Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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Pedidos sucessivos
0 art. 289 autoriza a formulação de mais de um pedido, em ordem sucessiva. É a denominada
cumulação eventual, onde o autor expressa uma seqüência de pedidos, em uma verdadeira escala
de interesses.
Em primeiro lugar, formula o autor o pedido principal (subordinante), a ser conhecido em primeiro
plano, que representa aquilo que primordialmente anseia (ou que lhe é mais interessante obter), e,
em seguida, um ou alguns pedidos subsidiários (subordinados), em ordem decrescente de interesse,
para a eventualidade de o primeiro não ser acolhido. Aquilo que efetivamente representa o anseio de
obtenção do autor está no pedido primeiramente formulado, somente se contentando o autor com
algum dos demais, se o mais importante (ou mais interessante) não puder ser realizado.

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Assim, cumpre ao juiz analisar o pedido principal, e, somente na hipótese de não ser possível
concedê-lo, passar ao julgamento dos subsidiários, também em ordem sucessiva, sempre apreciando
o subseqüente, na circunstância de não poder acolher o antecedente.
Acumulação eventual tanto pode ocorrer em razão de uma impossibilidade material em obtenção do
pedido, como também no próprio desacolhimento deste. Pode-se postular a devolução da coisa ou,
caso esta não mais exista, o seu equivalente em dinheiro; como pode-se pedir a anulação ou
declaração de nulidade do casamento ou, na eventualidade de ser negada, ser expressado pedido
subsidiário de separação judicial litigiosa.
Claro está que a lógica da sucessão de pedidos impõe a existência de um pedido principal,
subordinante, ao qual os demais se sucederão (subordinados), sob pena de ter-se petição inicial
inepta. E, dada a prejudicialidade, atendendo-se a um dos pedidos, os subseqüentes
necessariamente estão afastados.
22.9 Pedido de prestações periódicas
Nas relações jurídicas de trato sucessivo, ou seja, aquelas em que as prestações são periódicas
(como ocorre com os aluguéis, os alimentos etc.), o Código admite pedido implícito (art. 290). Mesmo
que não haja expressa menção no pedido, serão as prestações periódicas incluídas, todas, na
sentença. Vale dizer, a sentença abrangerá não somente as prestações vencidas ao tempo da
propositura da demanda, como também as que se vencerem durante o curso do processo e, mesmo,
as vincendas (enquanto durar a obrigação), ressalvado, quanto a estas, que a execução só se
viabilizará nos respectivos vencimentos e desde que não espontaneamente adimplidas.
A finalidade da norma é evitar que sucessivas demandas sejam propostas para obtenção da mesma
coisa, pois, afinal, a gênese das prestações sucessivas é uma só.
22.10 Cumulação de pedidos
0 art. 292 permite que o autor cumule, na mesma ação, mais de -.ri pedido em face do mesmo réu.
Na verdade, trata-se de cumular mais de uma ação contra o mesmo réu, pois, já que cada pedido
autoriza uma ação independente, realmente existem tantas ações quantos forem os pedidos.
Assim é em homenagem ao princípio da economia processual. Se o autor busca a tutela jurisdicional
e tem mais de um pedido a formular contra o mesmo réu, ainda que entre eles não haja relação, seria
por demais formalístico exigir que, para cada pedido, exercitasse uma ação diferente, já que todas as
situações reclamadas podem ser conhecidas e dirimidas em um único processo.
Todavia, o § 1º do art. 292 exige, para acumulação, os seguintes requisitos:
I) compatibilidade.
Diversamente do que ocorre na cumulação eventual (ordem sucessiva de pedidos), caso em que o
atendimento a um deles exclui o do outro, a cumulação propriamente dita exige que os pedidos
cumulados não sejam excludentes, porque todos poderão ser atendidos. Assim, não é possível pedir
a restituição da coisa e o pagamento do preço, porque uma coisa exclui a outra.

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II) competência.
Já que todos os pedidos cumulados serão conhecidos (sob pena de nulidade da sentença), é mister
que o juízo seja competente para todos. Se se tratar de competência absoluta, acumulação está
vedada. Se relativa, é possível acumulação, face o fenômeno da prorrogabilidade.
III) procedimento adequado.
Não cabe ao autor escolher o procedimento que melhor conforta sua pretensão. Compete-lhe,
apenas, adequar a ação ao procedimento previsto. Por isso, se os diversos pedidos tiverem de seguir
procedimentos distintos, acumulação está afastada, exceto se o autor abrir mão das peculiaridades
que o procedimento sumário ou especial lhe outorga, optando em formular todos os pedidos sob o
procedimento comum ordinário (art. 292, § 2º). Todavia, jamais será viável a cumulação quando os
pedidos houverem de ser formulados em processos distintos. Assim, impossível cumular pedido
cautelar em procedimento comum.
22.11 Aditamento ao pedido
Enquanto não se realizar a citação, a relação jurídica processual é ainda linear, pois o processo ainda
não completou sua formação. Por isso, o art. 294 autoriza o aditamento do pedido, até a citação, sem
que isso represente qualquer prejuízo ao réu, que, ao ser citado, necessariamente terá ciência do
pedido já alterado. 0 aditamento pode consistir em alteração do que anteriormente havia sido
formulado ou no acréscimo de outros pedidos (cumulação).
Após a citação, também é possível a alteração do pedido ou da causa de pedir, mas o aditamento
necessita da anuência do réu (art. 264). Todavia, encerrada a fase postulatória, com o saneamento
ocorre a estabilização do processo, sendo vedada qualquer alteração (art. 264, parágrafo único).
22.12 Atualização monetária
0 art. 293 dispõe que serão compreendidos no principal os juros legais, nada estabelecendo acerca
da atualização monetária. Todavia, a jurisprudência tem entendido como implícita no pedido a
inclusão da atualização, até porque a Lei 6.899/81, em seu § 1º). determina a sua incidência sobre
qualquer débito resultante de decisão judicial.

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23. CITAÇÃO
SUMÁRIO:
23.1 Conceito
23.2 Efeitos da citação
23.3 0 comparecimento espontâneo do réu
23.4 A pessoalidade
23.5 Local onde se realiza a citação
23.6 Casos em que a citação não se realiza
23.7 Classificação.
23.1 Conceito
A relação jurídica processual começa a formar-se com o ato de propositura da demanda, mediante
distribuição ou despacho na petição inicial, mas nesse ato tem ela configuração ainda angular,
ligando apenas autor e juiz. Já apresenta alguns efeitos, é certo, mas ainda não se encontra
completada, pela ausência do réu, que ainda não teve ciência da demanda contra si proposta.
Somente com a citação, a relação jurídica processual assume a configuração triangular.
0 art. 213 define citação como "o ato pelo qual se chama ajuízo o réu ou o interessado a fim de se
defender". É, pois, ato de cientificação, de comunicação ao réu, para que possa ele exercer o direito
de defesa, direito este constitucionalmente assegurado (Constituição Federal, art. 5º, LV).
Quando a jurisdição atua em sua destinação específica, que é a de resolver os conflitos de
interesses, é impossível a existência de processo sem citação, porque nenhum efeito surtirá a
sentença, sem que tenha sido proporcionado ao demandado a oportunidade de se defender. A isso, a
doutrina denomina princípio da bilateralidade da audiência, ou seja, a impossibilidade de atuação
jurisdicional. sem que se assegure ao réu a oportunidade de se fazer ouvir. Por isso, dispõe o art.
214 que 11 para a validade do processo é indispensável a citação inicial
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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