Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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possuidor direto da coisa demandada, seja essa posse derivada de liame jurídico ou meramente
fática.
Como exemplo da aplicação do art. 70, 11, tem-se a situação do locatário ser réu de uma ação
possessória, intentada por A. 0 locatário, B, ao ser acionado, deve denunciar a lide a C, proprietário
do imóvel e locador, já que este tem a obrigação contratual de garantir-lhe a posse do imóvel locado.
A Obrigatoriedade da denunciação da lide, neste caso, liga-se exclusivamente à perda de
oportunidade da parte em resolver dois problemas ao mesmo tempo, num só procedimento, e através
de uma mesma sentença.
Finalmente, a terceira hipótese que enseja a denunciação da lide é a que decorre de o denunciado
estar obrigado, pela lei ou pelo contrato, a indenizar o eventual sucumbente. Este é o caso mais
comum de denunciação e os exemplos são fartos. 0 mais expressivo talvez seja o da companhia de
seguros que, acionada por aquele que sofreu o prejuízo, denuncia a lide ao causador.
Existe bastante controvérsia a respeito da possibilidade de o Estado, quando acionado, porque, por
exemplo, um motorista do Tribunal de Justiça teria atropelado um pedestre, denunciar a lide ao seu
funcionário, causador do prejuízo.
20.10.4 Iniciativa

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Diferentemente do que ocorre com a nomeação à autoria, em que a iniciativa do uso do instituto parte
exclusivamente do réu, e também diferentemente do que ocorre com a oposição, em que a iniciativa

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parte de um terceiro, na denunciação da lide, a iniciativa pode partir do autor e do réu. Diz-se que
partirá do réu nos casos do art. 70, I e II, e do autor e do réu nos casos do art. 70, III.
20.10.5 Regime jurídico
Sendo admitida a denunciação e ordenada a citação, há a suspensão do processo.
A decisão da lide originária e da lide secundária é normalmente conjunta. Onde o legislador diz
declarará, deve se entender condenará, e entendimento decorre da mera leitura do art. 76, que diz
que a sentença que julgar procedente a ação entre autor e réu originários deve declarar o direito do
réu em relação ao denunciado e vale como título executivo. Evidentemente, se a sentença consiste
num título executivo, não há de ter conteúdo exclusivamente declaratório, mas condenatório.
20.11 Chamamento ao processo
20.11.1 Conceito
Trata-se de um instituto que consiste num meio de formação de litisconsórcio, passivo, por iniciativa
do próprio réu. Observe-se que se trata de uma exceção, pois a facultatividade do litisconsórcio, está
sempre ligada à figura do autor, e não à do réu. Pode-se dizer, em linguagem coloquial, que aquele
que lança mão do instituto do chamamento ao processo chama aqueles que devem tanto quanto ele,
ou mais do que ele, para responderem conjuntamente a ação, ampliando-se, assim, o pólo passivo
da relação processual.
20.11.2 Finalidade
0 objetivo fundamental deste instituto é a criação de título executivo para posterior sub-rogação. Com
isso quer-se dizer o seguinte: B sendo acionado por A, e perdendo a ação, se tiver chamado ao
processo os demais devedores solidários, pode, pagando A, sub-rogar-se em seus direitos de credor,
para acionar os demais co-devedores.
Com isso, leva-se a efeito o princípio da economia processual.
Ainda, só é possível ao devedor subsidiário invocar o benefício de ordem, na execução posterior, se
tiver chamado ao processo o devedor principal.
20.11.3 Características
Entende-se predominantemente hoje que o uso do instituto do chamamento ao processo só pode
ocorrer em processos de conhecimento e de natureza condenatória, principalmente em função de
um dos principais objetivos do instituto, que é a formação de título executivo.

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É instituto cujo uso, sob certo aspecto, pode ser visto como obrigatório, já que não se tem admitido
alegação do benefício de ordem sem que tenha havido chamamento no processo de conhecimento.
Sob outro aspecto, que é o da perda de qualquer direito ou oportunidade, pode-se dizer que o
chamamento é facultativo, já que o seu não uso não acarreta nenhum tipo de conseqüência negativa,

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a não ser a necessidade de intentar outra ação de conhecimento com o objetivo da obtenção de título
executivo contra os outros co-devedores, caso tenha B (o réu da primitiva ação) respondido sozinho
pela dívida.
A vontade relevante para o chamamento é exclusivamente a do réu, podendo o chamado comparecer
para negar a qualidade que lhe é atribuída e também, evidentemente, o autor manifestar-se no
sentido de que não é caso de chamamento.
Os réus atuam no processo em regime de litisconsórcio, passivo facultativo simples. Aplica-se-lhes o
regime da unitariedade no caso do art. 509, parágrafo único, que estabelece aproveitar aos outros o
recurso por um interposto, quando as defesas opostas ao credor forem comuns, se houver
solidariedade passiva.
20.11.4 Hipóteses
Acima se disse que o devedor, através do chamamento, traz ao processo aquele que deve "tanto
quanto ele, ou mais". Com isso pensamos estar nos referindo ao art. 77, 1, 11 e III do CPC. Segundo
esses dispositivos, o fiador pode chamar o devedor principal, o fiador pode chamar outro fiador e o
devedor solidário pode chamar outro devedor solidário. Tem-se admitido chamamentos sucessivos.
É imprescindível, aqui, uma rápida incursão no direito material, para falarmos de fiança, benefício de
ordem e solidariedade.
A solidariedade é uma ligação que se estabelece entre os credores e devedores, fazendo com que
todos eles sejam credores ou devedores da sua parte e da dívida toda. A solidariedade passiva (dos
devedores - art. 904 a 915 do CC), que é a que nos interessa, consiste, sob certo aspecto, numa
garantia para o credor, que pode cobrar de um só dos devedores toda a dívida, ou só a parte pela
qual esse devedor é responsável.
A solidariedade decorre ou da lei ou do contrato e consiste num liame que existe entre os devedores
(no caso de solidariedade passiva), que os torna responsáveis pela sua parte e pelo toda da dívida.
Assim, se se trata de três devedores solidários e se a dívida é de noventa reais, cada um deles pode
ser cobrado por trinta ou por noventa reais. Isso representa, indubitavelmente, situação vantajosa
para o credor, que cobra daquele que tem mais condições de pagar.
A fiança é um contrato de garantia, de regra oneroso, previsto nos arts. 1.491 e seguintes do Código
Civil. É um contrato que se celebra entre o credor e o fiador, se comprometendo este a cumprir a
obrigação no caso de o devedor não fazê-lo. Por isso se diz que a responsabilidade do fiador é
subsidiária, na medida em que nasce da impossibilidade de o devedor principal cumprir a obrigação.

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Essa subsidiariedade se reflete na figura processual que se consubstancia no benefício de ordem,
previsto no art. 595 do Código de Processo Civil (art. 1.491 do Código Civil, com a terminologia
descoincidente com a do CPC, mas com o mesmo sentido). Em função desse benefício pode o fiador,
quando executado, nomear em primeiro lugar, em vez de os seus próprios bens, bens do devedor,
livres e desembargados. Os seus bens (= do fiador) ficarão sujeitos à execução se os do devedor
forem insuficientes. 0 fiador, pagando a dívida, sub-roga-se nos direitos do credor, podendo executar
o devedor nos mesmos autos.

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É importante observar que o fiador pode abrir mão do benefício de ordem ou obrigar-se como
principal pagador (art. 1.492, 1 e 11, do CC), atitudes essas que geram os mesmos efeitos jurídicos.
Rodrigo Reis fez um comentário
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