Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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ou perempção, • que importa é a análise dos elementos da ação: partes,
pedido e causa de pedir, em nada interessando qual o nome tenha sido atribuído.
21.2.4 0 pedido
É esta a redação do inciso IV do art. 282: o pedido, com suas especificações.
É o pedido que demonstra o objeto litigioso. É o elemento central da petição inicial, pois expressa o
provimento jurisdicional que o autor espera obter. Vale dizer, o pedido é a solução que o autor
pretende seja dada à situação reclamada.
É para alcançar o que consta do pedido que o autor vem a juízo. Já se disse que o pedido é o modelo
de sentença que se aguarda, pois representa o desejo de ver atuar a lei sobre a situação jurídica
reclamada.
0 pedido pode ser imediato e mediato, consubstanciando-se este na lide, na pretensão, no objeto
litigioso. 0 pedido imediato, de cunho processual, é o desejo de um provimento jurisdicional, e pedido
mediato é o anseio de concretização do direito reclamado (de natureza material), capaz de interferir
nas relações entre os sujeitos, restaurando o equilíbrio abalado pelo agir das pessoas. Essa
bipartição do pedido será melhor explicitada no capítulo próprio, infra.
21.2.5 0 valor da causa
0 art. 282, inciso V, menciona o valor da causa.
0 art. 258 não deixa qualquer dúvida quanto à obrigatoriedade de a petição inicial expressar o valor
da causa, ainda que não tenha conteúdo econômico, imediato, ou mesmo que não possua nenhum
conteúdo econômico, A cogência da norma é patente, ainda que, muitas vezes, possa parecer sem
sentido atribuir um valor pecuniário a causas destituídas de conteúdo patrimonial. Em verdade, o
requisito não se resume a demonstrar um aspecto valorativo da demanda. É mais.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

0 valor da causa influi no procedimento a ser adotado, pois o art. 275, 1, impõe o rito sumário para as
causas cujo valor não exceder vinte vezes o salário mínimo. É de se recordar que a adoção do
procedimento inadequado pode ocasionar o indeferimento da petição inicial, caso não seja passível
de adaptação (art. 295, V). Em alguns casos, interfere até mesmo na competência, como, por
exemplo, a dos Juizados Especiais Cíveis (Lei 9.099195). Aliás, nada obsta que as leis de
organização judiciária criem varas especializadas para julgamentos de causas conforme o valor a
elas atribuído. Também tem o valor da causa reflexo nas custas, que em função dele são calculadas.
Há outro aspecto a apontar. Por imposição do art. 20, a sentença condenará o vencido nos
honorários advocatícios, que são calculados com base na condenação, ou, inexistindo esta, no valor
atribuído à causa. Representativos que são da remuneração do profissional, devem ser justos, nem
exacerbados, nem irrisórios. Por isso, os honorários devem manter perfeita correlação não só com o
trabalho despendido, mas também com o benefício que a parte terá com o resultado da ação. Por
isso, o valor da causa não pode estar desatrelado desses parâmetros, ainda que se trate de direito
insuscetível de apreciação econômica.
Por fim, diga-se que, assim como já ocorre com o micro-sistema dos Juizados Especiais, há uma
tendência legislativa no sentido de se restringir a amplitude recursal para causas de valores menores.
Caso o réu entenda incorreto o valor atribuído à causa pelo autor, poderá impugná-lo, no prazo para
a resposta, em peça apartada, que será autuada em apenso, dando início a um incidente processual
que, todavia, não suspende o processo. Impugnado o valor da causa, o autor será ouvido em cinco
dias, decidindo o juiz nos dez dias seguintes, podendo se socorrer de perito, se necessário (art. 261).
21.2.6 As provas que serão produzidas
Menciona o inciso VI do art. 282 as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos
alegados.
A doutrina é unânime em entender que o requisito não significa a obrigatoriedade de o autor
expressar, desde logo, todos os itens de prova de que se valerá, mas tão-somente os meios de
prova. Ou seja, não é necessário que o autor diga quais os documentos que apresenta, até porque o
art. 397 autoriza a juntada posterior de documento novo, quando se refira a fato ocorrido após a
propositura da ação ou destinado a contrapor a outros produzidos pelas parte contrária.
Da mesma forma, não é compulsório o elenco das testemunhas, de plano, bem como, em se
cuidando de prova pericial, a expressa menção do objeto da perícia, ou a apresentação de quesitos,
exceto se se tratar de procedimento sumário. 0 que a norma impõe é a menção aos meios de prova,
não a sua especificação.
Todavia, já se entendeu que a falta de enumeração dos meios de provas de que o autor se valerá,
corri o mero protesto genérico, ocasiona preclusão, não sendo lícito o deferimento de provas
requeridas em outro momento procedimental.
21.2.7 Requerimento de citação do réu

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0 requisito do inciso VII do art. 282 é o requerimento para a citação do réu.

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A citação é ato processual de suma importância, porque completa a formação da relação jurídica
processual que se iniciou com a propositura da demanda mediante a distribuição da petição inicial.
Por essa razão, é requisito da petição inicial. Claro está que o legislador visou o processo
contencioso, pois nos procedimentos especiais de jurisdição voluntária inexiste litígio; logo, inexiste
réu, e por isso não há citação.
A jurisprudência se tem mostrado condescendente quanto à falta desse requisito. Se o juiz,
inadvertida ou intencionalmente, determina no despacho que recebe a petição inicial seja o réu
citado, o entendimento dominante é que, ainda que o réu alegue a falta do requisito, este está suprido
e não cabe o Indeferimento mormente porque não há prejuízo para o direito de defesa.
Em verdade, o que se exige é que o autor requeira não apenas a citação, mas que especifique qual o
meio para a citação do réu. 0 Código de Processo Civil dispõe art. 221) três meios de citação: pelo
correio, por oficial de justiça e por edital. Com a alteração havida com o advento da Lei 8.710/93, a
citação pelo correio deixou de ser exceção, somente sendo inadmissível (art. 222) nas ações de
estado, quando o citando for incapaz ou pessoa jurídica de direito público, nos processos de
execução, quando o endereço do réu não for atendido pelos correios, ou, ainda, quando o autor
expressamente requerer outro meio de citação.
Por isso, o requisito impõe que o autor especifique qual das três modalidades de citação requer,
justificando o motivo, caso entenda que não deva se dar pelo correio.
21.2.8 Encerramento
A praxe se consolidou em encerrar a petição inicial com a inclusão do nome da localidade, a data de
sua realização e a assinatura.do subscritor. Nada disso consta do elenco do art. 282 e, por isso, em
tese não poderia gerar indeferimento.
Quanto ao local e a data, realmente a sua falta não ocasiona qualquer conseqüência prática. Tanto
um quanto outro não interferem em nada com o ato processual. Pouco importa onde a petição inicial
seja redigida: a competência será fixada pelo local onde a demanda for proposta. Da mesma forma,
de nada vale a data nela expressada, pois é o momento da distribuição que surte os efeitos jurídicos
(como, por exemplo, o de interromper, ainda que precariamente, a prescrição).
0 mesmo não se pode dizer quanto à assinatura. 0 Código não exige expressamente, no art. 282,
mas é requisito da petição inicial, por ser inerente à prática de um ato processual. Embora seja
sensível a tendência de desformalização do processo, com a aceitação de validade de atos
praticados independentemente do respeito à forma pré-estabelecida,
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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