Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

17.3 Legitimidade
A legitimidade, ao contrário da capacidade, é, como já se disse, conceito transitivo. Tem-se
legitimidade com relação a um sujeito e a um objeto, ou seja, a uma relação jurídica. A legitimidade,
poria não pode ser aferida em abstrato, mas única e exclusivamente em função de um contexto.
Diferentemente ocorre com a capacidade: o juiz, sem nem mesmo conhecer a lide, tem condições de
aferir se a parte tem capacidade ou não. No entanto, desconhecendo o pedido, não há como saber se
a parte tem ou não tem legitimidade.
Por isso, a legitimidade é condição da ação, e não pressuposto processual. As condições da ação
consubstanciam-se numa categoria muito mais próxima ao mérito, cuja existência e regularidade
devem ser examinadas pelo juiz depois dos pressupostos processuais.
Pode-se falar em duas espécies de legitimidade. A legitimidade ad causam, ou, para a causa, e a
legitimidade processual.
Como já se viu, quando se tratou do conceito de parte, o normal, no sistema do CPC, é que aquele
que tem legitimidade para a causa tenha, exatamente por isso, a legitimidade processual. Só
excepcionalmente, e por disposição legal expressa, pode-se fazer essa dissociação, atribuindo-se a
pessoas diferentes a legitimidade ad causam e a legitimidade ad processum.
A legitimidade ad causam decorre de uma simetria que deve haver entre os titulares da relação
jurídica de direito material subjacente à demanda e da relação jurídica de direito processual.
Assim, porque A e B celebraram um contrato é que têm legitimidade para estar em juízo, discutindo a
respeito da validade desse contrato.
Exemplo expressivo da dissociação de ambas as figuras é o do art. 42 do CPC: alienada a coisa
litigiosa no curso do processo, ainda que aquele terceiro que a adquiriu fosse aquele que devesse
figurar no pólo passivo, por causa do princípio da perpetuatio jurisdictionis, remanesce réu aquele
contra quem a ação foi originariamente proposta, que só tem, depois da alienação, legitimidade ad
processum.
17.4 Representação e assistência
A expressão representação tem dois sentidos, neste contexto. Pode significar um meio através do
qual se integra a capacidade processual (para agir ou para estar em juízo) de quem não a tem, como,
por exemplo, o menor impúbere autor de uma ação; ou pode dizer respeito a uma necessidade
gerada pelas circunstâncias, o que ocorre quando se dá a representação de pessoa jurídica. Neste
último caso, apesar de haver representação, não se pode falar em integração de capacidade. Trata-
se de uma exigência que decorre da natureza das coisas: acionada, por exemplo, uma empresa, não
podem todos os acionistas comparecer ajuízo para atuar em seu nome. Normalmente, os estatutos
designam alguém para desempenhar essa função, ou seja, representar a empresa.

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A integração de capacidade só ocorre quando se tratar de pessoa física, e tem lugar diante de
ausência absoluta de capacidade (art. 5.' do CC). A complementação da capacidade, quando se está

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diante de um relativamente incapaz (art. 6.' do CC) se dá através do instituto da assistência. Neste
caso, assistente e assistido agem em conjunto. Obviamente, não há que se confundir esse instituto
com o que estudaremos em breve, relativo a uma forma de intervenção de terceiros em processo
alheio.
Havendo representação ou assistência, como forma de integração de capacidade da parte pessoa
física, é importante sublinhar serem partes única e exclusivamente o representado e o assistido.
A representação, como solução dada pelo sistema jurídico positivo a uma necessidade criada pela
natureza das coisas, rege-se fundamentalmente pelo art. 12 do CPC. Neste dispositivo se diz, por
exemplo, que o espólio será representado pelo inventariante; que o município será representado por
seu prefeito ou por procurador, e que uma pessoa jurídica deve ser representada por aquele a quem
os seus estatutos designam, ou por seus diretores.

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18. SUCESSAO E SUBSTITUIÇAO PROCESSUAL
SUMÁRIO:
18. 1 Noções gerais
18.2 Substituição
18.3 Sucessão
18.4 Procuradores.
18.1 Noções gerais
Antes de entrarmos propriamente no estudo das duas figuras tratadas pelos arts. 41 e seguintes do
CPC, é imprescindível observar que o legislador aí trocou os termos sucessão por substituição.
Sucessão, como indica a expressão, significa alguém passar a ocupar, sucessivamente no tempo, o
lugar de outrem. Substituição significa alguém estar ocupando o lugar que, segundo algum outro
critério, poderia ser de outrem, concomitantemente no tempo. É só se pensar em sucessão
hereditária, fenômeno que ocorre entre o de cujus e seus herdeiros, em que estes passam a ocupar o
lugar daquele na titularidade de seus direitos e obrigações, para se perceber que a expressão
sucessão envolve a circunstância de alguém passar a ocupar o lugar de outrem.
Diferentemente ocorre com a substituição, fenômeno tipicamente processual, que significa a
circunstância de alguém estar ocupando um lugar ou desempenhando um papel que segundo algum
outro critério (que não aqueles que determinaram a sua posição) deveria caber a outrem.
18.2 Substituição
0 (art. 42 do CPC trata do instituto da substituição e da sucessão, mas predominantemente daquele.
Sabe-se que com a propositura da demanda uma série de elementos ficam, por assim dizer,
cristalizados. A esta fixação a doutrina dá o nome de perpetuatio. Justamente por causa da
perpetuatio legitimati onis é que existe o instituto da substituição, regulado fundamentalmente pelo
art. 42, caput. Nesse dispositivo se diz que quaisquer alterações que haja no plano do direito material
não têm o condão de se refletir no processo, alterando a legitimação das partes. Assim, se pende
demanda reivindicatória entre A e B, sendo este último réu, e B vende o imóvel para C, isso não
significa que C passe a figurar no pólo passivo da ação que A move contra B. Este continua sendo
réu e aí se diz que está substituindo C.
Para que fique bem claro o que acima se disse, é necessário que retomemos rapidamente algumas
noções já estudadas, ligadas à idéia de legitimação. A legitimação, como se sabe, é um liame que se
estabelece entre um objeto e um outro sujeito. Trata-se, portanto, de uma noção eminentemente
transitiva ou relacional, na medida em que reclama um complemento. Isso quer dizer que não se
pode afirmar: fulano tem legitimidade, sem que se diga para que. Lembramos aqui que exatamente
ao contrário acontece com a noção de capacidade, que não é relacional, nem transitiva, não
reclamando, portanto, complemento. Pode-se dizer: fulano é capaz.

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Vimos também que se pode falar da legitimatio ad causam, ou da legitimação para a causa, e da
legitimatio ad processum, ou da legitimação para o processo.
No processo civil tradicional, regido fundamentalmente pelo CPC e leis esparsas, a regra, que só
pode ser afastada em função de disposição legal expressa, é a de que a mesma pessoa que tem
legitimatio ad causam tem legitimatio ad processum, exatamente porque tem legitimação para a
causa.
Na substituição processual tem-se uma das hipóteses do art. 42, caput, em que a lei autoriza a
dissociação dessas duas legitimidades, permitindo que aquele que permanece no processo tenha
exclusivamente legitimatio ad processum, sendo que aquele a quem o bem foi vendido tem tanto
uma quanto outra. Isto porque o bem em tomo do qual se discute,
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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