Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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sentença de mérito, se não se organizar a prática dos atos antecedentes a ela, ou se se permitir que
cada ato possa ser realizado pela parte (ou pelo juiz) quando bem entenda, sem que haja qualquer
conseqüência pela demora no cumprimento de ônus processuais.
Assim, cada ato deve ter prazo máximo, dentro do qual deve ser necessariamente realizado, sob
pena de, não o sendo, sujeitar aquele que seria responsável à sujeição a determinadas
conseqüências processuais.

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Esse espaço de tempo em que deve ser realizado o ato processual tem um termo inicial, isto é, um
momento de início da contagem do respectivo prazo (dies a quo) e um termo final, ou seja, um

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

momento em que o prazo se expira (dies ad quem), sujeitando o titular do ônus ou do dever à
respectiva conseqüência.
13.3 Forma de contagem dos prazos
Em regra os prazos são contados em dias, havendo, todavia, contagem que se faz em horas, em
minutos e até em meses ou ano. Exemplo de contagem em horas, no processo de execução, é o de
24 horas que o executado tem, contadas da citação, para oferecer bens à penhora. Exemplo de prazo
contado em minutos é o dos debates orais, que se realizam ao final da instrução, na audiência de
instrução e julgamento (art. 454) do processo de conhecimento. Diz esse dispositivo do CPC que o
juiz, finda a instrução, "dará a palavra ao advogado do autor e ao do réu, bem como ao órgão do
Ministério Público, sucessivamente, pelo prazo de 20 (vinte) minutos para cada um, prorrogável por
10 (dez), a critério do juiz ". Conta-se em anos o prazo de abandono do processo, que permite a
extinção do mesmo, pelo juiz, sem julgamento do mérito (art. 267, 111).
13.4 Prazos legais e prazos judiciais
Prazos legais são aqueles definidos em lei, e a respeito dos quais nem as partes, nem o juiz, em
princípio, têm disponibilidade. Prazos judiciais são aqueles fixados pelo próprio juiz. Essa tarefa só é
atribuída ao juiz, pela própria lei, supletivamente, isto é, nos casos em que a própria lei não preveja
os prazos.
De acordo com o (art. 177 do CPC, os prazos são, via de regra, legais ("os atos processuais realizar-
se-ão nos prazos prescritos em lei"). Excepcionalmente, todavia, quando a respeito disso a lei não
tratar, o juiz os determinará (a parte final do art. 177 diz o seguinte: "Quando esta for omissa, o juiz
determinará os prazos, tendo em conta a complexidade da causa").
13.5 Prazos dilatórios e prazos peremptórios
São dilatórios os prazos que podem ser alterados pela vontade das partes e também pelo juiz. Assim
pode ocorrer, por exemplo, na hipótese do § 3.' do art. 454 do CPC. De acordo com esse dispositivo,
"quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito, o debate oral poderá ser
substituído por memoriais, caso em que o juiz designará dia e hora para o seu oferecimento". Se
houver convenção das partes, por seus advogados, ao final da audiência, no sentido de que se
apresentem os memoriais no prazo de 10 dias e, depois, as mesmas partes, mediante consenso,
requererem ao juiz a dilação de prazo para 20 dias. São também dilatórios os prazos que se podem
suspender por deliberação conjunta das partes (art. 265, 11).
São peremptórios os prazos inalteráveis, seja por vontade das partes ou por determinação do juiz,
tais como os prazos para contestação (15 dias ou 60, se o réu for a Fazenda Pública - art, 188), para
interpor recurso de apelação (15 dias ou 30 para a Fazenda Pública), para interpor recurso de agravo
(10 dias em regra, contando-se em dobro para a Fazenda Pública), dentre outros.
A regra do art. 182 é clara quanto a essa impossibilidade de se dispor, tanto partes quanto juiz, a
respeito dos prazos peremptórios: "É defeso às partes, ainda que estejam de acordo, reduzir ou
prorrogar os prazos peremptórios" (1ª frase desse dispositivo legal).

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A parte final do art. 182 contém exceção à regra da imutabilidade dos prazos peremptórios, que
certamente foi levada em conta pelo legislador diante da grandiosidade do território brasileiro,
somada à dificuldade de comunicação por via terrestre: "0 juiz poderá, tias comarcas onde for difícil o
transporte, prorrogar quaisquer prazos, mas nunca por mais de 60 (sessenta) dias".
Outra regra de exceção consta do parágrafo único do art. 182, prevê a possibilidade de se exceder o
prazo de 60 dias, quando se tratar de calamidade pública.
Em resumo, são, em princípio, indisponíveis os prazos legais e os prazos peremptórios. Os prazos
legais só podem ser alterados quando forem dilatórios.
13.6 Prazos próprios e prazos impróprios
Prazos próprios são aqueles que dizem respeito à prática de atos processuais das partes, enquanto
impróprios são os prazos cometidos ao juiz e aos serventuários da justiça, para prática dos atos
processuais que lhes cabem realizar no processo.
A diferença fundamental entre ambos está em que, nos prazos próprios, o descumprimento do ônus
processual de praticar determinado ato implica conseqüências processuais típicas. Se se deixar de
cumprir o prazo para a resposta do réu, por exemplo, a conseqüência processual será geralmente a
aplicação dos efeitos da revelia. Já os prazos impróprios não acarretam conseqüências processuais,
mas disciplinares, conforme dispõem os arts. 194 e 198 do CPC (aplicáveis, respectivamente, aos
serventuários e aos juízes).
13.7 Regras gerais quanto à contagem dos prazos
As regras dos arts. 177 a 192, como já se viu acima, dispõem sobre a matéria relativa à contagem
dos prazos.
0 art. 184 consiste em regra geral relativa ao dia de início e ao de final da contagem dos prazos.
Segundo essa regra, para a contagem dos prazos, salvo exceções expressamente feitas pela lei,
exclui-se o dia do início e inclui-se o dia do vencimento. Assim, se a intimação para a prática de
determinado ato se deu no dia 2, segunda-feira, o dia do início da contagem do prazo é o dia
seguinte, 3, terça-feira. 0 § 2º do art. 184 dispõe expressa e complementarmente ao caput, prevendo
que "os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação". 0 próprio dia em
que se dá a intimação, regra geral, não se inclui na contagem do prazo, portanto.
0 parágrafo primeiro do art. 184 trata da possibilidade de prorrogação dos prazos, inclusive
peremptórios, até o primeiro dia Útil subseqüente ao do vencimento, se for determinado o fechamento
do fórum ou se o expediente forense for encerrado antes do normal (incisos 1 e 11, respectivamente).

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A prorrogação do dies a quo, isto é, do dia do início da contagem do prazo, a que aludimos
rapidamente acima, _pode ocorrer se a intimação se der em dia imediatamente anterior a dia em que
não haja expediente forense. Se, por exemplo, a intimação se der numa sexta-feira, o prazo dever-se-
ia iniciar no dia seguinte (caput do (art. 184); mas sua contagem se inicia somente na segunda-feira
seguinte (§ 2.' do art. 184). Isso, na verdade, deve ser dito com ressalvas, pois se constitui na regra

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geral. Se ocorrer, todavia, de ser também feriado na segunda-feira, então a contagem do prazo tem
início na terça-feira.
0 ato processual que dá início à contagem do prazo é a intimação, exceto no caso de formação da
relação jurídica processual, em que o réu é citado para exercer, se quiser, o direito de defesa. As
intimações dos atos processuais que ocorrem durante o processo, inclusive depois da sentença, se
dão, via de regra, na pessoa do advogado da parte (casos há em que a intimação deve ser da própria
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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