Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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20.10 Denunciação da lide
20.10.1 Conceito - Noções gerais
A denunciação da lide é instituto criado com o objetivo de, levando a efeito o princípio da economia
processual, inserir num só procedimento duas lides, interligadas, uma de que se diz principal e outra
de que se diz eventual, porque, na verdade, o potencial conflituoso da lide levada a conhecimento do
juiz através da denunciação só se realiza concretamente em função de um determinado resultado,
que será obtido com a solução da lide principal. Não sendo vencido o denunciante na ação originária,
a lide eventual não deve ser examinada, já que a denunciação como que "perderá" seu objeto.
Assim, no mais comum dos casos, a denunciação acontece quando o raciocínio do réu é o seguinte:
se eu for eventualmente condenado, porque se entenda que eu tenho responsabilidade perante o
autor A, eu (B) tenho o direito de ressarcir-me perante C. Como C é o "verdadeiro" responsável, vou
me servir do instituto da denunciação da lide para evitar que, posteriormente, se for condenado a
indenizar A, tenha que mover outra ação, regressiva, contra C.
0 que se quer, com a denunciação da lide, como regra geral, é "embutir" no mesmo procedimento a
solução de um segundo conflito, em que, sendo sucumbente o réu, nasce simultaneamente à sua
condenação a condenação do terceiro denunciado.
20.10.2 Estrutura
A denunciação da lide, diferentemente do que acontece com a nomeação à autoria, e do mesmo
modo que acontece com a oposição, é exercício de direito de ação, do denunciante contra o
denunciado. Estes consideram-se litisconsortes perante o autor. Havendo denunciação, terá o juiz de
decidir duas lides, caso o -denunciante seja sucumbente na ação originária, já que a lide secundária
(a lide da denunciação) é eventual.
Existe nexo de prejudicialidade real entre a ação originária e aquela que se instaura com a
denunciação, diferentemente do que ocorre com a oposição, em que a prejudicialidade existe porque
foi criada pela lei.

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Denunciado e denunciante assumem a posição de litisconsortes porque, em relação ao autor, estão
no outro pólo do processo. Trata-se, evidentemente, de um litisconsórcio, substancialmente diferente
daqueles que estudamos anteriormente. Diz-se que esse litisconsórcio, segue o regime da

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

unitariedade. Evidentemente, nada há na situação jurídica de direito material subjacente ao processo
em que há denunciação que justifique o surgimento de litisconsórcio, unitário, no sentido clássico,
pois não se está diante de hipótese em que se deva decidir uniformemente a lide para todos os
litisconsortes, até porque, como se viu, com a denunciação da lide acrescenta-se uma segunda lide
ao processo originariamente pendente.
20.10.3 Hipóteses
A lei menciona três hipóteses em que a denunciação da lide pode (ou deve) acontecer.
A primeira delas diz respeito à evicção. Evicção significa a perda de um direito (material) em função
de uma decisão judicial. A denunciação da lide possibilita o exercício do direito que resulta da
evicção, ou seja, com maior simplicidade poder-se-ia dizer que a denunciação da lide permite que
alguém que tenha sido lesado com a perda de um direito ocorrida em decorrência de uma decisão
judicial possa ressarcir-se perante aquele que lhe transferiu esse direito.
A denunciação da lide, neste caso, é obrigatória. A conseqüência decorrente da omissão daquele que
deveria denunciar e não denunciou é, só neste caso específico, além da perda da oportunidade de
"embutir" a ação regressiva no mesmo processo, também a perda do direito material relativo à
indenização Esta última dimensão da obrigatoriedade é decorrente do que dispõe o art. 1. 116 do
Código Civil. A lei material prevê a possibilidade de o alienante se eximir da responsabilidade pela
evicção. Nesses casos, evidentemente, não pode haver a denunciação (art. 1. 107 do CC).
A lei, no art. 70, 1, contém evidente imperfeição, na medida em que ao autor designa de terceiro,
quando diz que "a denunciação da lide é obrigatória ao alienante na ação em que terceiro reivindica a
coisa". Evidentemente, o "terceiro" que reivindica a coisa não é terceiro, mas o próprio autor. 0
terceiro é que é, na verdade, o autor, e o alienante é o terceiro, isto é, aquele a quem a lide deve ser
denunciada.
A segunda hipótese é bastante semelhante àquela que enseja a nomeação à autoria. A denunciação
da lide, aqui, serve para trazer ao processo o proprietário ou o possuidor indireto, quando o acionado
é o possuidor direto da coisa.
A diferença fundamental que existe entre a nomeação à autoria e a denunciação da lide é que,
quando há denunciação, ambos denunciante e denunciado - permanecem no processo, enquanto na
nomeação à autoria o nomeante sai e o nomeado entra, passando a integrar o pólo passivo da ação.
0 art. 70, 11, alude às figuras do proprietário ou do possuidor indireto (como denunciados) e ao
possuidor direto (denunciante). 0 proprietário, como se sabe, é aquele que tem o domínio (direito de
propriedade) sobre a coisa. Este direito é o mais amplo dos direitos reais e envolve a possibilidade de
usar, gozar e dispor da coisa de que se tem a propriedade. Esse direito real é passível de ser
desmembrado e, assim, através disso, surgem os outros direitos reais, que são, por assim dizer,
menores, ou menos abrangentes, dando aos seus titulares "parcelas" desse direito.

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Sob outro aspecto, substancialmente diferente do desmembramento do direito de propriedade, deve-
se examinar o fenômeno da posse jurídica. 0 proprietário, que é aquele que tem o domínio sobre a
coisa, normalmente, tem também a posse. A posse, como regra geral, é a exteriorização da
propriedade: é a parte "visível" da propriedade. No entanto, quando o proprietário empresta ou aluga

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o bem, há a transferência da posse imediata para outrem, o locatário ou o comodatário. A posse,
nesse sentido, é o contacto direto com a coisa.
Havendo locação do bem pelo próprio proprietário, a propriedade permanece íntegra, não se
podendo dizer, sob nenhum aspecto, que a propriedade estaria sendo desmembrada, porque a posse
direta do bem não estaria mais sendo exercida pelo proprietário. Quando a posse é cedida para
outrem em função de contrato, diz-se que esse outrem exerce a posse direta jurídica. Em oposição a
essa posse direta, a lei criou, por assim dizer, uma ficção, quando atribuiu ao proprietário, em
hipóteses como esta, a posse indireta do bem. Essa posse indireta, também jurídica, corresponde a
um "nada" fático, ou seja, o proprietário não exerce a posse no plano empírico, mas o direito
considera ser ele também possuidor para alguns efeitos jurídicos, que veremos oportunamente,
quando tratarmos dos procedimentos especiais.
Além da posse direta e indireta, de que acabamos de tratar, há a posse genuína, que se resume num
relacionamento de contacto entre o possuidor e a coisa possuída, sem que essa relação decorra de
causa jurídica. Na verdade, dessa idéia derivaram as duas outras "posses" mencionadas acima.
Esta rápida incursão no direito material foi necessária porque o art. 70, 11, faz referência a todas
essas expressões, enquanto o art. 62, como vimos, diz respeito à figura da detenção.
A denunciação da lide, com base nesse inciso II, deve ser requerida ao proprietário ou ao possuidor
indireto - e aqui deve se lembrar que este último pode ser o próprio proprietário, mas também pode
ser o usufrutuário, ou seja, aquele que tem o bem em usufruto * o loca a alguém, exercendo este a
posse direta e remanescendo com * usufrutuário-locador a posse indireta. Quem denuncia é o réu,
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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