Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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da convenção de arbitragem não excepcionada pelo CPC) são
matérias de ordem pública, que devem ser conhecidas de ofício pelo juiz, em qualquer tempo e grau
de jurisdição. De acordo com esta interpretação, a cláusula compromissória é encarada com status
superior pelo sistema, constituindo-se em pressuposto processual negativo, enquanto o compromisso
arbitral, ao contrário, depende de argüição da parte, sob pena de ser revogado pela propositura da
ação.
A última interpretação possível é a de que o legislador se teria "esquecido" de revogar
expressamente a parte do texto do § 4.' do art. 301, que diz respeito à arbitragem (lato sensu). Se se
entender dessa forma, a convenção de arbitragem, por qualquer de seus elementos. tanto pela
cláusula compromissória quanto pelo compromisso arbitral são pressupostos processuais negativos,
que impedem o Poder Judiciário de conhecer de ação com as mesmas partes, mesmo pedido e
mesma causa de pedir. Se a intenção do legislador foi a de prestigiar a arbitragem como mecanismo
jurisdicional delegado e alternativo à atividade tradicionalmente entregue ao Poder Judiciário, essa
parece ser a melhor interpretação, pois tanto um quanto outro dos elementos da convenção de
arbitragem têm, de acordo comesse entendimento, força vinculativa, obrigando as partes a
submeterem-se àquilo que previamente pactuaram.

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A solução que permite compatibilizar a existência desses dois textos legais (art. 301, IX e art. 301, §
4º) é a seguinte: a Lei da Arbitragem, ao alterar o inciso lX, incluindo a convenção de arbitragem
como causa de extinção do processo sem julgamento do mérito, teria revogado tacitamente o § 4º)

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

que é norma anterior à Lei 9.307/96. Essa interpretação é possível, se se entender, também, que a
convenção de arbitragem não pode ser "desmembrada" em cláusula e compromisso, mas que a
existência de um ou de outro implica existência da própria convenção.
As exatas feições de um instituto só se delineiam de forma aproximadamente definitiva depois de ser
objeto de muita reflexão por parte da doutrina mais autorizada e com a ajuda de subsídios fornecidos
pela jurisprudência. Portanto, como se trata de instituto recentemente regulado, nada mais se fez
aqui, até porque não seria oportuno fazê-lo, do que dar nossa contribuição.
15.5 Regime jurídico
Agrupar-se sob a expressão requisitos genéricos da admissibilidade do julgamento de mérito as
categorias dos pressupostos processuais, positivos e negativos, e das condições da ação, apresenta
grande utilidade, na medida em que todos esses fenômenos obedecem ao mesmo regime jurídico
enquanto o processo está em curso. Esse regime consiste, grosso modo no seguinte: trata-se de
matéria a respeito da qual não ocorre preclusão, nem para as partes, nem para o juiz, podendo este
se manifestar a respeito a todo momento e em todo e qualquer grau de jurisdição.

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16. MINISTÉRIO PÚBLICO
SUMÁRIO:
16.1 Noções gerais
16.2 0 Ministério Público como parte no processo civil
16.3 0 Ministério Público como fiscal da lei
16.4 A atuação do MP como custos legis - Regras gerais
16.5 Estrutura do Ministério Público
16.6 Princípios.
16.1 Noções gerais
0 Ministério Público tem suas funções institucionais definidas na Constituição Federal (art. 127) e se
constitui, inclusive no âmbito do processo civil, no representante dos interesses da sociedade,
incumbido da defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis.
É organismo que goza de autonomia e independência diante do Poder Judiciário, junto ao qual
exerce suas funções sem que, entretanto, com ele guarde qualquer relação de dependência ou
subordinação.
Com o crescimento do chamado processo coletivo, que ao lado do processo civil de que estamos
tratando e dos juizados especiais, constitui-se num dos "ramos" do processo civil brasileiro
contemporâneo, cresceu também o número de atribuições do Ministério Público, legitimado pela Lei
da Ação Civil Pública (Lei 7.347/85) e pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 82 - ao lado das
associações de defesa de interesses organizados) para a defesa em juízo dos interesses coletivos e
difusos.
No âmbito do processo civil tradicional, ou seja, das regras processuais do CPC e a ela
assemelhadas (processo civil não coletivo portanto), a atuação do Ministério Público se pode dar de
duas maneiras. Nos termos do art. 81 do CPC pode o MP atuar corno parte ou, conforme o art. 82,
pode agir como fiscal da lei (custos legis).
16.2 0 Ministério Público como parte no processo civil
Sua atuação como parte no processo civil ocorre nos casos em que, agindo autorizado por expressa
determinação legal (art. 81 do CPC), o MP está legitimado a requerer a prestação da tutela
jurisdicional do Estado. Exemplos dessa hipótese estão presentes nos artigos 208, parágrafo único
do CC (ação de nulidade de casamento), no art. 487, III, do CPC (MP como autor de ação rescisória)
e no art. 988, inc. VIII, do CPC (pedido de abertura de inventário).
16.3 0 Ministério Público como fiscal da lei

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Conforme previsão legal (art. 82, incisos I a III), o MP está autorizado a atuar no processo civil na
tarefa de fiscalizar o correto cumprimento da lei. Sua atuação se dá como interveniente (custos legis),

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obrigatoriamente, quando a ação versar interesses de incapazes ou quando for relativa ao estado das
pessoas (inciso II do (art. 82: "nas causas concernentes ao estado da pessoa, pátrio poder, tutela,
curatela, interdição, casamento, declaração de ausência e disposições de última vontade". Alguns
exemplos: ação de investigação de paternidade, ação de alimentos, ação de divórcio etc.).
Por último, cabe ao MP atuar sempre que a ação versar litígios coletivos pela posse da terra rural e
também nas demais ações em que, em razão da qualidade da parte ou da natureza da lide, exista
interesse público. Sempre que interesse público houver, será obrigatória, sob pena de nulidade, a
atuação do Ministério Público no processo (arts. 84 e 246 do CPC).
16.4 A atuação do MP como custos legis - Regras gerais
Sendo caso de intervenção do MP, em razão de disposição expressa de lei, deve a parte promover-
lhe a intimação (art. 84 do CPC) sob pena de, não o fazendo, ocorrer a nulidade do processo (art.
246 do CPC).
Trata-se, portanto, de atuação não facultativa, a respeito de que incide pesado ônus processual para
a parte.
Agindo como custos legis (fiscal da lei), o MP tem direitos e deveres correlatos. Entre seus direitos
estão os de ser intimado pessoalmente de todos os atos do processo (arts. 83, inc. I, e 236,
parágrafo segundo, do CPC), ter vista dos autos do processo, depois das partes (art. 83, ínc. 1, do
CPC).
A responsabilidade do Ministério Público está prevista no art. 85 do CPC. De acordo com esse
dispositivo, haverá responsabilidade civil do órgão do Ministério Público sempre que, no exercício de
qualquer de suas funções, proceder com dolo ou fraudulentamente. Se a parte for prejudicada pela
atuação dolosa ou fraudulenta do MP (e somente nesses casos, restritivamente previstos na lei)
deverá ingressar com ação de ressarcimento contra o Poder Público, que terá ação regressiva contra
o integrante da instituição que com fraude ou dolo tenha agido em prejuízo da parte.
16.5 Estrutura do Ministério Público
Tratando-se de organismos que devem exercer suas funções, tanto no âmbito da justiça federal
quanto no das justiças estaduais, o Ministério
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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