Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

Disciplina:Direito Processual Civil I5.548 materiais461.554 seguidores
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de ação são
requisitos específicos que o sistema impõe àquele que pretender manejar a jurisdição, de molde a
que esta, quando acionada, venha a se mostrar eficaz para decidir a lide.
Se a petição inicial é o instrumento pelo qual o direito de ação é exercido, é de todo evidente que nela
devem estar evidenciadas as condições da ação. 0 interesse de agir e a possibilidade jurídica do
pedido estão encartados na causa de pedir e no pedido. Neste inciso do art. 282 cuidou o legislador
apenas da legitimidade.
Nem sempre a legitimidade pode ser aferida apenas da análise da petição inicial, carecendo de
elementos outros que somente com o transcurso do processo serão demonstrados. Aliás, apesar de
se tratar de um instituto processual, a legitimidade só pode ser determinada mediante a análise do
direito material, pois nem sempre é claro o traço divisório, se é que há, entre o direito processual e o
material, no que se refere à legitimidade. Por isso, tem-se que a petição inicial deve ser entendida
como uma expectativa de legitimidade. Legitimado ativo será aquele que se diz titular da pretensão
deduzida, ainda que a sentença venha a reconhecer que não o é. Legitimado passivo será aquele em
face do qual o autor pretenda ver a atividade jurisdicional incidir, mesmo que isso não ocorra, seja
porque deva incidir sobre outrem (ilegitimidade passiva), seja porque descobriu-se não ter o autor
razão (improcedência do pedido).
Para tanto, o art. 282, 11, exige a perfeita individualização das partes que devam integrar a relação
jurídica processual, porque a legitimidade impõe estejam os litigantes claramente especificados,
enunciando taxativamente os elementos indispensáveis desse requisito:
a) nomes e prenomes do autor e do réu: ou dos autores e dos réus, visto que, inobstante a norma
esteja expressa no singular, o instituto do litisconsórcio, determina a possibilidade de pluralidade de
partes. Assim, todos aqueles que devam integrar a relação jurídica processual devem ser
nominados.
Situação que merece análise surge quando se tratar de pessoa jurídica. Como se sabe, a pessoa
jurídica tem personalidade jurídica própria, mas é representada por alguém: um de seus órgãos. 0
órgão da pessoa jurídica, que é uma pessoa física, é quem receberá a citação, não em nome próprio,
mas em nome daquela. A citação é feita para a pessoa jurídica, mas na pessoa de seu representante.
Nessa circunstância, não cumpre o requisito ora em estudo a petição inicial que apenas trouxer a
indicação da pessoa jurídica, sem a exata individualização daquele em cuja pessoa a citação se
realizará (art. 12, VI), e que necessariamente deve ter poderes para tal, sob pena de nulidade.

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Também o incapaz pode litigar, tanto no pólo ativo como no pólo passivo da relação jurídica
processual. Mas a incapacidade civil obsta a prática de atos processuais pelo próprio incapaz (art.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

7º), exigindo a presença de um representante ou assistente, conforme se trate de incapacidade
absoluta ou relativa (art. 8º). É requisito da petição inicial, pois, não só a qualificação do incapaz,
mas também daquele cuja presença é essencial para validar a sua presença no processo. Quem
ocupa a posição de parte é o incapaz, porém os atos processuais (inclusive a petição inicial) são
praticados através de outrem, por si só, ou em conjunto com o incapaz (no caso de incapacidade
relativa).
Em se tratando de entes despersonalizados, que nem por isso estão desautorizados a integrar a
relação jurídica processual, é mister a individualização daquele a quem cabe a administração de seus
bens art. 12, VII).
b) o estado civil: o requisito exige que se encontre mencionado este dado, de todas as partes
integrantes da relação jurídica processual, e é importante para verificar se a outorga uxória faz-se
necessária, nos casos em que é exigível. Especialmente quando se tratar do pólo passivo, pois a,
ausência da menção ao estado civil do réu pode ocasionar a falta de citação do cônjuge, o que,
muitas vezes, pode gerar nulidade.
c) a profissão: também se exige, não só para individualizar o litigante, mas para definir alguns
aspectos da citação; o militar, por exemplo, será citado na unidade em que estiver servindo, caso não
se conheça sua residência ou nela não for encontrado (art. 216, parágrafo único). Além disso, o
conhecimento prévio da profissão das partes tem relevância porque há casos em que esse dado
traça algumas limitações à atividade probatória, como, por exemplo, a dispensa de depoimento
pessoal sobre fatos protegidos por sigilo profissional art. 347, II).
d) domicílio e residência: além da citação só se viabilizar com o conhecimento do exato local onde o
réu é localizado, o que, à primeira vista, é o objetivo desse requisito, existem outras razões para a
necessidade de a petição inicial trazer o domicílio e residência de todas as partes litigantes. Ocorre
que alguns atos processuais não são praticados através de advogado, mas pela própria parte. A
confissão é um deles, nada obstante possa ser praticado por procurador com instrumento de
mandato específico para tal fim. Ademais, é dever da parte, pessoalmente, comparecer a juízo,
sempre que for determinado, bem como submeter-se à inspeção judicial art. 340, Il e III). A regra,
pois, é que aquele que está em juízo precisa ser localizado, para a necessária intimação desses atos
processuais. Daí a exigência do dispositivo.
21.2.3 Causa de pedir
0 inciso III do art. 282 assim dispõe: o fato e os fundamentos jurídicos do pedido.
0 terceiro requisito da petição inicial diz respeito a outro elemento da ação, a causa de pedir. A
doutrina ensina que os elementos da ação existem para a precípua finalidade de identificá-la, quando
de seu exercício, dada a abstração do direito de ação.
Na petição inicial, a causa de pedir é elemento identificador da ação, mostrando-se como
indispensável delimitador da atividade jurisdicional que se seguirá. Inobstante seja sabido que é o
pedido que delimita a parte decisória, da sentença, não se olvide que aquele decorre da exposição
fática e da argumentação jurídica subseqüente. Portanto, tanto o pedido quanto seu suporte fático é
que se mostram como delineadores da abrangência do provimento jurisdicional a porvir.

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No aspecto relativo aos fatos, tem-se que o requisito demonstra que o sistema pátrio adotou a teoria
da substanciação, ou seja, que a relação jurídica é emergente de fatos, sendo necessária a análise
destes para a compreensão daquela. Bem por isso, os fatos que devem constar da petição inicial são
os relevantes e pertinentes, vale dizer, aqueles que embasam a pretensão expressada. Se todo
direito se origina de fatos, são apenas os que dão sustentáculo ao direito pretendido que devem
constar da petição inicial, segundo esse requisito.
Os fundamentos jurídicos do pedido não se confundem com fundamentos legais. A lei não exige que
o autor mencione, na petição inicial, o números dos artigos de lei em que baseia seu pedido. Aliás,
nem mesmo a errônea capitulação legal conduz à inépcia. 0 que o requisito impõe é que, expostos os
fatos, passe o autor a demonstrar as conseqüências jurídicas que dos fatos entende resultantes. Ou
seja, que a relação jurídica conflituosa emergiu dos fatos narrados. Portanto, o fundamento jurídico
nada mais é do que o nexo de causalidade entre os fatos e o pedido. Ou, ainda, é a demonstração de
que dos fatos apresentados surgiu para o autor o direito que busca obter no pedido.
0 nome que se dê à ação é irrelevante, tanto que o art. 282 não • exige. Para verificação de
litispendência, coisa julgada
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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