Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

Disciplina:Direito Processual Civil I5.548 materiais461.554 seguidores
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pela precisão. Primeiro porque esse elenco não é exaustivo. Há
inúmeros outros atos processuais praticados pelo juiz que não estão incluídos nesse rol, como, por
exemplo, a audiência (que é um ato complexo, onde o juiz tanto pode apenas realizar a colheita da
prova, como proferir decisões e, mesmo, sentença), a inspeção judicial (que é ato instrutório, mas
realizado pelo próprio juiz) ou, ainda, quando o juiz presta informações no recurso de agravo (art.
527, 1), ou no mandado de segurança (art. 7º, 1, da Lei 1.533/5 1), quando impetrado contra ato
judicial. Nessa última hipótese, o ato praticado pelo juiz é de mera comunicação.
Há, ainda, os atos de documentação, como a assinatura de termos e ofícios, que também são atos
processuais (tanto que servem de prova), mas que não integram o disposto no art 162.
Portanto, do art. 162 deveria ter constado a expressão pronunciamento, espécie do gênero ato. As
hipóteses ali elencadas dizem respeito aos pronunciamentos do juiz no processo, e não a toda gama
de atos processuais que por ele podem ser realizados.
12.6.1 Sentença
0 art. 162, § 1º, do Código de Processo Civil, ao dizer que sentença é o ato pelo qual o juiz põe
termo ao processo, decidindo ou não o mérito da causa", busca antes apontar um efeito, e não
apresentar seu conceito. É o conteúdo da sentença, e não seus efeitos, que a distingue das outras
espécies de pronunciamentos do juiz.
Em verdade, a sentença para a qual o processo foi concebido é aquela que representa a efetivação
da tutela jurisdicional, pois, quando alguém propõe a demanda, pretende que o mérito seja julgado. A
sentença que não alcança o mérito é um acidente, não desejado nem pelas partes nem pelo Estado.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

Ademais, não é a sentença que encerra o processo, visto que, havendo recurso, o ato último
receberá a denominação de acórdão (art. 163). Dever-se-ia, pelo menos, ter dito: ato que encerra o
processo ou o procedimento em primeiro grau de jurisdição.
0 tema será retomado no capítulo referente à sentença e à coisa julgada.
As sentenças classificam-se em:
a) processuais (ou terminativas): aquelas proferidas nos casos elencados pelo art. 267, em que o

juiz não adentra ao mérito, mas interrompe prematuramente a
marcha procedimental, sem alcançar a solução do mérito.

b) de mérito (ou definitivas): as que julgam o mérito, ou que endossam (homologando)

manifestação de vontade das partes, resolvendo a lide. São
prolatadas nas hipóteses enumeradas no art. 269 e representam
o alcance do escopo da jurisdição. As sentenças homologatórias,
conquanto não adentrem à análise do mérito, incluem-se nessa
categoria porque seu efeito é o de decidir a lide.

12.6.2 Decisão interlocutória,
No curso do processo, o juiz pronuncia-se sobre inúmeras questões, de fato e de direito, sobre o que
controvertem as partes, sem que isso todavia represente o encerramento do processo ou do
procedimento em primeiro grau de jurisdição. São dúvidas que surgem no desenvolvimento do
processo, e que necessitam de um pronunciamento judicial que regule e encaminhe o processo ao
seu término. A tais dúvidas, o código denomina "questões incidentes", pois incidem, muitas vezes
tangencialmente, sobre o âmago do litígio.
Conceitua-se decisão interlocutória, como o pronunciamento do magistrado de cunho decisório,
independentemente de seu conteúdo específico (desde que não seja o conteúdo encontrável na
previsão dos arts. 267 e 269), e que, por isso, não tem o efeito de encerrar o processo ou o
procedimento em primeiro grau.
É ato decisório, tanto que recorrível (art. 522), pois o juiz esta julgando, mas a abrangência de seu
pronunciamento restringe-se à questão versada, dentro do processo, e com o objetivo de impulsioná-
lo a seu ato-fim, que é a sentença.
A pedra de toque de seu conceito está no conteúdo decisório e não no seu efeito, pois consiste a
decisão interlocutória, num pronunciamento jurisdicional tendente a solver um impasse momentâneo,
que necessita da decisão para que o processo prossiga.

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Não é possível um elenco exaustivo das decisões interlocutórias, porque toda e qualquer questão
surgida no desenvolvimento do processo acaba por gerar decisão judicial. São, pois, inúmeras as
situações que reclamam o pronunciamento, variáveis de acordo com as peculiaridades do litígio, do
procedimento e, mesmo, da fase procedimental. Ocorrem, com grande freqüência, na fase instrutória,
sendo em menor número na fase recursal, mas também aí podem ocorrer.

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São exemplos: a concessão de liminar, o deferimento ou não da produção de determinada prova, o
julgamento das exceções (de incompetência, impedimento ou suspeição), da impugnação ao valor da
causa, entre outras.
Exatamente por apresentarem cunho decisório, as decisões interlocutórias necessitam ser
fundamentadas, ainda que de forma concisa, sob pena de nulidade (art. 165, parte final, e 93, IX, da
Constituição Federal).
12.6.3 Despachos
Antes da alteração havida pela Lei 8.952/94, que acrescentou o § 4. ao art. 162, a doutrina entendia
os despachos, também denominados de "despachos de mero expediente", como caracterizados por
não ter conteúdo relevantemente decisório, para fins de possibilidade de impugnação Atos de
impulso e encaminhamento do processo, que não causam nenhum dano ou prejuízo à pretensão das
partes, são irrecorríveis (art. 504), por não conterem carga lesiva.
Com a alteração legislativa, e a determinação de que os "atos meramente ordinatórios. devam ser
praticados de ofício pelo servidor, voltou a ser útil a classificação dos atos do juiz, não encartáveis no
conceito de sentença ou de decisão interlocutória, em "despachos" e "despachos de mero
expediente", agora denominados de ordinatórios.
Os despachos, ato praticado pelo juiz, não envolvem o direito que se discute, nem os interesses
(ônus processuais) das partes. Dizem respeito, apenas, ao andamento normal do processo. Pode-se
exemplificar com o despacho positivo da petição inicial, onde o juiz manda citar o réu, a nomeação do
perito, ou, ainda, quando o juiz deixa a análise de uma questão para momento posterior. Mesmo não
causando gravame à parte, são de competência exclusiva do juiz porque não se referem a atividade
burocrática, mas sim do perfeito enquadramento do desenvolvimento processual.
Os despachos não têm forma prescrita, assim como as decisões interlocutórias, e por esse motivo
algumas vezes pode surgir dúvida quanto à natureza jurídica do ato do juiz, dúvida essa relevante,
dado que as decisões são recorríveis e os despachos não.
A maneira mais objetiva de distinção é fazer uma verificação em dois momentos: primeiro, se, ante o
assunto apresentado, poderia ou não o juiz agir de uma ou outra forma. Se duas ou mais opções se
apresentarem ao juiz, e ele opta por uma, é possível que o ato não seja de simples impulso
processual; segundo, se a opção do juiz traz, em si, carga lesiva ao interesse (em sentido amplo) da
parte. Caso positivo, e independentemente da forma que assuma, este ato será uma decisão
interlocutória, pois, ao optar, o juiz proferiu um julgamento que poderia não causar prejuízo ao
interesse se tivesse escolhido o outro caminho.

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Por fim, diga-se que não é o momento procedimental em que o ato é praticado que lhe define a
natureza jurídica, nem tampouco o efeito. E, sim, o conteúdo. Se o juiz manda citar o réu (o que se
denomina despacho liminar de conteúdo positivo), está proferindo um despacho. Não ocorre
preclusão quanto aos requisitos da petição inicial, que poderão ser analisados após
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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