Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
130 pág.

Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

Disciplina:Direito Processual Civil I5.548 materiais461.554 seguidores
Pré-visualização47 páginas
o sistema processual ainda
exige que certos atos sejam praticados na forma escrita, e assinados. A assinatura do advogado é
imprescindível para a validade da petição inicial, até porque se trata de ato privativo de quem é
advogado.
21.3 Emenda à inicial

 107

Se a petição inicial não cumprir os requisitos do art. 282, ou não se mostrar suficientemente clara,
contendo aspectos obscuros de molde a impossibilitar o julgamento, o juiz mandará que o autor a

www.ResumosConcursos.hpg.com.br
Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

complemente ou esclareça, no prazo de dez dias, sob pena de indeferimento. A essa alteração da
petição inicial o art. 284 denominou emenda.
A emenda apresenta dupla função: ao mesmo tempo em que sc destina a esclarecer o juiz sobre os
elementos da causa, também se presta a dar ao réu amplitude em sua defesa, pois somente poderá
o réu exercê-la totalmente caso tenha perfeita apreensão do que está expresso na petição inicial.
É pacífico o entendimento, tanto doutrinário quanto jurisprudencial, no sentido de que o magistrado
pode determinar a emenda mais de uma vez. Acresça-se que é salutar. Se, utilizado o disposto no
art. 284, a emenda não satisfaz, pode e deve o juiz repetir o ato, ao invés de, simplesmente, utilizar-
se da extinção do processo. Esta deve ser evitada sempre que possível e admissível.
21.4 Indeferimento da inicial
0 indeferimento da petição inicial mostra um embate de valores. De um lado, não se pode perder de
vista que o processo, do qual a petição inicial é integrante, é instrumento e não um fim em si mesmo.
A instrumentalidade consiste, exatamente, em não se sacrificar o fim em homenagem ao meio. Não
interessa à jurisdição o encerramento prematuro do processo, sem a devida solução da situação
jurídica reclamada, seja ela conflituosa ou não, pois sempre que a jurisdição for provocada deve ela
atuar, regulando a vida social. Sob esse prisma, todos os componentes aproveitáveis devem ser
levados em conta, ainda que não constituam a melhor técnica, pois não se olvida que a parte espera
muito da jurisdição. 0 mais das vezes, coloca a parte todas as suas esperanças na decisão, e uma
sentença de extinção do processo sem julgamento do mérito é, no mínimo, frustrante. Sob todos os
aspectos: o litígio não foi solvido; a parte contrária se sente vitoriosa sem realmente o ser; a atividade
jurisdicional foi inútil.
A petição inicial é o elemento desencadeador de toda a atividade jurisdicional subseqüente. É ela que
dá início à formação do processo, que introduz a demanda em juízo, que leva ao conhecimento do
juiz uma relação jurídica que reclama a intervenção do Estado.
Por isso, a jurisprudência tem sido cautelosa, só admitindo o indeferimento da petição inicial quando
o vício que apresenta realmente se mostrar de tal monta que chegue a impossibilitar mesmo a
outorga da tutela jurisdicional.
0 indeferimento ocorrerá:
a) quando a inicial for inepta. 0 conceito de inépcia está atrelado ao pedido, pois o parágrafo único
do art. 295, em seus quatro incisos, atribui o vício de inépcia à inicial a que faltar pedido ou causa de
pedir, ou que contiver pedido juridicamente impossível, ou pedidos incompatíveis, ou ainda dos fatos
não decorrer logicamente o pedido. Evidencia-se, pois, o pedido como elemento central da petição
inicial.
b) por ilegitimidade de parte. Como a ilegitimidade nem sempre é verificável desde logo, esse
motivo de indeferimento só ocorrerá se a ilegitimidade for manifesta, saltando aos olhos que algum
dos integrantes da relação jurídica processual não pode sofrer as conseqüências da sentença.

 108

c) quando faltar interesse processual. Em sendo uma das condições para o exercício do direito de
ação, deve a petição inicial demonstrar o interesse processual, pois é mister que a atividade

www.ResumosConcursos.hpg.com.br
Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

jurisdicional seja, desde logo, prática e útil (e, por isso, adequado o meio escolhido), sem o que o
processo nem mesmo se instaurará.
d) se for verificável, desde logo, a ocorrência da decadência ou prescrição. Esses institutos
jurídicos têm o condão de impedir que a relação jurídica processual venha a se convalidar, por retirar,
de plano, a possibilidade de atuação jurisdicional sobre o caso. Todavia, também somente ocorrem
se for visualizável facilmente. Em relação à prescrição, quando se refere a direitos patrimoniais, não é
admissível o indeferimento liminar, carecendo de alegação por parte do interessado, por incidência do
art. 166 do Código Civil, e art. 219, § 5º, do Código de Processo Civil.
e) se não for adequado o procedimento escolhido. Essa causa de indeferimento tem sido
largamente abrandada pela jurisprudência, pelo entendimento de ser lícito ao juiz determinar, via
emenda, as alterações que se fizerem necessárias para o correto adequamento do rito.
f) quando não constar o endereço do advogado (art. 39) ou quando o autor não cumprir com a
determinação de emenda (art. 284).
Por fim, o lineamento dado ao art. 296 pela Lei 8.952/94 autoriza o juiz a reformar a sentença de
indeferimento da inicial, no prazo de quarenta e oito horas seguintes à apelação interposta,
exatamente pela razão exposta retro. Não interessa a ninguém a extinção prematura do processo.
Por isso, se as razões de recurso demonstrarem que a petição inicial pode cumprir com sua
finalidade, autorizado está o magistrado a, reformando sua sentença de indeferimento, determinar o
seguimento do processo.

 109

www.ResumosConcursos.hpg.com.br
Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

22. PEDIDO
SUMÁRIO:
22.1 Conceito
22.2 Classificação:

22.2.1 Pedido imediato;
22.2.2 Pedido mediato

22.3 Pedido: limitador da atividade jurisdicional
22.4 Certeza e determinação do pedido
22.5 Pedido genérico
22.6 Pedido cominatório
22.7 Pedido alternativo
22.8 Pedidos sucessivos
22.9 Pedido de prestações periódicas
22.10 Cumulação de pedidos
22.11 Aditamento ao pedido
22.12 Atualização monetária.
22.1 Conceito
0 legislador cuidou de, nos arts. 286 a 294, dar especial atenção ao pedido, porque não se trata de
mero requisito formal da petição inicial, mas propriamente da delimitação do objeto litigioso, da lide,
do mérito do processo.
0 pedido é o objeto da ação, vale dizer, é a demonstração da pretensão do autor, pois expressa o
desejo de recebimento de um provimento jurisdicional que seja apto a resolver a questão conflituosa.
Ou seja, o pedido é a solução que se pretende seja dada pela jurisdição à situação exposta. É aquilo
que o autor espera obter da atividade jurisdicional.
Assim, tanto pode objetivas o pedido uma providência que obrigue o réu a algo (condenação), ou
que declare a existência ou não de uma relação jurídica, ou que a altere (constituição ou
desconstituição).
0 pedido não só demonstra a vontade de demandar - pois, se a petição inicial é o instituto
desencadeador da atuação jurisdicional, é o pedido que expressa o anseio de alcançá-la -, como
também delimita exatamente, o resultado que o autor almeja da atividade jurisdicional.
Por isso, já se disse que o pedido é o modelo de sentença que o autor aguarda. 0 pedido delimita o
decisório, pois dentro dos limites do pedido há de conter-se a parte decisória da sentença.
22.2 Classificação
0 pedido pode ser visto sob dois distintos ângulos, que se mostram como um desdobramento do
mesmo fenômeno: pedido imediato e pedido mediato.

 110

www.ResumosConcursos.hpg.com.br
Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

22.2.1 Pedido imediato
Relativo ao resultado do exercício do
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
    0 aprovações
    Carregar mais