Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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ação formulando pedido de tutela da jurisdição. Poderá fazê-lo validamente?
Essas questões servem de ilustração para que se aborde a matéria relativa aos pressupostos
processuais, que são requisitos que devem ser preenchidos, em cada caso concreto, para que o
processo se constitua e desenvolva regular e validamente.
Ao lado das condições da ação, os pressupostos processuais integram a categoria genérica dos
pressupostos de admissibilidade da atividade jurisdicional específica. A doutrina os classifica em
pressupostos de existência e de validade (pressupostos positivos), além dos pressupostos negativos,
cuja presença obsta o regular desenvolvimento do processo.
15.2 Pressupostos processuais de existência

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Os pressupostos processuais de existência são quatro, a saber: petição inicial, jurisdição, citação e
capacidade postulatória. Não há qualquer ordem hierárquica ou de importância entre os

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pressupostos, de tal forma que a escolha da ordem de exposição obedece apenas a critério
exclusivamente didático.
15.2.1 Petição inicial
0 primeiro dos pressupostos de existência do processo é a petição inicial, instrumento da demanda,
através do qual o autor exerce o direito de ação e invoca a prestação da tutela jurisdicional. Segundo
prevê o art. 262 do CPC, primeira parte, o processo civil começa por iniciativa da parte.
A existência de petição inicial, todavia, se indica, como um de seus pressupostos, a existência do
processo, não implica sua validade, como se verá em seguida, ao tratar dos pressupostos de
validade. Pense-se, por exemplo, na petição inicial que não preenche os requisitos exigidos pela lei
para que essa primeira peça do processo possa validamente dar início ao mesmo (petição inepta -
art. 295, parágrafo único).
15.2.2 Jurisdição
0 segundo pressuposto processual de existência é a jurisdição, isto é, a parte deve formular seu
pedido, no bojo de petição inicial, a um órgão jurisdicional, devidamente investido dos poderes
inerentes a essa função estatal. Se se trata de juízo competente ou não é algo que não interessa à
análise da existência, mas que se situa no âmbito da validade do processo, o que se verá
oportunamente.
15.2.3 Citação
0 terceiro pressuposto processual de existência é a citação válida do réu. Antes da citação do réu há
no processo apenas um esboço inicial da relação jurídica processual que se formará, efetivamente,
com esse ato pelo qual ao réu é dada ciência da existência de processo contra si.
15.2.4 Capacidade postulatória
0 quarto e último dos pressupostos processuais de existência é a capacidade postulatória que não se
confunde com a capacidade da parte. Esse requisito para a existência do processo consiste na
obrigação que tem o autor de vir a juízo por meio de profissional para tanto habilitado, nos termos da
lei, isto é, vir a juízo através de advogado. Esse pressuposto, quanto à existência do processo, aplica-
se apenas ao autor, pois do réu só se exigirá a capacidade postulatória se e quando efetivamente vier
a juízo. 0 processo em que o réu seja revel está regularmente formado, quanto a este pressuposto
processual, se o autor estiver representado por advogado (art. 37, parágrafo único).

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Cumpre, todavia, observar-se que, se o antigo Estatuto da OAB continha dispositivo que dizia
exatamente a mesma coisa que o parágrafo único do art. 37 do CPC, sendo com este, portanto,
harmônico e compatível, diferentemente ocorre com a Lei 8.906, de 4 de julho de 1994, o novo
Estatuto da OAB, cujo art. 4.' dispõe no sentido de serem nulos os atos privativos de advogados
praticados por pessoa não inscrita na OAB ou por advogado impedido, suspenso, licenciado ou que
exerça atividade incompatível com a advocacia.

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Presentemente, portanto, o ordenamento jurídico brasileiro criou como que uma duplicidade de
regimes para os vícios relativos simplesmente à não juntada da procuração e àqueles que dizem
respeito à circunstância de a pessoa que praticou o ato não ser, por exemplo, inscrita na OAB.
Taxou-se de inexistente o ato praticado pela parte, no primeiro caso, e de nulos os atos praticados
nas condições disciplinadas pelo art. 4º do Estatuto da OAB. Doutrinariamente, portanto, não é mais
possível que se classifique a necessidade da presença de advogado como pressuposto processual
de existência, pura e simplesmente.
15.3 Pressupostos processuais de validade
Tais pressupostos são aqueles a que alude o texto da lei como de desenvolvimento válido e regular
do processo.
15.3.1 Petição inicial apta
0 primeiro deles está intimamente vinculado ao primeiro pressuposto de existência. Lá, como vimos,
exige-se a petição inicial, como fator de impulso inicial do processo. Aqui, como pressuposto de
validade, exige-se que essa petição inicial seja válida, regular, apta, portanto, a servir de canal
condutor do pedido de tutela estatal, nos termos em que a própria lei prevê, isto é, deve conter os
requisitos que a lei considera indispensáveis para que a petição inicial produza seus regulares
efeitos.
0 parágrafo único do art. 295 do CPC dispõe sobre a inépcia da petição inicial. Em seus quatro
incisos estão previstas as hipóteses em que a petição inicial não tem aptidão para cumprir seu papel
no processo que, como se verá oportunamente, é extremamente relevante, na exata medida em que
o juiz não pode decidir além dos limites do pedido formulado pela parte. Se é a petição inicial quem
define os contornos do pedido, é ela que, remotamente, definirá os contornos da eventual sentença
de procedência e da coisa julgada que sobre ela incidirá.
Assim, não constituirá validamente o processo a petição inicial a que faltar pedido ou causa de pedir
(inciso I); estiver confusa, de forma que a conclusão não seja decorrência lógica da exposição dos
fatos (inciso 11); contiver pedido juridicamente impossível (inciso III); ou contiver pedidos entre si
incompatíveis (inciso IV).
15.3.2 Órgão jurisdicional competente e juiz imparcial
0 segundo requisito de validade do processo é, da mesma forma que o anterior, intimamente
vinculado ao correspondente segundo requisito de existência. Se lá se exige que a petição inicial seja
dirigida a órgão da jurisdição, aqui se requer que se trate de órgão jurisdicional competente para o
conhecimento daquele determinado tipo de provimento desejado pelo autor. A competência, em
última análise, significa a aptidão, decorrente da lei processual (lato sensu) e das regras de
organização judiciária, para que determinado órgão do Poder Judiciário exerça a jurisdição em
determinado caso concreto.

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Além de dever ser competente o juízo, deve também o juiz ser imparcial, isto é, aquela determinada
pessoa, que naquele momento se encontra exercendo a jurisdição naquele juízo, não deve "tomar
partido" das afirmações do autor ou do réu. Há presunção legal de que a imparcialidade possa estar
comprometida, nos casos em que a própria lei vê motivos para o impedimento do juiz. 0 (art. 134 do
CPC prevê as hipóteses de impedimento do juiz.
Claro está que a suspeição influi na imparcialidade do juiz. No entanto, não o faz a ponto de
comprometer o pressuposto processual da imparcialidade. Ou seja, ainda que o juiz seja suspeito não
se considera estar ausente o pressuposto processual da imparcialidade.
15.3.3 Capacidade de agir e capacidade processual
0 terceiro pressuposto processual de validade é relativo à capacidade, em duas de suas formas: a
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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