Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
130 pág.

Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

Disciplina:Direito Processual Civil I4.756 materiais434.321 seguidores
Pré-visualização47 páginas
lhes
deva cumprimento. Quer dizer, há regras, cujo cumprimento se impõe a todos, independentemente
da vontade. Trata-se de regras inderrogáveis pela vontade das partes. Assim, por exemplo, são
cogentes as regras relativas ao casamento. Aqueles que pretendam casar devem, necessariamente,
observar o conjunto de regras que disciplinam a matéria, não havendo qualquer possibilidade de
disporem diferentemente do que prevê, a respeito, o comando imperativo da lei. De nada adiantaria
que homem e mulher, pretendentes ao casamento, estipulassem condições, como a da duração do
vínculo matrimonial, dizendo que gostariam de manter o casamento pelo período de cinco anos, por
exemplo. Trata-se de regra impositiva, cogente, imperativa, de ordem pública, que não admite
qualquer tipo de disposição por parte da vontade humana.

 10

Já as normas facultativas, ou dispositivas, embora também devam ser cumpridas, podem ser
afastadas, nos limites permitidos pela própria lei, pela vontade das partes. Exemplo: a regra relativa
ao casamento prevê que, se não houver previa manifestação de vontade em contrário, no sentido da
escolha do regime de bens desejado por aqueles que se vão casar, o regime legal será o da
comunhão parcial. Desejando, todavia, os noivos, a adoção de outro regime de bens, podem,

www.ResumosConcursos.hpg.com.br
Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

mediante pacto antenupcial, afastar o regime legal, isto é, da regra geral, e optar por outro regime,
desde que também previsto pelo ordenamento.
2.3.2 Classificação quanto à natureza das regras jurídicas
À luz deste critério, se podem classificar as regras jurídicas em obrigações, deveres e ônus.
As obrigações consistem em atitudes que se devem tomar, sob pena de causar-se prejuízo ao outro
pólo da relação jurídica, e que deixam de ser exigíveis, desde que cumpridas. Se houver o
descumprimento da obrigação, entretanto, essa atitude omissiva dá margem ao nascimento de
pretensão, de que é titular aquele diante de quem se deveria ter cumprido a obrigação, que se pode
resolver mediante a condenação ao cumprimento da obrigação propriamente dita, à condenação a
uma prestação equivalente ou à indenização, em dinheiro. A definição de uma ou outra dessas
alternativas dependerá, sempre, do tipo de obrigação a que se tenha comprometido o inadimplente.
Se se tratar de obrigação de fazer ou de abster-se, há disposição expressa no art. 461 do CPC, que
será vista oportunamente, que permite ao juiz a concessão da tutela específica, ou seja, a
condenação do réu a fazer exatamente aquilo a que se havia comprometido pelo contrato. Exceção a
esse tipo de obrigação (fazer e não fazer), a regra geral é a da conversão em valor monetário, que o
inadimplemento será condenado a pagar ao outro contratante (genericamente, ao outro pólo da
relação jurídica obrigacional).
Se X firma o compromisso de entregar determina coisa fungível a Y, o cumprimento dessa obrigação
determinará seu exaurimento, sua imediata extinção, ao passo que o inadimplemento fará com que
nasça, para o credor Y, o direito ao recebimento do equivalente em dinheiro.
Diferentemente das obrigações, as normas caracterizadas como dever não se esgotam com o seu
cumprimento. Ao contrário, exigem dos obrigados ao seu cumprimento contínua vigilância, cujo
relaxamento, representado pelo descumprimento do dever, determina o lançamento de penalidade
consistente em multa. Esta, por sua vez, constitui verdadeira punição ao faltoso no cumprimento do
dever.
Já os ônus, conquanto também consistam em condutas transitórias, determinam, em decorrência de
seu desatendimento, que recaia a conseqüência desse comportamento sobre o próprio faltoso, não
causando qualquer tipo de prejuízo para o outro pólo da relação jurídica.
A grande maioria das regras processuais, são consistentes em ônus para a parte (autor ou réu), cujo
descumprimento somente desfavorece aquele que deveria cumpri-Ias. Veja-se, como exemplo, o
ônus do réu, no sentido de responder aos termos da petição inicial utilizada pelo autor. Desatendida a
regra que permite ao réu defender-se das alegações do autor, é sobre ele que recairão as
conseqüências de sua inércia.
2.3.3 Características das normas processuais
Vistos esses pontos, é possível traçar algumas conclusões a respeito das normas jurídicas que
disciplinam o objeto deste curso, que é o direito processual civil.

 11

www.ResumosConcursos.hpg.com.br
Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

Em primeiro lugar, é forçoso concluir que as regras processuais não são de direito material, porque
todas as normas processuais dizem respeito a atividades jurisdicionais, que ocorrem, portanto, no
processo.
Depois, conclui-se que se trata de normas de direito público, e não de direito privado, pois dizem
respeito ao regramento da relação jurídica (de natureza processual) que se estabelece entre autor,
réu e Estado (Poder Público) representado na pessoa do juiz, que exerce a jurisdição, uma das três
funções decorrentes da soberania do Estado.
Esse caráter público das regras processuais fica evidenciado, portanto, porque se trata de regras que
regulam as atividades de organismos estatais, encarregados da prestação jurisdicional.
Quanto ao grau de obrigatoriedade das normas, temos que o direito processual é composto
preponderantemente de regras cogentes, imperativas ou de ordem pública, isto é, normas que não
podem ter sua incidência afastada pela vontade das partes.
Quando as partes optam pelo arbitramento, estão escolhendo um mecanismo alternativo ao processo
judicial usual, desenvolvido perante o Poder Judiciário, mas, nem por isso, como já se viu, estão
afastando as regras processuais que regulam a atividade voltada a resolver a lide. 0 que fazem,
nessa hipótese, é, apenas e tão-somente, servir-se das regras processuais próprias do sistema
arbitral, que também não podem afastar por sua vontade.
Assim, se a coisa julgada material havida no processo judicial obriga as partes à sua estrita
observância, esse efeito que se agrega à sentença também ocorre no juízo arbitral, não podendo as
partes, porque se trata de juízo arbitral, dispor a respeito das regras processuais a ele pertinentes. 0
que se faz, em resumo, é optar entre as regras de ordem pública do processo judicial e as regras de
ordem pública do processo arbitral.
No que diz respeito à sua natureza, pode dizer-se que a grande maioria das normas processuais,
notadamente aquelas que regem as atividades das partes, consistem em ônus. Desse modo, se num
processo em que A é autor e B é réu, se este último deixar de responder ao ônus de contestar, p
juízo não haverá para A, mas sim para o réu próprio B, que ao desatender ao ônus de responder ao
pedido do autor, terá contra si, regra geral, nos termos do art. 319 do CPC, os efeitos da revelia. Por
outro lado, se B, nesse mesmo exemplo, cumprir os ônus de se defender, estarão estes esgotados,
não remanescendo qualquer seqüela.
Há poucos deveres no âmbito das leis processuais civis. Dentre esses, destacam-se os deveres de
lealdade e de urbanidade, previstos, respectivamente, nos arts. 14 e 15 do CPC.
2.4 Autonomia epistemológica do direito processual civil
A doutrina têm gasto expressiva carga de energia em tomo da discussão sobre a autonomia do direito
processual civil. As formulações teóricas de Oskar von BüIlow, no século XIX, foram a base da
autonomia do processo em relação às regras de direito material.

 12

www.ResumosConcursos.hpg.com.br
Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

0 que importa destacar, entretanto, passando ao largo de toda a história do direito processual civil e
de sua antiga vinculação ao direito civil, é que
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
    0 aprovações
    Carregar mais