Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
130 pág.

Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

Disciplina:Direito Processual Civil I6.598 materiais495.725 seguidores
Pré-visualização47 páginas
direito material e direito processual.
Regra geral é possível afirmar que todas as normas que criam, regem e extinguem relações jurídicas,
definindo aquilo que é lícito o pode ser feito, aquilo que é ilícito e não -deve ser feito, se Constituem
em normas jurídicas de direito material. Tratam estas normas das relações jurídicas que se travam no
mundo empírico, como, por exemplo, as regras que regulam a compra e venda de bens, ou
disciplinam o modo como deve ocorrer o relacionamento entre vizinhos, ou como se opera um
negócio no âmbito financeiro etc. Trata-se de regras que, em resumo, regulam as relações jurídicas
em geral, excluída a matéria relativa à disciplina dos fenômenos que se passam no processo,
inclusive da relação jurídica processual base.
Estas últimas, que tratam da disciplina processual, da forma como se fará a veiculação da pretensão,
com vistas à solução da lide, têm conteúdo nitidamente vinculado àquilo que acontece em juízo isto é,
quando o litígio chega ao Poder Judiciário (ou, se for o caso, quando se celebra o compromisso
arbitral) sob a forma de lide. Estas também proporcionam a criação, modificação e extinção de
direitos e obrigações. A diferença está em que lá, nas normas de direito material, há disciplina das
relações jurídicas que se travam nos mais diferentes ambientes (familiar, negocial etc), ao passo que
aqui, no que diz respeito às normas de direito processual, são disciplinados os fenômenos
endoprocessuais (que ocorrem dentro do processo) e a própria relação jurídica em que consiste o
processo.
0 relacionamento entre esses dois ramos do Direito - direito material e direito processual - é de
instrumentalidade do segundo diante do primeiro, ria medida em que é através do processo que se
consegue dar rendimento à norma jurídica de direito material que foi desrespeitada por um dos
sujeitos da lide.

 8

0 direito material, por si só, isto é, visto sob o prisma de sua própria finalidade, cuida apenas das
relações jurídicas em que o cumprimento da norma se dá espontaneamente por aqueles que estejam

www.ResumosConcursos.hpg.com.br
Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

a isso obrigados, seja por força da lei, seja em razão de contrato. Diante do descumprimento da
norma ou do inadimplemento de determinada obrigação, o direito material nada pode fazer, restando
ao interessado buscar a tutela jurisdicional para seu interesse violado, o que faz por meio da
provocação da atividade jurisdicional.
Exemplo: A causa um dano patrimonial a B, em decorrência de ato culposo (um acidente de veículos,
por exemplo). 0 direito material, previsto no art. 159 do CC, dispõe que "Aquele que, por ação ou
omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica
obrigado a reparar o dano". Que conduta deverá ter B se A se negar a reparar o dano? Sendo
proibida a autotutela resta a B buscar a tutela estatal, o que fará mediante o ajuizamento de uma
ação de reparação, ou seja, iniciando um processo, que servirá de instrumento para que B alcance a
realização de seu direito à reparação do dano que sofreu.
Por fim, tratando-se de ramo do direito que disciplina as regras de natureza processual, o direito
processual pode ser definido como o conjunto de normas jurídicas voltadas à regulamentação da
atividade característica da jurisdição.
2.2 Direito privado e direito público
0 grande número de regras, de que é constituído o ordenamento jurídico, determina a existência de
outra classificação, a partir de outro critério, que é a natureza dos sujeitos envolvidos nas relações
jurídicas disciplinadas pela lei. Isso decorre da simples circunstância de que as normas jurídicas
dizem respeito, direta ou indiretamente, às atitudes das pessoas' em seus múltiplos relacionamentos,
umas com as outras. As atitudes de umas diante de outras se constituem em relações jurídicas, dos
mais diferentes matizes: relações jurídicas de parentesco, relações jurídicas comerciais etc.
Assim, se se está diante de um contrato que obriga A a outorgar escritura de compra e venda de um
imóvel a B, ou se se está diante de um contrato em que B assumiu comA a obrigação de fazer
determinada obra, sendo A e B particulares (uma pessoa física e uma empresa comercial, por
exemplo) temos duas hipóteses de contratos que significam a existência de vínculos, chamados de
relações jurídicas. No caso desses exemplos, tais contratos são regulados por normas de direito
privado, isto é, que regulam os negócios jurídicos em que, nos dois pólos - contratante e contratado,
por ex., se encontram particulares.
Disso se extrai, regra geral, como conseqüência imediata, o seguinte: há dois grandes ramos do
direito, privado e público, em que se encaixam as normas jurídicas, dependendo da titularidade e
natureza das relações jurídicas. Tratar-se-á de norma de direito privado quando todos os
participantes da relação jurídica a que ela disser respeito
forem particulares; quando, no entanto, o Estado participar dessa relação jurídica, sob qualquer de
suas formas, e nela veicular-se matéria de natureza pública, estar-se-á diante de norma de direito
público.
Assim, as normas de direito civil são classificadas como normas de direito privado, enquanto as
normas de direito administrativo são de direito público, pois dizem respeito às relações jurídicas
existentes entre os particulares e a Administração Pública, em razão de matéria de natureza pública.

 9

www.ResumosConcursos.hpg.com.br
Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

É necessário observar que a constante transformação da sociedade requer a conseqüente evolução
do direito, que é chamado a resolver novas questões, antes não imaginadas pelo legislador. A
democratização da informação, fenômeno que se tem verificado cada vez mais expressivo e
crescente, serve de exemplo do aumento da participação de mais e mais grupos de membros da
sociedade, que, se antes estavam à margem dos processos de tomada de decisões, nos foros
políticos e econômicos, nos últimos cinqüenta anos viram aumentar sua influência nos destinos da
sociedade.
Esse fenômeno, isto é, a ocorrência de transformações sociais que requerem novas regras jurídicas,
faz com que surjam novas categorias de normas, nem sempre subsumíveis a um desses dois
grandes ramos (direito público e direito privado).
Isso, se não invalida a classificação, deve servir de alerta para a existência de novos ramos do
direito, em que as relações jurídicas entre particulares recebem tratamento diferenciado das normas
de direito civil, antes referidas. São relações jurídicas entre partes essencialmente desiguais, em que
o Estado intervém, mediante a edição de normas imperativas. Exemplo dessa situação está nas
regras de direito do trabalho, em que empregado e empregador, conquanto sejam particulares,
submetem suas relações jurídicas a regras cogentes, a respeito das quais não têm disponibilidade.
Da mesma forma se dá nas relações de consumo, por força, inclusive, de disposição expressa do art.
1º da Lei 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor).
2.3 Classificações das normas jurídicas
2.3.1 Classificação quanto ao grau de obrigatoriedade das normas jurídicas
Há vários critérios através dos quais se pode classificar as normas jurídicas em geral. A classificação
que nos interessa, todavia, para auxiliar na compreensão daquilo que seja o direito processual civil, é
a que divide as regras jurídicas segundo o grau de obrigatoriedade que as caracteriza. Por este
critério se podem classificar as regras jurídicas em cogentes e dispositivas.
São cogentes, imperativas ou de ordem pública, as normas jurídicas que se caracterizam pela
circunstância de deverem ser cumpridas, sempre, independentemente da escolha daquele que
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
    0 aprovações
    Carregar mais