Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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o
art. 56 alude a "coisa ou direito sobre que controvertem autor e réu".
Necessário também que o juiz da ação originariamente proposta seja competente para julgar a
oposição, em função de critérios que geram competência absoluta (matéria e função).
Já que a oposição significa exercício de direito de ação, é necessário que se verifique, com relação
ao opoente, e à pretensão que deduz, o preenchimento das condições da ação e dos pressupostos
processuais.
Para que se trate de verdadeira oposição (com tramitação simultânea e julgamento conjunto),
impende seja deduzida antes da sentença.
20.8.4 Regime jurídico
Os opostos são litisconsortes necessários passivos. É imprescindível, todavia, que se remarque
tratar-se aqui de litisconsórcio, necessário, no sentido de que, se não estiverem ambos os opostos
presentes no pólo passivo da ação intentada pelo opoente, não se estará diante de oposição. Isso
quer dizer que não se trata de litisconsórcio, necessário, no sentido que anteriormente se estudou.
Por isso é que os litisconsortes opostos serão tratados como litisconsortes autônomos. Desta regra é
sintoma o art. 58 do CPC, que estabelece que, reconhecendo um dos opostos a procedência do
pedido, deve o processo prosseguir contra o outro.
Trata-se de ações ontologicamente independentes, que estão ligadas procedimentalmente, para fins
de gerar decisão conjunta, levando assim a efeito o princípio da economia processual.
20.8.5 Momento
A oposição propriamente dita só ocorrerá se for oferecida antes da audiência de instrução e
julgamento, caso em que será apensada aos autos principais, havendo, daí para a frente, unidade
procedimental e decisão conjunta.

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A lei prevê, entretanto, que a oposição também pode ser oferecida depois da audiência, só que, nesta
hipótese, não haverá unidade procedimental nem decisória, Pode o juiz suspender o andamento do
processo principal, até noventa dias, para julgá-lo com a oposição, se estimar que este prazo seria
suficiente. Se isso não acontecer, será a oposição julgada independentemente e, na verdade, não se
terá tratado propriamente de oposição. Nessa hipótese, haverá exclusivamente distribuição por

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dependência (art. 109). Tem-se entendido que a oposição pode ser oferecida até o trânsito em
julgado.
20.8.6 Resposta dos réus-opostos
Embora o art. 57 aluda a que os opostos serão citados na pessoa de seus advogados, para contestar
o pedido no prazo de quinze dias, estes podem apresentar as três espécies de resposta: exceção,
contestação e reconvenção.
20.9 Nomeação à autoria
20.9.1 Conceito - Noções gerais
Trata-se de instituto por meio do qual se introduz no processo aquele que deveria ter sido
originariamente demandado. Aquele que passa a integrar o processo assume a condição de réu,
deixando, portanto, de ser terceiro.
20.9.2 Finalidades
Este instituto tem por finalidade a correção da legitimação passiva da ação, configurando-se numa
exceção ao já mencionado princípio da perpetuatio legitimationis.
Sabe-se que, normalmente, em face da situação da ilegitimidade passiva, deve o juiz, de acordo com
o que dispõe o art. 267, inc. VI, do CPC, extinguir o processo sem julgamento de mérito.
Excepcionalmente, todavia, a lei autoriza que, em duas hipóteses, o juiz, no lugar de proferir sentença
de natureza processual, deva permitir a correção da legitimidade passiva, ensejando ao réu primitivo
a oportunidade para "nomear" aquele que deveria ter sido indicado, pelo autor, como réu,
originariamente.
Essas duas hipóteses são a do detentor, sendo demandado a respeito da coisa que detém em nome
próprio; e, aquele que é acionado em função de ato que praticou por ordem de terceiro ou em
cumprimento de suas instruções. Nesses casos, poderá o detentor nomear à autoria o proprietário ou
possuidor da coisa, e o causador do prejuízo poderá nomear à autoria aquele de quem recebeu a
ordem ou instrução.
No que diz respeito ao autor, a finalidade da nomeação à autoria é a de aproveitar o mesmo
processo.
20.9.3 Terminologia

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Diz-se, daquele que nomeia, nomeante, e do terceiro que é instado a intervir, tomando o lugar do
primitivo réu, nomeado.

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20.9.4 Hipóteses
Pode a legitimidade ser corrigida no caso de o réu ser o detentor da coisa e de esta lhe ser
demandada em nome próprio.
0 instituto da detenção diz respeito a uma situação fática muito semelhante à da posse, já que,
também na detenção, existe o contacto físico com a coisa, porém a detenção fica descaracterizada
enquanto posse, na medida em que, em relação ao verdadeiro possuidor ou proprietário, exista
relação de subordinação, como o caso do zelador, do caseiro, do depositário. Estes não são
possuidores: são meros detentores.
0 detentor, uma vez acionado, nomeia à autoria o possuidor ou o proprietário que, aceitando a
nomeação, assumirá o lugar do primitivo réu (detentor), que deixará de participar do feito.
Outra hipótese (art. 63) é a do réu que seja acionado pelo proprietário ou pelo titular de direito sobre a
coisa, com pedido de indenização. 0 réu pode nomear à autoria aquele de quem havia recebido
ordem ou instrução para a prática do ato que seja a causa de pedir dessa ação.
20.9.5 Prazo
0 prazo para a nomeação à autoria é o da defesa, sob pena de preclusão.
20.9.6 Possibilidades em face da nomeação
Quanto ao autor, pode-se dizer que sua vontade é relevante para que ocorra a nomeação à autoria,
já que lhe cabe manifestar-se, no prazo de cinco dias (art. 64, 2. parte), quando não concorda com
ela (art. 68, 1). Tendo aceitado a nomeação, cabe-lhe promover a citação; tendo-a recusado, fica esta
sem efeito, correndo o processo contra o nomeante (art. 66).
Ao nomeado cabe, por sua vez, reconhecer, ou não, a qualidade que lhe é atribuída. Se isto ocorrer,
isto é, se o nomeado reconhecer sua legitimidade em função da qualidade que lhe é atribuída, abre-
se, para ele, novo 'prazo para defesa. Se o nomeado não se reconhece na posição de réu, abre-se o
prazo para defesa. No caso de o nomeado não comparecer, ou, apesar de ter comparecido, não se
manifestar, presume-se aceita a nomeação.
20.9.7 Obrigatoriedade
Diz-se que a nomeação à autoria é obrigatória. Toda vez que, em direito, se faz afirmação no sentido
de que certa conduta, omissiva ou comissiva, é obrigatória, deve-se precisar quais seriam as
conseqüências da não realização dessa conduta. Normalmente, no processo, quando se fala em
obrigatoriedade de alguma conduta, a omissão da parte não gera perda de direitos materiais, mas
perda de oportunidades dentro do processo, a que geralmente se segue uma conseqüência negativa
para a parte que se omitiu.

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Neste caso, todavia, o sentido da expressão obrigatoriedade liga-se ao nascimento de direitos no
plano do direito material em relação a uma possível indenização por perdas e danos, na medida em
que estes efetivamente tiverem ocorrido, que ocorre se o réu deixar de nomear à autoria, quando
deveria tê-lo feito, ou nomear pessoa errada.
Portanto, na verdade, o que se pode dizer é que a obrigatoriedade da nomeação à autoria gera uma
conseqüência que vai além do próprio processo, diferentemente do que ocorre, por exemplo, com a
oposição. Se o terceiro não lança mão desse instituto para intervir no processo que já pende entre A
e B, nada mais acontece do que a perda de oportunidade: ninguém ganha ou perde direitos no plano
do direito material.
Rodrigo Reis fez um comentário
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