Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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estudado de per si, sob a
ótica de sua função como elemento integrante do processo. Em verdade, o ato processual é
modalidade de ato jurídico, mas que é praticado e busca gerar efeitos dentro do processo. É
necessário destacar que qualquer ato praticado fora do processo, ainda que a ele ligado, só adquirirá
relevância e gerará efeitos quando e se trazido ao processo.
Assim, ato processual é conceituado como toda manifestação da vontade humana que tem por fim
criar, modificar, conservar ou extinguir a relação jurídica processual. Desta forma, podem ser
incluídos na categoria de ato processual a manifestação de qualquer dos sujeitos processuais, e não
apenas das partes, pois todos visam o mesmo objetivo. Por isso, o conceito de ato processual não
abrange exclusivamente a atividade das partes, pois todos os integrantes do processo agem para
criar, modificar, conservar ou extinguir o processo.
0 Código de Processo Civil trata dos atos processuais no Título V do Livro 1, tecendo, entretanto,
apenas linhas gerais sobre a forma, o tempo e o lugar de sua realização, os prazos, as comunicações
dos atos e as nulidades. 0 tratamento não é restritivo, nem poderia ser. Como toda e qualquer
manifestação de vontade dos sujeitos processuais se faz por meio de atos processuais, seja qual for
o procedimento, é claro que todo o Código trata de atos processuais.
12.2 Classificação

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Embora não seja desconhecida a classificação objetiva, que visa a análise sob a ótica do ato em si,
parece melhor distinguir os atos processuais subjetivamente, tendo em vista o sujeito que o pratica.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

Assim, os atos processuais estão divididos, no Código de Processo Civil, em: atos das partes, aqui
entendida a expressão de forma ampla, abrangendo também os terceiros intervenientes, que nem
sempre são partes (arts. 158 a 161), os atos dos agentes da jurisdição, estes subdivididos em atos do
juiz (arts. 162 a 165) e atos do escrivão ou do chefe de secretaria (arts. 166 a 171).
Essa divisão, no código, não é exaustiva, pois por agentes da jurisdição devem-se entender também
os auxiliares da justiça que, evidentemente, praticam atos processuais. Pode-se citar: o oficial de
justiça, o contador, o distribuidor, o perito, entre outros.
Já se disse que melhor seria classificar os atos processuais apenas em atos das partes e atos do juiz,
pois todos os demais atos são praticados por ordem deste. Atualmente, com a inclusão do § 4º ao art.
162, pela Lei 8.952/94, -isso não é exatamente correto, pois os servidores podem praticar atos por
iniciativa própria, ficando, todavia, o ato sujeito à revisão pelo juiz.
12.3 Forma - 0 princípio da instrumentalidade
Denomina-se forma não apenas o aspecto exterior do ato, mas todo o conjunto de solenidades
necessárias para a validade do ato processual, ou seja, aquilo que deve estar contido no ato para que
surta os efeitos desejados. Assim, o modo, o lugar e o tempo dizem respeito à forma dos atos
processuais. Também se pode dizer que os próprios requisitos integram a forma, porque são
elementos formadores do ato.
Houve época, no Direito Romano, em que a forma era mais importante que o ato, pois a rigidez das
regras traçadas pelos sacerdotes impunha uma verdadeira teatralização, obrigando os envolvidos a
repetir fórmulas e modelos precisos, sob o risco de, inobservada a forma, perder a demanda, como
aquele litigante que usou a expressão vi tis (videira), quando a lei prescrevia arbor (árvore).
Tal absurdo nos dias de hoje é inconcebível. 0 processo não existe para cultuar a forma, mas para
dar razão a quem efetivamente a tem.
As formas, pois, têm por objetivo gerar segurança e previsibilidade e só nesta medida devem ser
preservadas. A liberdade absoluta das formas impossibilitaria a seqüência natural do processo. Sem
regras estabelecidas para o tempo, o lugar e o modo de sua prática, o processo jamais chegaria ao
fim. A garantia da correta outorga da tutela jurisdicional está, precisamente, no conhecimento prévio
do caminho a ser percorrido por aquele que busca a solução para uma situação conflituosa.
À solução intermediária entre o rigor absoluto e a liberdade total denomina-se princípio da
instrumentalidade das formas, expressado, por exemplo, nos arts. 154 e 250 do CPC. Por regra geral,
não existe forma para os atos processuais, exceto quando expressamente prevista pela norma, e
ainda assim, ou seja, mesmo quando há expressa exigência de forma, serão tidos como válidos os
atos praticados de outro modo se sua finalidade essencial foi alcançada.
Com isso, prestigia-se o conteúdo, e não a forma, somente se lhe exigindo quando sua ausência
implicar não ser alcançada a finalidade. Mas, para que o princípio da instrumentalidade seja aplicado,
é mister verificar se, inobservada a forma prescrita, o escopo do ato foi alcançado, não tendo sido
causado prejuízo quer às partes, quer ao processo. 0 que se busca é afastar o culto exacerbado da
forma, sem cair no extremo oposto: liberdade total dos sujeitos processuais.

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Um princípio de forma, no entanto, é inatingível: seja qual for o ato processual, há que ser utilizado o
vernáculo, não se admitindo o uso de idioma estrangeiro (art. 156). Se for necessário juntar aos autos
documento redigido em outro idioma, este só será admitido se acompanhado de tradução, feita por
profissional juramentado. As expressões latinas, tão comuns na linguagem jurídica, são admitidas
porque, em verdade, não se cuida de prática de ato em outro idioma, mas do uso de termos já
incorporados ao nosso vocabulário.
A Lei 9.800, de 26.05.1999, veio a expressamente permitir que as partes utilizem sistema de
transmissão de dados e imagens tipo fac-símile ou outro similar (ex.: correio eletrônico), para a
prática de atos processuais que dependam de petição escrita (art. 1º). Os prazos poderão ser
cumpridos por essa forma, desde que a parte depois entregue os originais, até cinco dias da data do
seu término (art. 2º, caput). 0 juiz, desde logo, poderá praticar atos embasados em petições
recebidas por essa via - ficando ressalvada a necessidade de oportuna apresentação dos originais
(art. 3º). A parte responde - inclusive sob as penas de litigância de má-fé - pela fidelidade do material
transmitido (art. 4º). 0 disposto na Lei, porém, não obriga a que os órgãos judiciários disponham de
equipamentos para recepção (art. 5º).
12.4 Publicidade
Em regra os atos processuais são públicos, pois o ordenamento jurídico não admite julgamentos
secretos (Constituição Federal, art. 93, ri. IX). Com isso não se quer dizer que se deva
obrigatoriamente dar publicidade a todos os atos processuais, de modo a que todos fiquem
efetivamente sabendo o que se passa. 0 princípio da publicidade existe para vedar o obstáculo ao
conhecimento. Todos têm o direito de acesso aos atos dó processo, exatamente como meio de se
dar transparência à atividade jurisdicional.
Há atos, todavia, que só são válidos se se realizarem com a máxima publicidade, como ocorre com a
arrematação, para a qual é necessária a publicação de editais, em jornal de ampla circulação.
Dependendo das condições locais, pode até o juiz determinar que sejam noticiados avisos em
emissora de rádio, pois, nesse caso, o escopo da norma é, justamente, tornar o ato o mais conhecido
possível.
A exceção são os casos de "segredo de justiça". A expressão é infeliz. Não se trata de segredo,
porque o julgamento não ocorre a portas fechadas. Cuida-se, sim, se resguardar a intimidade dos
litigantes, nos casos em que a publicidade possa ocasionar grande transtorno ou comoção social.
Mas as partes
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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