Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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e seus procuradores terão, obviamente, acesso aos autos, inclusive obtendo certidões.
0 elenco dos dois incisos do art. 155 é taxativo, não se admitindo ampliação, muito embora a
expressão "Interesse público" seja bastante abrangente, proporcionando ampla liberdade
interpretativa.
12.5 Atos das partes
Como foi dito, o processo se materializa por meio de atos e o Código de Processo Civil enumerou-os
como das partes, do juiz e do escrivão.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

Partes, na expressão contida no art. 158, são não só o autor e o réu, como também os terceiros
intervenientes, de que tratam os arts. 56 a 80 do Código de Processo Civil, e o Ministério Público,
exceto quando atua como fiscal da lei, pois todos praticam atos de declaração de vontade que
produzem a constituição, a modificação ou a extinção de direitos processuais.
0 processo é um diálogo, envolvendo os sujeitos processuais, portanto não é possível efetivar-se a
tutela jurisdicional sem os atos desses sujeitos, que poderiam ser, basicamente, chamados de partes
e juiz.
Em relação às partes, o princípio dispositivo determina que a propositura da demanda dependa de
iniciativa do interessado, não podendo a jurisdição, nesse caso, agir de ofício, mas, por outro lado,
que o impulso processual é oficial, no sentido de que, iniciado o processo, cumpre ao juiz impulsioná-
lo. Todavia, mesmo ante o princípio do impulso oficial, o desenvolvimento do processo só é possível
através de atos das partes, que, nesse quadrante, corresponde a um ônus processual.
Ônus representa um comportamento que se espera do litigante e que, não praticado o ato, não gera à
parte adversa o direito de exigir a prática que não houve, mas gera uma conseqüência jurídica, em
geral contrária ao interesse daquele que deveria ter agido. Cabe à parte escolher entre a prática do
ato ou a submissão à conseqüência correspondente.
Ônus processual, também, é a oportunidade de agir, pois, caso o ato não seja praticado no momento
adequado, não haverá outra oportunidade para sua prática, pelo advento da preclusão.
São atos processuais das partes aqueles não praticados por agentes da jurisdição, onde se busca a
obtenção de alguma favorável, seja para o encaminhamento do processo, seja para ;i conquista de
um bem da vida.
Os atos das partes podem ser classificados em:
a) de obtenção: são aqueles em que se visa a obter a satisfação de um pedido. Pratica o ato

aquele que objetiva alcançar um resultado favorável com a atividade
jurisdicional, seja sob o aspecto processual (o deferimento de um meio de
prova, por exemplo, ou o indeferimento da ouvida de uma testemunha que
reputa suspeita) ou mesmo de cunho material (a procedência do pedido).

Subdividem-se em:

a.1) postulatórios: quando existe um conteúdo explícito, de uma manifestação da vontade,
dirigida ao juiz, tendente a alcançar alguma conseqüência que aproveita
a parte que o pratica (petição inicial, contestação, exceções, etc). São
chamados postulatórios porque, neles, se requer ao magistrado uma
providência certa.

a.2) de evento físico: quando não há pedido expresso mas o próprio ato tende a obter

a satisfação da pretensão (pagamento de custas, prestação de
caução, o depósito prévio para a propositura da ação rescisória
etc). Não é da essência do ato um requerimento, mas a sua
prática supõe o desejo de obtenção de um resultado,

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a.3) instrutórios: quando não representam nem requerimento nem suposição de
resultado, mas visam a comprovação dos fatos alegados, com o fito de
obter-se a sentença favorável. Podem ser praticados tanto pela parte em
si (depoimento pessoal) como por outros sujeitos processuais
(testemunhas, perito, assistente técnico).

b) dispositivos: são aqueles em que se pretende a produção de efeitos processuais e,

conquanto dependam de um provimento jurisdicional homologatório, em
verdade, são negócios jurídicos praticados dentro do processo, e a produção de
efeitos decorre da manifestação da vontade das partes, e não de um ato
decisório do juiz. Em regra, os efeitos que as partes buscam obter com o
processo decorrem de um pedido (ato postulatório) e de um julgamento pelo
juiz. Quando as partes praticam atos dispositivos no processo, diferentemente,
não objetivam apresentar ao magistrado uma questão controvertida pendente
de decisão, mas sim expressar uma manifestação de vontade, pela qual
objetivam a obtenção de efeitos, e que depende apenas de homologação.

São estes que o Código de Processo Civil denomina (art. 158) de declarações unilaterais ou bilaterais
de vontade. A manifestação da vontade atua da mesma forma como ocorre no direito privado, onde
tem o condão de criar direitos. Aqui, direitos processuais.
São atos que exigem, para sua validade, a homologação, mas esta, na verdade, é apenas a chancela
jurisdicional sobre a vontade da partes, pois os atos dispositivos vinculam a atuação do juiz à análise
apenas de sua regularidade, mas não do conteúdo em si.
Também comportam subdivisão:

b.1) atos submissivos: independentemente de manifestação judicial, ou mesmo da
opinião que o juiz tenha, tais atos representam o sucumbimento
de uma parte àquilo que a outra postula (reconhecimento da
procedência do pedido, por exemplo, ou a renúncia ao direito em
que se funda a ação). Podem ser omissivos, como a ausência de
contestação, com o que o réu suporta a presunção de veracidade
dos fatos alegados pelo autor, ou comissivos, quando a parte
expressamente manifesta sua submissão.

b.2) de desistência: quando a parte deixa de cumprir com um ônus processual, seja

de forma omissiva (deixa de arrolar testemunhas, por exemplo),
seja de forma comissiva (declara que não deseja recorrer de uma
decisão interlocutória, por exemplo), pratica um ato que não
significa propriamente sucumbimento, mas a simples aceitação
de uma conseqüência processual decorrente do não
cumprimento do ônus. São atos dispositivos porque seus efeitos
decorrem da manifestação de vontade da parte, e não de uma
decisão do juiz, mas que não chegam a representar sucumbência
porque não alcançam a lide. Pode-se citar a confissão, a
desistência da ação etc.

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b.3) negócios jurídicos processuais: são as manifestações bilaterais de -vontade,
portanto ato praticado em conjunto pelas partes,
visando uma concordância sobre um ponto sobre o
qual entenderam de não controverter (conciliação,
adiamento de audiência, suspensão convencional
do processo etc.).

12.6 Atos do juiz
Sendo o representante do Estado, e condutor do processo, cabe ao juiz a outorga da tutela
jurisdicional. É, sem dúvida, quem mais pratica atos processuais, pois a ele compete a ordenação da
marcha procedimental a solução das questões que, passo a passo, vão se apresentando, a
presidência na colheita da prova (tendo, inclusive, poderes instrutórios como oportunamente se verá),
e o, pronunciamento definitivo sobre a lide posta. Por isso, assumem especial relevância.
Os atos processuais praticados pelo juiz foram enumerados e conceituados no art. 162 da seguinte
forma: sentença, ato pelo qual o juiz põe termo ao processo, decidindo ou não o mérito da causa;
decisão interlocutória, ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente; e
despachos, todos os demais atos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da
parte, a cujo respeito a lei não estabelece outra forma, e atos ordinatórios.
A redação da norma não prima
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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