Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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jurídica, ineficácia, nulidade absoluta;
há, na doutrina, diversas opiniões quanto ao grau de comprometimento do processo em razão disso).
19.3.4 Quanto ao alcance de seus efeitos
0 litisconsórcio, quanto a seus efeitos, pode ser unitário ou simples. Trata-se de litisconsórcio,
unitário quando a sentença a ser proferida pelo juiz deva ser idêntica para todos os que estejam no
mesmo pólo do processo. É, ao contrário, simples o litisconsórcio, quando seja indiferente a
circunstância de o resultado não ser o mesmo para todos os litisconsortes.
19.4 litisconsórcio, facultativo

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0 art. 46 do CPC define as hipóteses em que pode (facultativamente) ocorrer a formação de
litisconsórcio, pela vontade do autor. São hipóteses em que se poderia propor ações isoladamente.
Se se tratar de litisconsórcio, passivo, está-se diante de hipótese em que o autor poderia propor
várias ações, cada uma contra um dos litisconsortes passivos, que seriam, então, isoladamente, réus

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

em cada uma dessas ações. Se se tratar de litisconsórcio, ativo, os diversos autores poderiam ter
proposto cada um a sua ação, isoladamente, contra o mesmo réu.
Na hipótese de litisconsórcio, no pólo ativo e no pólo passivo (misto, portanto), a facultatividade faz
com que se esteja diante de hipótese em que poderiam ter sido diversas ações, mediante a formação
de litisconsórcio, num dos pólos ou não. A regra geral é que o litisconsórcio, facultativo seja também
simples, embora possam existir casos, expressamente previstos em lei, em que o litisconsórcio,
ainda que facultativo, seja unitário (ex.: art. 623, 11, do CC - existe permissão legal para que apenas
um dos condôminos [facultativo] defenda a coisa comum de quem a possua de forma injusta, embora
a solução deva ser idêntica para todos os condôminos [unitário], ainda que do processo sequer
tenham participado).
19.4.1 Hipóteses em que se pode formar o litisconsórcio, (facultativo)
Dispõe o art. 46 do CPC que duas ou mais pessoas podem litigar no mesmo processo, em conjunto,
no pólo ativo ou no pólo passivo, se (inciso 1) houver comunhão de direitos ou de obrigações em
relação à lide. É o caso da solidariedade entre credores ou devedores (CC art. 896). Podem também
litigar em conjunto, como litisconsortes ativos ou passivos (inciso 11), aqueles cujos direitos ou
obrigações decorrerem de idêntico fundamento de fato ou de direito, assim como podem atuar no
mesmo processo, como litisconsortes (inciso 111), os titulares de ações conexas, em razão do objeto
ou da causa de pedir. Finalmente, podem também formar litisconsórcio, aqueles cujas ações tenham
fundamento comum (ainda que apenas parcialmente), seja de fato ou de direito.
19.5 litisconsórcio, necessário
0 litisconsórcio, necessário consiste na cumulação de sujeitos da relação processual (no pólo ativo,
no passivo ou em ambos) sempre que a lide deva ser decidida da mesma forma, no plano do direito
material, para todos os litisconsortes, ou seja, sempre que o litisconsórcio, for unitário (salvo
disposição legal expressa em sentido contrário). 0 litisconsórcio, necessário decorre da natureza da
relação jurídica de direito material (que gera a unitariedade), ou de disposição legal expressa. Nessas
situações, se exige a presença de todos os litisconsortes, negando-se, por assim dizer, a legitimidade
a qualquer deles para demandar ou ser demandado isoladamente.'
19.5.1 litisconsórcio, necessário unitário e simples
A necessariedade da formação do litisconsórcio, depende de disposição legal e a unitariedade
provém da natureza da relação jurídica de direito material a respeito de que se vá decidir no
processo. Vê-se, pois, que o art. 47, caput, do CPC, "misturou" o litisconsórcio, necessário e o
unitário como se ambos fossem a mesma coisa.

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Quanto à sorte da afirmação de direito formulada pela parte (ou pelos litisconsortes ativos), haverá ou
não unitariedade, isto é, a sentença deverá decidir uniformemente para todos os que se encontram
no mesmo pólo da relação jurídica. É possível, todavia, que o litisconsórcio, necessário não seja
unitário, mas simples, isto é, embora sua formação seja obrigatória, o resultado não precisa ser o
mesmo para todos aqueles que se encontram em idêntico pólo da relação processual. Exemplo

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dessa hipótese é a ação de usucapião, pois o resultado não será o mesmo para aquele em cujo
nome esteja transcrito o imóvel e para os confinantes.
19.6 Conseqüência da não formação de litisconsórcio, necessário
A parte final do caput do art. 47 (CPC) dispõe no sentido de que, em se tratando de hipótese em que
o litisconsórcio, deva necessariamente se formar, a ausência de qualquer dos litisconsortes implicará
falta de eficácia da sentença que, a rigor, deveria decidir uniformemente ou não, conforme se tratasse
de caso de litisconsórcio, necessário unitário ou simples.
A doutrina discute a extensão dos efeitos dessa ineficácia da sentença. Tratar-se-ia de sentença
nula? Ou dever-se-ia classificar dentre os atos jurídicos inexistentes, desprovida, portanto, de
qualquer efeito, porque jamais se teria formado regularmente o processo? Ou se trataria de ato
simplesmente ineficaz? Embora as opiniões se dividam, parece-nos que, no caso de sentença
proferida em processo que se deveria ter formado com a presença de litisconsortes, e não o tenha
sido, está-se diante de sentença inexistente, porque proferida em processo que igualmente inexistiu,
na medida em que faltou pressuposto processual de existência (a citação de todos que deveriam ter
sido citados), não se tendo triangularizado a relação processual.
A conseqüência prática de se adotar uma ou outra dessas posições está em que, se se considerar
essa sentença nula, ela terá "entrado" no "mundo jurídico" e nele produzido efeitos, até que sua
nulidade seja decretada, incidindo sobre ela o prazo decadencial de dois anos para a propositura de
ação rescisória. Se se adotar a teoria da inexistência jurídica, não haverá necessidade de ação
rescisória. porque, inexistindo, ela sequer terá produzido efeitos, não havendo necessidade de, pela
via rescisória. "retirá-la" donde ela sequer entrou ("mundo jurídico", para se usar expressão corrente
na doutrina).
19.7 Regime jurídico do litisconsórcio, - Generalidades
0 art. 48 do CPC dispõe no sentido de que, em regra, "os litisconsortes serão considerados, em suas
relações com aparte adversa, como litigantes distintos; os atos e as omissões de um não prejudicarão
nem beneficiarão os outros".
Disso resulta, como regra geral, que a atividade ou a omissão de qualquer dos litisconsortes não
beneficia nem prejudica os demais. Essa regra se aplica aos casos de litisconsórcio, facultativo
simples e necessário simples, não cabendo aplicá-la se de litisconsórcio, unitário se tratar, pois,
devendo a sentença ser uniforme para todos, a inércia de qualquer dos litisconsortes não prejudicará
nenhum deles, nem mesmo o inerte, que se aproveitará da atividade de outro litisconsorte.
Não há aproveitamento de atos entre os litisconsortes, todavia, se se tratar de disposição de direito
(confissão, por exemplo), que é atitude que só se reflete na esfera jurídica daquele que de seu direito
dispõe.

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Em relação aos prazos processuais, há disposição expressa no sentido de que, sendo diferentes os
advogados de cada litisconsorte, dever-se-ão contar em dobro os prazos para contestar, recorrer e,
de modo geral, emitir manifestações no curso do procedimento.

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Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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