Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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capacidade de ser parte, isto é, de assumir
direitos e obrigações na ordem civil e a capacidade processual que consiste na capacidade de estar
em juízo, defendendo direitos e obrigações. Regra geral essas duas "capacidades" estão juntas: A,
sujeito de direitos, com vinte e cinco anos de idade, vai ajuízo para defender afirmações de direitos
que faz. Em alguns casos, todavia, as duas formas da capacidade podem estar dissociadas: A,
sujeito de direitos, com 10 anos de idade, não pode, porque não tem capacidade de estar em juízo,
defender suas afirmações
de direito, dependendo, para tanto, da representação de quem por ele seja responsável (pai, por
exemplo). 0 art. 7º, do CPC tem a seguinte redação: "Toda pessoa que se acha no exercício dos
seus direitos tem capacidade para estar em juízo.
0 conceito de capacidade processual é mais amplo que o de capacidade civil, pois a lei confere a
primeira a alguns entes despersonalizados, isto é, desprovidos da segunda. Exemplos: o condomínio,
o espólio, a massa falida, a sociedade de fato etc., que não têm capacidade civil mas têm capacidade
de estar em juízo.
15.4 Pressupostos processuais negativos
Além dos pressupostos processuais de existência e validade, que devem estar presentes, em cada
caso concreto, sob pena de inexistência ou invalidade da relação jurídica processual, há também os
chamados pressupostos processuais negativos, que se situam fora da relação jurídica processual que
se esteja analisando, por isso que são também chamados de pressupostos extrínsecos ou exteriores.

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A presença desses pressupostos impede o julgamento do mérito. São eles a litispendência e a coisa
julgada. Parte da doutrina acrescenta' a esses dois pressupostos, a perempção. Esta ocorre quando
o processo é extinto por três vezes consecutivas, com fundamento no art. 267, 111 (abandono do
processo por mais de trinta dias). Segundo dispõe o parágrafo único do (art. 268, se o autor der
causa a esse tipo de extinção (por três vezes, com fundamento no (art. 267, HI) contra o réu não
poderá intentar nova ação com o mesmo objeto, restando-lhe apenas a possibilidade de fazer
alegações a título de defesa, em eventual ação proposta pelo réu. Todavia, a doutrina majoritária não
relaciona a perempção dentre os pressupostos processuais negativos, por considerá-la fenômeno
que atinge apenas o autor, não se constituindo, portanto, em pressuposto negativo para o réu, que

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

poderá ser autor em idêntica ação. Trata-se, segundo a doutrina majoritária, de fato impeditivo para a
formação de relação jurídica processual válida por iniciativa do autor.
Esta característica afasta a perempção dos pressupostos processuais, que, de um modo geral, se
caracterizam por atingir igualmente autor e réu, e dizem respeito, de perto, à própria formação da
relação processual e aos seus elementos.
15.4.1 Litispendência
A citação válida (art. 219) "induz litispendência", ou seja, determina a existência, desde aquele exato
momento, de processo pendente em juízo. Esse é o sentido originário desse vocábulo.
Sob outro aspecto, como pressuposto processual negativo, a litispendência significa a existência de
dois ou mais processos concomitantemente, com as mesmas partes, o mesmo pedido e idêntica
causa de pedir (art. 301, inciso V, §§ 1º e 2º) A existência de um processo pendente entre A e B,
baseado numa determinada causa de pedir que resulta no pedido X, desempenha o papel de
pressuposto processual negativo para um outro processo entre A e B, que tenha a mesma causa de
pedir e em que se formule o mesmo pedido. 0 fundamento desse pressuposto processual negativo
está no princípio da economia processual e no perigo de julgamentos conflitantes.
15.4.2 Coisa julgada
A coisa julgada consiste no fenômeno de natureza processual pelo qual se toma firme e imutável a
parte decisória da sentença, que deve guardar relação de simetria com o pedido que se tenha
formulado na petição inicial. Decorre do princípio da segurança jurídica, em razão de que, num
determinado momento (pelo decurso de um prazo ou pelo exaurimento dos meios de impugnação
das decisões judiciais) o comando existente na sentença adquire solidez. Assim, se A pediu a
condenação de B ao pagamento de indenização por perdas e danos e obteve sentença de
procedência desse pedido, no momento do trânsito em julgado (quando ocorre a coisa julgada) o
dispositivo da sentença em que o juiz afirma julgo procedente o pedido e condeno B a indenizar A
pelas perdas e danos adquire solidez, não mais podendo ser revisto mediante recurso.
Trata-se de pressuposto processual negativo que, pois, também impede a repropositura de nova
ação a respeito da mesma causa de pedir, com o mesmo pedido, entre as mesmas partes.
Presentes os pressupostos processuais negativos, existe impedimento para a repropositura da ação,
apesar de seu acolhimento gerar uma sentença meramente processual ou terminativa, conforme
determina o art. 268 do CPC combinado com o art. 267, inciso V.
15.4.3 A convenção de arbitragem
Neste ponto é preciso tecer algumas considerações a respeito da posição da convenção de
arbitragem, no quadro dos pressupostos processuais negativos.

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0 art. 267, inciso VII, alterado pela Lei da Arbitragem (Lei 9.3071 96), dispõe que extingue-se o
processo sem julgamento do mérito em razão da existência de convenção de arbitragem.

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A Lei 9.307196 dispõe, no art. 3º, que a convenção de arbitragem é negócio jurídico complexo' que
envolve tanto a cláusula compromissória quanto o compromisso arbitral. A cláusula compromissória é
negócio jurídico acessório através do qual, em relação a um determinado contrato, os contratantes se
comprometem a instituir a arbitragem como mecanismo para a solução de eventuais futuros conflitos
dele (do contrato principal) decorrentes. 0 compromisso arbitral é o pacto específico de instituição do
juízo arbitral, diante, objetivamente, de uma pretensão que seja, ou não, resultante de contrato em
que se tenha firmado a cláusula compromissória.
0 § 4.' do art. 301 do CPC dispõe que o juiz conhecerá de ofício de todas as matérias que a parte
pode alegar como preliminares, na contestação, exceção feita ao compromisso arbitral. Dentre essas
matérias estão os pressupostos processuais negativos que vimos acima (litispendência e coisa
julgada).
Do cotejo desses textos de lei surgem alguns problemas que exigem solução. Destacamos o
seguinte: teria o legislador "esquecido" de substituir a expressão compromisso arbitral, do § 4º do art.
301, por convenção de arbitragem? Se a resposta for positiva, ter-se-á que "ler" nesse dispositivo a
convenção de arbitragem como matéria que deve ser alegada pela parte, sob pena de preclusão,
porque não pode o juiz conhecê-la de ofício. Assim se entendendo, a arbitragem não é nem pela
cláusula compromissória nem pelo compromisso arbitral, pressuposto processual negativo. A
propositura de ação versando matéria objeto de um ou de outro dos elementos que compõem a
convenção de arbitragem tem, se assim se entender, o condão de revogá-las. Essa interpretação, a
nosso ver, "mata" a arbitragem como mecanismo alternativo da atividade jurisdicional.
Outra interpretação possível é a seguinte: somente o compromisso arbitral não é pressuposto
processual negativo, enquanto a cláusula compromissória o é, porque a convenção de arbitragem foi
incluída dentre as causas de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 301), mas apenas
o compromisso arbitral (art. 301, § 4º) depende de argüição da parte. As demais (inclusive a cláusula
compromissória, "componente"
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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