo vigor, porque a CF definiu
diferentes campos de competência, em matéria processual e em matéria procedimental, tanto para a
União Federal quanto para os Estados federados e para o Distrito Federal.
Embora tivesse mantido a competência exclusiva da União Federal para legislar em matéria
processual (art. 22, inc. I), o art. 24, XI, criou competência concorrente entre União e Estados (ou
Distrito Federal) para legislar em matéria de procedimento.
A criação da competência concorrente dos Estados federados e do Distrito Federal trouxe
importantes conseqüências no plano prático. De acordo com o texto do parágrafo primeiro do art. 24
da CF, se reserva para a União Federal a competência para legislar sobre matéria procedimental
geral, cabendo aos Estados e Distrito Federal a competência para legislar a respeito de normas não
gerais (ou específicas) em matéria de procedimento.
Conforme já afirmamos em outro espaço, a questão que tem suscitado maiores dúvidas não é aquela
relacionada à definição, no plano teórico, de processo e procedimento, mas às dificuldades que
existem diante de um dispositivo legal específico (ou de determinada matéria em tese considerada)
para se saber se este consiste em norma de natureza processual ou procedimental. Por outras
palavras, é preciso se saber que matérias são encartáveis na noção de normas não gerais de
procedimento.
Segundo já sustentamos, o primeiro passo é separar, no contexto das normas de procedimento,
aquelas que possam ser admitidas como de conteúdo genérico das outras, que não tratam de
generalidades.
"Ao nosso ver, todos aqueles temas relacionados com a gênese da relação jurídica processual, como,
por exemplo, jurisdição, ação, defesa e contraditório, não se encartam, nem por aproximação, dentre
as regras procedimentais".

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"As decisões judiciais em geral, incluídas as sentenças, os acórdãos, as decisões interlocutórias e os
chamados despachos com conteúdo decisório, porque se voltam a regular a própria relação jurídica
processual, e os incidentes intermédios, de cuja solução depende a prestação da tutela jurisdicional

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

do Estado, que virá por meio da sentença, também ficam absolutamente fora do âmbito de
competência legislativa dos Estados membros".'
"As matérias que envolvem pressupostos processuais negativos e positivos, de existência e de
validade e condições da ação, ao nosso ver, também, não se podem entregar à atividade legislativa
estadual, pois estão ligadas, respectivamente, a questões que se referem à estrutura do processo e
ao regular e válido exercício do direito constitucional de ação, temas evidentemente presos à
generalidade das normas que dão forma ao processo".
Segundo a boa doutrina, somente podem ser objeto de lei procedimental dos Estados federados ou
do Distrito Federal matérias que digam respeito ao próprio procedimento, isto é, ao encadeamento
dos atos processuais, no que tange à sua forma, ao tempo de sua realização e ao lugar em que se
devam realizar.

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11. RELAÇAO JURIDICA PROCESSUAL
Hoje se entende que a relação jurídica processual é aquela que se estabelece entre autor, juiz e réu.
Costuma-se concebê-la sob forma triangular, e o juiz ocupa o vértice de cima, localizando-se
eqüidistantemente de ambas as partes.
Há outros participantes do processo como, por exemplo, os assistentes, que, todavia, não integram a
relação processual. Esta não é formada senão por autor, réu (incluídos os litisconsortes, que ou serão
réus ou autores) e juiz.
A formação da relação processual se dá em duas etapas: primeiro, com a propositura da ação, em
que se tem como iniciada a formação da relação, momento em que ela é ainda linear (art. 263); em
segundo lugar, completa-se esta relação com a citação do réu (art. 219). Antes deste segundo
momento, a relação processual não está formada, não está triangularizada, não está, portanto,
completa.
Há quem entenda que a relação processual não seria propriamente triangular, mas meramente
angular, pois as ligações se fariam entre autor e juiz, e réu e juiz, mas não entre autor e réu,
formando assim um ,v" de cabeça para baixo.
Na verdade, pode-se dizer que, antes deste segundo momento, não há processo. Segundo o que na
atualidade predominantemente se entende, só há processo depois da citação do réu. Tanto é assim
que a citação tem sido considerada pela grande maioria dos processualistas, apesar da letra do art.
214, caput, como pressuposto processual de existência.
Essa postura doutrinária tem conseqüências importantes, que serão por nós examinadas a seu
tempo, no que diz respeito ao instrumento de que se pode valer o réu não citado para impugnar
sentença (ou acórdão) proferido contra si, depois de terminado o processo. Asseverar-se que a
citação é elemento constitutivo do processo, isto é, que sem ela o processo não existe, influi na
escolha do meio de que se poderá valer a parte para contra uma sentença proferida nessas
condições se insurgir, se de natureza desconstitutiva (ação rescisória) ou meramente declaratória. Os
casos mais comuns, na prática, em que a parte se encontra neste dilema, diante de um processo já
findo para o qual deveria ter sido citada, são os em que deveria ter integrado o processo como
litisconsorte necessária.
A noção de relação processual, tal com antes descrita, nasceu na Alemanha, na segunda metade do
século passado. Foi de importância vital, tal qual o conceito de lide ou de objeto litigioso, para a
concepção do processo como objeto de conhecimento de uma ciência autônoma, ou seja, para a sua
independência epistemológica, já que antes disso o processo era visto como mero apêndice ou
capítulo do direito material. Veja-se que nessa formulação triangular, com a figura do Estado-juiz
constando sempre do vértice superior, aparece o processo encartado no direito público, já de acordo
com a moderna concepção que hoje se tem.

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12. ATOS PROCESSUAIS
SUMÁRIO:
12.1 Conceito
12.2 Classificação
12.3 Forma - 0 princípio da instrumentalidade
12.4 Publicidade
12.5 Atos das partes
12.6 Atos do juiz:

12.6.1 Sentença;
12.6.2 Decisão interlocutória;
12.6.3 Despachos;
12.6.4 Atos ordinatórios

12.7 Atos do escrivão:
12.7.1 Atos ordinatórios.

12.1 Conceito
0 processo, visto sob o aspecto estrutural, é um conjunto seqüencial de atos, tendentes à efetiva
tutela jurisdicional. Diz-se seqüencial porque o processo não é apenas um conjunto de atos, porém
estes seguem uma ordem, são encadeados logicamente, tendo começo, meio e fim.
Sendo o processo um conjunto ordenado de atos, cada um deles pode ser
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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