Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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0 fiador, quando acionado, pode chamar ao processo o devedor principal. Pode chamar também o
outro fiador, tanto com fundamento no art. 77, 11, do CPC, quanto com fundamento no art. 77, 111.
Isto porque, por força de lei, havendo fiança conjuntamente prestada, haverá solidariedade entre os
fiadores, desde que esses não se reservem, expressamente, o benefício de divisão. Esse benefício
faz com que cada um dos fiadores responda exclusivamente na proporção daquilo que lhe cabe no
pagamento (art. 1.493 do CC).
20.11.5 Momento e efeitos
0 chamamento, diz a lei, pode ter lugar no prazo para contestar. Tem-se, todavia, entendido que o
chamamento deve ocorrer com a contestação.
Admitido o chamamento, o processo se suspende e o chamado terá prazo para a resposta, depois de
ser citado, pois será litisconsorte do chamante.
A sentença proferida em processo em que houve chamamento diz respeito diretamente ao autor e ao
réu chamante. Resultado da eficácia natural da sentença será a sub-rogação do primitivo devedor
condenado, na posição de credor (autor da ação), para cobrar dos chamados, caso tenha satisfeito a
dívida.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

21. PETIÇÃO INICIAL
SUMÁRIO:
21.1 Conceito
21.2 Requisitos:

21.2.1 Autoridade a que é dirigida;
21.2.2 Partes e suas qualificações;
21.2.3 Causa de pedir;
21.2.4 0 pedido;
21.2.5 0 valor da causa;
21.2.6 As provas que serão produzidas;
21.2.7 Requerimento de citação do réu;
21.2.8 Encerramento

21.3 Emenda à inicial
21.4 Indeferimento da inicial.
21.1 Conceito
Dado o princípio dispositivo, a iniciativa do processo, pela provocação da jurisdição, se outorga
unicamente à parte ou ao interessado. Claro que, uma vez iniciada a atuação jurisdicional, por causa
de sua finalidade publicística, esta se desenvolverá por impulso oficial, abstraindo-se da total
liberdade do particular o manejo dos instrumentos processuais (quase sempre, pois algumas
exceções existem, em que a inércia da parte pode ocasionar o impedimento do normal
desenvolvimento do processo, como os casos previstos no art. 267, II e III). Em regra, deverá o
processo seguir seu desenvolvimento natural, tendente à justa solução do conflito de interesses, pela
sentença. Mas o início do processo depende da manifestação da vontade da parte, consubstanciada
em um ato processual denominado petição inicial.
Costuma-se conceituar petição inicial como o instrumento pelo qual se introduz a demanda em juízo.
Conquanto correto, o conceito não é completo, pois restringe-se apenas à destinação específica da
jurisdição, em que a atividade estatal objetiva resolver o litígio, não alcançando a atividade
extraordinariamente desempenhada pelo Poder Judiciário, denominada jurisdição voluntária, em que
o escopo é chancelar o encontro de vontades dos interessados, mas cujo procedimento igualmente
principia por uma petição inicial.
Em sendo assim, conceito mais abrangente de petição inicial pode ser formulado como o ato
processual escrito, pelo qual se exerce o direito de ação, dando início à atividade jurisdicional. É a
petição inicial o ato inicial do processo e, embora a relação jurídica processual só se complete com a
citação válida, a distribuição da petição inicial vincula ato-juiz em uma relação linear, mas que já
produz alguns efeitos, como o de interromper precariamente a prescrição (art. 219, § 1º).
21.2 Elementos ("requisitos")

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A petição inicial é ato de iniciativa unicamente da parte ou do interessado. Assim, poder-se-ia crer
que, atendendo ao princípio dispositivo, a petição inicial se encontrasse liberta de qualquer elemento

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delimitador de sua forma. Não é assim. Inobstante o art. 262 determinar a iniciativa da parte para dar
início ao processo, disso não resulta possa a parte redigir com plena liberdade a petição inicial. 0
Código exige elementos, e eles são tidos como essenciais, expressamente enumerados no art. 282,
no sentido de impor ao postulante trazer ao conhecimento do juiz todos os dados necessários para a
perfeita delimitação daquilo que irá julgar. Outra não é a razão de ser de tais exigências: traçar os
exatos parâmetros do julgamento.
Por isso, pode-se dizer que os "requisitos" do art. 282 são sempre exigíveis e não apenas se se
tratar de rito ordinário, pois, em sua elaboração, as petições iniciais dos processos de rito especial
devem ser tão-somente adaptadas ao "padrão" previsto na regra geral do art. 282.
Assim é porque a petição inicial, independentemente da espécie de providência jurisdicional que se
pleiteie, não se dissocia de sua finalidade, que é de representar o meio de exercício do direito de
ação. Se a parte necessita da tutela jurisdicional, deve provocá-la sob forma única, com as mínimas
variações possíveis, somente admissíveis ante as exatas peculiaridades da situação reclamada.
A petição inicial consiste em apresentar uma seqüência de manifestações de vontade: vontade de
demandar, vontade de demonstrar a veracidade de fatos ocorridos, vontade de ver incidir a norma
jurídica, e de extrair conseqüências jurídicas, tudo aliado à necessidade de obter da jurisdição um
"bem da vida". Ou, vontade de demonstrar fatos, e expressar o desejo de validar uma situação não
conflituosa, que necessita de homologação. Essa estrutura se mostra nos requisitos da petição inicial,
que são:
21.2.1 Autoridade a que é dirigida
0 primeiro requisito da petição inicial não deve ser confundido com um simples endereçamento de um
requerimento, pois, em verdade, deve levar em conta regras de competência.
0 inciso I do art. 282 diz o juiz ou tribunal, a que é dirigida.
Ao dirigir a petição inicial a uma determinada autoridade judiciária, o autor está estabelecendo a
competência, ou verdadeiramente escolhendo-a, nos casos em que esta seja prorrogável. Se o autor
"escolhe" juízo que, relativamente, é incompetente, este pode tomar-se competente, caso o réu não
se insurja, ou seja, à incompetência não se oponha, mediante o meio processual a isto disponível: a
exceção.
A doutrina adverte - e não é demais repetir - que não se trata do nome da autoridade judiciária, mas
sim o cargo, exatamente porque se está diante de exigência de competência. Pouco importa qual
seja pessoa a exercer o cargo de juiz, basta que tenha ele (o cargo) competência para a causa.
0 inciso I menciona "juiz ou tribunal a que é dirigida", não sem razão. Quando se tratar de causa de
competência originária dos tribunais, como por exemplo a ação rescisória. a petição inicial deve ser
dirigida ao presidente do tribunal competente, sempre independentemente do nome dessa
autoridade, pois o endereçamento é sempre ao cargo e não à pessoa.

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Pouco importa o tratamento que seja dado à matéria pelas leis de organização judiciária ou pelos
regimentos internos dos tribunais respectivos. Ainda que o relator seja outro, que não o presidente do

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tribunal, quando se tratar de causa de competência originária dos tribunais a petição inicial sempre
será endereçada a seu presidente.
21.2.2 Partes e suas qualificações
0 inciso II do art. 282 menciona os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência
do autor e do réu.
0 segundo requisito da petição inicial vai além de mera exigência formal, pois se refere a uma das
condições para o exercício do direito de ação, a legitimidade, como claramente expressa o art. 267,
VI, do Código de Processo Civil. Como se sabe, as condições para o exercício do direito
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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