Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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entre A e B, de molde a que sua atuação possa influir no teor da sentença a ser
ali proferida.
A lei prevê duas hipóteses de assistência. A primeira delas, assistência simples, é a assistência
propriamente dita; a assistência litisconsorcial, a seu turno, consiste numa figura híbrida, já que o
assistente litisconsorcial, sob certos aspectos, pode ser considerado parte, e sob outros, não.
Na assistência simples, disciplinada no art. 50 do CPC, o assistente tem interesse jurídico,
evidentemente diferente do interesse jurídico de parte. Esse interesse nasce da perspectiva de sofrer
efeitos reflexos da decisão desfavorável ao assistido, de forma que sua esfera seja afetada.

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Na assistência simples o assistente tem interesse jurídico próprio, que pode ser preservado na
medida em que a sentença seja favorável ao assistido. 0 assistente simples não tem qualquer relação

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jurídica controvertida com o adversário do assistido, embora possa ser atingido, ainda que
indiretamente, pela sentença desfavorável a este.
Há dois tipos de assistentes simples: aquele que já no momento da prolação da sentença é
reflexamente atingido e aquele que, proferida a sentença, passa a correr o risco de ser atingido por
decisão proferida em processo posterior, que eventualmente seja movido pelo vencedor da demanda,
em que este poderia ter sido assistente.
Exemplo clássico da primeira hipótese é o do sublocatário que certamente é atingido pela sentença
desfavorável ao locatário, na ação movida pelo locador visando a rescindir o contrato de locação por
falta de pagamento. A sentença, num caso como este, diz respeito aos contratantes locador e
locatário, mas, no plano dos fatos, quem terá de desocupar o imóvel será quem nele estiver
residindo, que, no exemplo proposto, é o sublocatário.
Exemplo da segunda hipótese é a figura do tabelião, em ação movida por A contra B, em que aquele
alega ter havido falsificação de determinada escritura, e que esta falsificação teria havido em função
de conluio com o tabelião. Condenado B, o tabelião passa a correr o risco de ser acionado por A,
figurando no pólo passivo da ação junto com B, por perdas e danos decorrentes da anulação da
mencionada escritura.
Vê-se que, em ambos os casos, a sentença não atinge diretamente estes terceiros que podem intervir
no feito, já que estes não são partes, mas inexoravelmente se reflete em sua esfera.
20.5 Interesse jurídico equivalente ao da parte - Assistência litisconsorcial
Na assistência litisconsorcial o assistente tem interesse jurídico próprio, qualificado pela circunstância
de que sua própria pretensão (ou melhor, a pretensão que lhe diz respeito, mas que não formulou),
que poderia ter sido deduzida em juízo contra o adversário do assistido, mas não o foi, será julgada
pela sentença, razão pela qual assume, quando intervém no processo alheio, posição idêntica à do
litisconsorte.
Existem também duas espécies de assistentes litisconsorciais: aquele que poderia ter sido
litisconsorte facultativo, em caso de litisconsórcio, facultativo unitário e aquele que, apesar de ter
legitimidade ad causam, não pode, por alguma razão, ser parte.
0 exemplo que se costumava dar da última hipótese é o da mulher, quando o litígio se travava entre
seu marido e outrem, acerca de seus bens dotais (art. 289 do CC). Esse exemplo foi certamente
revogado pela atual CF (art. 5º, 1) e antes mesmo já havia caído em desuso. Foi citado, por que
expressivo. Mas pode-se lembrar o exemplo do adquirente de bem litigioso, que, apesar de se afirmar
ser o titular do direito material sobre o bem objeto material do processo, não pode ser parte, salvo se
concordar o autor. Em casos como este, ou A (autor) ou C (adquirente) serão titulares, mas não B, o
primitivo réu.
Vimos que, excepcionalmente, o litisconsórcio, pode ser facultativo e unitário, já que, normalmente, o
litisconsórcio unitário é necessário, deixando de sê-lo só em função de disposição legal expressa.

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Uma destas exceções é a do art. 623, II, que permite que figure sozinho em juízo o condômino em
defesa da propriedade comum. Neste caso, se estiverem presentes os demais condôminos quando

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do ajuizamento da ação, formarão litisconsórcio, facultativo. Se, todavia, um deles não estiver
presente e quiser integrar o processo depois, figurará na condição de assistente litisconsorcial. Será
atingido pela coisa julgada e nesse sentido e nessa medida seria parte, mas não formula pretensão,
porque integrou o processo quando este já estava em curso, e então, nesse sentido, não é parte. Daí
ter-se dito acima que o assistente litisconsorcial é figura híbrida, ficando entre a parte e o terceiro.
20.6 Espécies de intervenção de terceiro - Critério legal
0 que há em comum nos institutos da oposição, da nomeação à autoria, da denunciação da lide e do
chamamento ao processo, é que os terceiros, que intervêm no processo através dos veículos criados
por essas figuras, uma vez tendo ingressado no processo, assumem invariavelmente a condição de
parte. São terceiros, pois, única e exclusivamente, antes de seu ingresso em processo anteriormente
existente.
20.7 Modalidades de intervenção de terceiro
0 CPC prevê as seguintes modalidades de intervenção de terceiro em processo preexistente entre A
e B: oposição, nomeação à autoria, denunciação da lide e chamamento ao processo. Ver-se-á, em
seguida, individualizadamente, cada uma dessas modalidades.
20.8 Oposição
20.8.1 Conceito - Noções gerais
Oposição é o instituto por meio do qual terceiro (C) ingressa em processo alheio, exercendo direito de
ação contra os primitivos litigantes (A e B), que figuram, no pólo passivo, como litisconsortes
necessários.
Existe nexo de prejudicialidade entre a oposição e a ação principal, sendo aquela prejudicial a esta.
Este nexo de prejudicialidade foi criado pelo legislador quando determinou, no art. 61 do CPC, que a
oposição deve ser decidida em primeiro lugar e depois a ação originária, embora deva decidir ambas
simultaneamente, ou seja, na mesma sentença. Trata-se, na verdade, de prejudicialidade "artificial" e
não lógica, já que existe exclusivamente em função de criação da lei.
Como característica da oposição, podem-se mencionar a unidade procedimental e decisória, do
ponto de vista formal. Instaurada a oposição, esta e a ação principal terão o mesmo procedimento,
correndo simultaneamente e serão decididas, a final, por uma sentença que será una sob o aspecto
formal, embora, na verdade, estruturalmente, esteja-se diante de duas sentenças que decidem, na
verdade, duas lides. Uma outra característica apontada pela doutrina é a facultatividade. Isto significa
que o terceiro pode ou não fazer uso da oposição para, por meio dela, fazer valer seu direito frente
aos opostos. Se preferir, todavia, pode esperar o desfecho da ação em que controvertem A e B para,
depois de findo o processo, voltar-se contra aquele a quem coube o bem em tomo do qual
controvertiam.
20.8.2 Terminologia

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0 autor da ação de oposição é o opoente e os réus são os opostos.

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20.8.3 Pressupostos
Para que C possa entrar por meio do instituto da oposição em processo alheio já pendente, é
necessário que a pretensão que deverá deduzir seja, no todo ou em parte, incompatível com o que
"pretendem" (com a pretensão de A e com a resistência de B) autor e réu (A e B).
É necessário que tenha sido instaurada a litispendência para que possa ter lugar a oposição, já que
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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