Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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Direito
Há casos, no multifacetado conjunto de interesses que coexistem na vida da sociedade, em que o
simples comando legal não é suficiente para eliminar a presença do conflito, isto é, da incidência de
interesses simultâneos e excludentes, sobre o mesmo bem. Esse estado de conflituosidade rompe a
paz social e requer uma solução.
Por outro lado, a moderna noção de Estado de Direito consagrou a idéia de divisão das funções
atribuídas ao Estado. Tais funções legislativa, administrativa e jurisdicional - estão voltadas ao
alcance dos fins do próprio Estado e são dispostas, na organização da estrutura do Estado, de modo
a garantir o necessário equilíbrio no exercício do poder estatal. Com isso se quer dizer o seguinte: o
poder do Estado envolve três funções: o fazer as leis, o executá-las e o julgar os conflitos decorrentes
do seu descumprimento. Se estas três funções estiverem enfeixadas na mesma mão, ter-se-á uma
situação de absolutismo (a ditadura, de nossos dias). Assim, a tripartição das funções do Estado, com
a entrega de cada função do poder a organismos diferentes, é que permite a existência do Estado de
Direito.
Ao lado das funções de regular as condutas e administrar os meios de que o Estado dispõe para o
alcance de seus próprios fins, há a função jurisdicional que, como se viu, está direcionada à
promoção da paz social, por meio da solução de cada conflito (entre A e B, por exemplo) que a ela
seja apresentado pelos interessados. Essa função, de julgar, é exercida pelo Poder Judiciário.
Para a realização das funções da jurisdição, o sistema jurídico positivo do Estado brasileiro prevê
uma serie de garantias, com assento na Constituição Federal, a partir das quais o legislador
infraconstitucional está autorizado a "construir" todo o sistema processual.
São garantias como a do devido processo legal, do juiz natural, da indelegabilidade e
indeclinabilidade da jurisdição, da ampla defesa, do contraditório, da fundamentação das decisões
judiciais, dentre outras tantas, igualmente previstas na Constituição Federal, que garantem aos
cidadãos do Estado e às pessoas em geral o direito de acesso às decisões judiciais.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

A jurisdição, portanto, como atividade estatal destinada à solução dos conflitos, está garantida pela
Constituição e nesta é que se encontram os princípios em respeito aos quais o legislador ordinário
deve regular toda a atividade judicial no âmbito do processo civil.
1.4 Divisão da jurisdição
A jurisdição comporta dois tipos de divisões. Num primeiro momento, podemos dividi-Ia em comum e
especial. A jurisdição comum se subdivide em civil e penal; a jurisdição especial, em militar,
trabalhista e eleitoral. Por outro lado, em razão da adoção do sistema federativo, a justiça comum
comporta outra divisão: federal e estadual.
Há dois critérios através dos quais se pode saber se se está diante da jurisdição civil ou penal. 0
primeiro, de caráter científico, supõe que verifiquemos, em cada caso concreto, se se está diante de
matéria que deva ser julgada na esfera penal, isto é, se se trata de matéria penal, ou, por outro lado,
se se está defronte a matéria que se possa enquadrar como concernente à jurisdição civil. Assim,
matéria civil propriamente dita, comercial, administrativa e previdenciária, serão julgadas pela
jurisdição civil.
0 segundo critério, de caráter eminentemente prático, consiste na analise excludente da matéria.
Assim, diante de um caso concreto, o primeiro passo é verificar se se trata de matéria de
competência de qualquer das esferas da justiça especial: é matéria trabalhista? Eleitoral? Militar?
Não o sendo, exclui-se a jurisdição especial, e se passa à fase seguinte da indagação: trata-se de
matéria penal? Se não o for, por exclusão se estará diante de caso que deva ser entregue à
jurisdição civil. Diante desta última resposta poder-se-á ainda indagar: trata-se de litígio que envolva
pessoas capazes de assumir obrigações na esfera civil? 0 litígio versa direitos patrimoniais
disponíveis? Se for negativa a resposta a qualquer uma dessas duas últimas perguntas, exclui-se
também a arbitragem como possível mecanismo de solução do conflito. Se forem positivas as
respostas a essas duas perguntas, os interessados poderão, finalmente, optar entre a jurisdição civil
estatal, exercida pelo Poder Judiciário, e a atividade arbitral, exercida nos termos do que dispõe a Lei
9.307/96.
Por último, temos a chamada jurisdição voluntária, prevista nos artigos 1.103 a 1.210 do CPC.
Discute-se na doutrina se essa atividade é substancialmente jurisdicional, ou se se trata de atividade
apenas formalmente jurisdicional.
Igualmente denominada de jurisdição graciosa ou de administração judicial de interesses privados,
não é assimilável à natureza da atividade jurisdicional, porque nela não há decisão que diga o direito
aplicável à lide, em substituição à vontade dos interessados. Também não se assemelha à atividade
da jurisdição, porque não consiste em resolver conflitos, mas apenas em chancelar, por força de lei,
aquilo que os interessados entre si já resolveram, mas cuja eficácia depende dessa chancela, isto é,
da manifestação do Poder Judiciário, ainda que apenas com caráter homologatório da vontade dos
interessados. Também não tem os mesmos efeitos da atividade jurisdicional típica, não produzindo,
por exemplo, coisa julgada material.

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Se não se trata efetivamente de jurisdição, também não se trata de atividade voluntária dos
interessados, pois estes recorrem ao Poder Judiciário para a obtenção dessa chancela aos interesses
privados, porque assim a lei exige, sob pena de ineficácia, ou seja, o que se quer só pode ser obtido
por essa via.
Exemplo expressivo dessa situação é o da separação consensual, em que os cônjuges, juntos, lendo
o mesmíssimo objetivo, vão ao Poder Judiciário para pedir manifestação desfazendo a sociedade
conjugal existente. Não há nesse caso, qualquer conflito. Ambos querem desfazer a sociedade
conjugal por meio da separação consensual. Todavia, querendo separar-se, não hasta a vontade
deliberada de ambos, pois esta deverá necessariamente (e não voluntariamente, corno faz supor a
expressão jurisdição voluntária) ser objeto de homologação pelo juiz.
Trata-se, portanto, de atividade extraordinariamente desempenhada pelo Poder Judiciário, sem que
faça parte de sua destinação específica, que é a de resolver os conflitos de interesses a ele
submetidos, em que aquele apenas chancela a vontade manifestada pelos interessados, que disso
necessitam para conferir eficácia a essa manifestação.

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2. DIREITO PROCESSUAL CIVIL
SUMÁRIO:
2.1 Direito material e direito processual
2.2 Direito privado e direito público
2.3 Classificações das normas jurídicas:

2.3.1 Classificação quanto ao grau de obrigatoriedade das normas jurídicas;
2.3.2 Classificação quanto à natureza das regras jurídicas;
2.3.3 Características das normas processuais

2.4 Autonomia epistemológica do direito processual civil.
2.1 Direito material e direito processual
0 Direito se constitui, sob determinado aspecto, num conjunto de regras, de normas, de dispositivos.
Existem vários critérios pelos quais se podem agrupar tais regras. Esses diferentes critérios de
agrupamento das regras jurídicas dão origem às diversas classificações a que o direito se pode
submeter.
Uma das formas de classificar os diversos ramos do Direito consiste em dividi-lo em dois grandes
grupos:
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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