Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

Disciplina:Direito Processual Civil I5.703 materiais466.373 seguidores
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direito de ação, o pedido imediato é a solicitação de tutela
jurisdicional, ou seja, a espécie de providência que o autor deseja obter. 0 pedido imediato é dirigido
ao Poder Judiciário, porque a este incumbe a prestação jurisdicional. Assim, ao formular o pedido,
busca o autor, imediatamente, obter um provimento, que tanto pode ter natureza declaratória, como
representar uma imposição de uma obrigação ao réu condenatória, ou mesmo alcançar a relação
jurídica, alterando, criando ou extinguindo-a (constitutiva).
Por isso o pedido imediato define a natureza da ação e delimita o modo como será obtido o
julgamento incidente sobre a situação reclamada.
22.2.2 Pedido mediato
0 pedido mediato diz respeito ao específico bem da vida que se pretende obter através da ação, em
face do réu a quem é dirigida", É ele que expressa o direito (material) que o autor alega ter, e que o
processo conduz e objetiva realizar. Também é, como adiante se verá, o elemento delimitador da
atuação jurisdicional, definindo qual o conteúdo e o alcance do provimento jurisdicional pleiteado.
22.3 Pedido: limitador da atividade jurisdicional
Os arts. 128 e 460 expressam a que a doutrina denomina de princípio da congruência, ou da
correspondência, entre o pedido e a sentença. Ou seja, dado o princípio dispositivo, é vedado à
jurisdição atuar sobre aquilo que não foi objeto de expressa manifestação pelo titular do interesse.
Por isso, é o pedido (tanto o imediato como o mediato) que limita a extensão da atividade
jurisdicional.
Assim, considera-se extra-petita a sentença que decidir sobre pedido diverso daquilo que consta da
petição inicial. Será ultra-petita a sentença que alcançar além da própria extensão do pedido,
apreciando mais do que foi pleiteado. E é infra-petita a sentença que não versou sobre a totalidade
do pedido, apreciando apenas parcela dele, sem, todavia, julgar tudo quanto tenha sido expressado
no pedido.
Claro que a limitação da sentença também diz respeito indiretamente à causa de pedir, pois, ao
analisar o pedido, necessariamente deverá o julgador ter em vista os fatos e os fundamentos que lhe
dão sustentáculo. Se a causa de pedir não integra o pedido, certamente o identifica. Assim, também é
vedado ao juiz proferir sentença fundada em outra causa de pedir que não a constante da petição
inicial.
22.4 Certeza e determinação do pedido

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0 art. 286 estabelece a regra de que o pedido deve ser certo ou determinado, mas a doutrina,
unanimemente, revela que não são expressões excludentes. Portanto, o pedido deve ser certo e
determinado.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

A certeza diz respeito à clareza do pedido, que deve ser expresso, não se admitindo pedido implícito,
tanto no tocante ao tipo de provimento almejado (pedido imediato) como a qual bem da vida se
espera obter (pedido mediato). Já a determinação refere-se aos limites daquilo que o autor pretende,
demonstrando sua extensão. 0 pedido deve ser determinado, ou ao menos determinável.
A certeza e determinação do pedido são necessários não apenas porque a jurisdição não pode atuar
sobre hipóteses ou dúvidas, mas também para a exata fixação do objeto litigioso, o que tem reflexos
importantes em outros institutos processuais, como a coisa julgada, a litispendência e a perempção.
Além disso, a certeza e determinação do pedido são decorrência natural da causa de pedir, sendo
inepta a petição inicial, cujo pedido não contiver correlação lógica com os fatos narrados (art. 295,
parágrafo único, II).
22.5 Pedido genérico
A certeza é condição tanto do pedido imediato quanto do mediato, sendo impossível admitir-se
pedido incerto. Quanto à determinação, o pedido imediato sempre deverá ser determinado, pois a
genericidade que o Código admite não se refere ao tipo de provimento solicitado, o qual necessita
estar expressamente esclarecido já ao início do processo.
Quanto ao pedido mediato, este deverá ser determinado quando a extensão do bem da vida
postulado puder, desde logo, ser delimitada.
Todavia, pode o pedido mediato, quando não determinado, ser determinável, se tal fixação for
impossível no momento da propositura da demanda. A isto o Código chamou de pedido genérico.
A genericidade, pois, não significa indeterminação absoluta. Não é admissível a formulação de pedido
totalmente desatrelado de parâmetros de determinação. 0 que se admite é que a determinação
ocorra em momento posterior, pois a sentença obtida de pedido genérico, ilíquida, será
posteriormente liquidada, como se verá oportunamente.
0 art. 286 autoriza a formulação de pedido genérico nas seguintes hipóteses:
I) nas ações universais, assim entendidas aquelas que versam sobre direitos referentes a
universalidades, como ocorre, por exemplo, com a herança. Se não for possível ao autor especificar,
desde logo, quais os bens integrantes da universalidade que pretende para si, é lícito pedir a parcela
que por direito lhe toca, pois estará apresentando pedido certo, cuja amplitude será verificável
quando for possível a individuação de todos os bens que integram a herança.
II) nas conseqüências de ato ou fato ilícito, porque é possível um desdobramento dessas
conseqüências, com o tempo, impossível de ser aferido já de plano. Se, por exemplo, busca-se a
indenização por um atropelamento, é possível que somente após o término do tratamento médico a
extensão dos danos físicos sejam apuráveis, e, mesmo, se as seqüelas provenientes do acidente
serão ou não irreversíveis.

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III) quando a extensão da condenação depender de ato a ser praticado pelo réu. Há situações
em que, dependendo da conduta do réu, a extensão do pedido sofra variação, como, por exemplo,

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ocorre na ação de prestação de contas proposta por quem tem o direito de exigi-Ias (art. 914, 1). A
verificação do saldo credor depende das contas a serem apresentadas, e ao autor é impossível
precisar, já na petição inicial, o montante desse saldo.
Somente nesses casos se admite pedido genérico, e, correlatamente, somente nesses casos é
permitido ao juiz proferir sentença ilíquida, (art. 459, parágrafo único).
22.6 Pedido cominatório
Quando o pedido consistir na condenação do réu a não praticar algum ato, ou tolerar alguma
atividade, ou ainda na prestação de obrigação de fazer de natureza personalíssima (que não pode
ser prestada por terceiro), é lícita a cumulação de um preceito cominatório (art. 287), ou seja, a
cominação de uma pena pecuniária para o caso eventual de descumprimento da determinação.
Trata-se, é evidente, de pedido subsidiário, já que o pedido principal é a condenação, mas que visa a
impedir a frustração daquilo que o autor visa a obter, na medida em que a sanção pecuniária mostra-
se como meio coercitivo para o cumprimento da obrigação imposta.
22.7 Pedido alternativo
0 art. 288 determina que o autor formulará pedido alternativo sempre que a natureza da obrigação
expressada no pedido for alternativa, ou seja, quando o devedor puder cumpri-Ia de mais de um
modo e quando a escolha lhe couber.
Nas obrigações alternativas, a regra é que a escolha cabe ao devedor art. 884, caput, do Código
Civil), somente ocorrendo de modo diverso se expressamente previsto no contrato. Por esse motivo,
inadimplida a obrigação, não pode o autor exigi-Ia apenas no modo que mais lhe interessa, sendo
mister expressar os diversos modos pelos quais o devedor pode adimplir. Aliás, mesmo que o autor
não formule pedido alternativo, quando a escolha couber ao devedor, o juiz assegurará o seu direito
ao cumprimento por um ou outro modo (art. 288, parágrafo único).
22.8
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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