Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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do réu".
Todas as modalidades de atuação jurisdicional exigem, para a validade do processo, a citação, seja
atividade cognitiva, cautelar ou executiva.
23.2 Efeitos da citação
A citação validamente efetuada produz os seguintes efeitos art. 219):
I) torna prevento o juízo.

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A prevenção é a fixação da competência para um único juízo, quando existir mais de um com igual
competência para julgar causas que por algum motivo devam ser reunidas, como, por exemplo, as
continentes ou as conexas. Há duas maneiras de se determinar a prevenção: a prevista no art. 106,
que ocorre quando as ações são propostas perante juízos da mesma comarca, quando, então,
prevento será aquele que em primeiro lugar tiver despachado; e a mencionada no art. 219, que diz
respeito às ações propostas em comarcas distintas. Nesta hipótese, fixa-se a competência na
comarca onde primeiro se realizar a citação.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

A expressão "coisa" deve ser entendida como o bem jurídico sobre o qual controvertem as partes.
Ocorrendo a citação válida, fica o bem ou o direito vinculado ao processo, devendo ser submetido a
seu resultado. Na hipótese de alienação, a título particular, não ocorre sucessão das partes (exceto
com a anuência da parte contrária), podendo o (adquirente) ou cessionário, todavia, intervir como
assistente do alienante ou cedente. A litigiosidade, decorrente da citação válida, faz manter o bem
jurídico atrelado ao deslinde da causa, e apenas excepcionalmente estende os efeitos subjetivos da
coisa julgada, alcançando o adquirente ou cessionário (art. 42 e seus parágrafos).

II) induz litispendência.
Conquanto o art. 301, § 3º, 1.a frase, mencione que "há litispendência, quando se repete ação, que
está em curso", litispendência, no sentido em que a expressão é usada no art. 219, significa lide
pendente. Quando há processo em curso, há litispendência, porque a lide, preexistente ao processo,
foi trazida pelo autor, no exercício do direito de ação.
Só se considera haver processo em curso após a citação. Daí resultar que é com a citação, e não a
propositura da ação, que a lide toma-se pendente.
III) faz litigiosa a coisa.

Além disso, a litigiosidade obriga as partes a manter a coisa no estado em que se encontra no
momento da citação válida. Qualquer alteração ilegal no estado de fato é considerada atentado art.
879, 111), podendo a parte que o praticar ser condenada em perdas e danos sofridos em decorrência
da alteração, além do restabelecimento do estado anterior.
IV) constitui em mora.
Quando a obrigação tem vencimento certo, o inadimplemento no termo constitui em mora o devedor.
Todavia, se não há prazo assinado, a citação válida equivale à interpelação (art. 960 do Código Civil),
surtindo um efeito material, e não processual, qual seja a constituição em mora.
V) interrompe a prescrição.
É a citação válida que ocasiona a interrupção da prescrição. A interrupção retroage à data da
propositura da ação, desde que a citação ocorra nos prazos previstos nos parágrafos 2.' e 3º, (dez
dias subseqüentes ao despacho que ordenar a citação, prorrogável por até noventa dias). Ocorrendo
a citação fora desses prazos, por fato imputável à parte, a interrupção ainda pode ocorrer (se a
prescrição ainda não se consumou), mas não retroagirá à data da propositura da ação.
Tratando-se de direitos não patrimoniais, a análise da ocorrência ou não da prescrição pode se dar
de ofício. Assim, pode ocorrer de o juiz, antes mesmo de mandar citar o réu, reconhecer a prescrição
e indeferir a petição inicial (art. 295, IV, última parte). Nessa hipótese, como o réu não terá tido
ciência da propositura da ação, transitada em julgado a sentença de indeferimento, o escrivão dará
ciência ao réu do resultado do julgamento.
23.3 0 comparecimento espontâneo do réu

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A citação válida é ato indispensável para a validade do processo. Sua importância é tanta que, não
havendo citação ou sendo nula, nenhum efeito produzirá a sentença eventualmente proferida em tal
processo. 0 réu, nessa hipótese, poderá argüir a falta ou nulidade de citação a qualquer tempo, até
mesmo em embargos à execução (art. 741, 1), independentemente de ação rescisória.

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Todavia, determina o parágrafo primeiro do art. 214 que "o comparecimento espontâneo do réu
supre, entretanto, a falta de citação". Tanto a falta quanto a nulidade, como se verá.
Embora a citação seja ato processual que apresenta requisitos específicos, sua finalidade essencial é
de dar ciência ao réu que a demanda foi proposta. Se por outro modo a ciência chegou ao
destinatário, e por isso houve o comparecimento espontâneo, não há necessidade de se realizar a
citação, a falta estará suprida.
Mas o comparecimento espontâneo do réu pode ocasionar conseqüências diversas. Se comparece e
exercita a defesa, tanto a falta quanto a nulidade da citação deixam de produzir qualquer efeito, pois
o réu, com a defesa, demonstrou ter tido conhecimento da propositura da demanda e agiu, como se
citação válida tivesse havido.
Mas o réu pode comparecer apenas para alegar a nulidade da citação. A nulidade pode ocorrer tanto
porque a modalidade escolhida não corresponde aos pressupostos fáticos, como, por exemplo, o réu
não se encontrar em local incerto e ter sido escolhida a citação por edital, como também quando,
embora correta a modalidade, tenha faltado algum dos requisitos exigidos em lei. Nessa
circunstância, cumpre ao juiz analisar o vício da citação e decretar sua nulidade, considerando-se
como realizada a citação na data em que o réu ou seu advogado tiverem sido intimados da decisão
que decretou a nulidade, para só então abrir-se o prazo para resposta, sem necessidade de nova
citação.
23.4 A pessoalidade
A citação deve ser feita pessoalmente ao réu (art. 215). Todavia, quando o réu for menor impúbere,
será feita ao seu representante legal; quando se tratar de menor púbere, tanto o réu quanto o
representante legal deverão ser pessoalmente citados. Também é válida a citação feita ao procurador
com poderes específicos para receber citação.
Como exceção, admite-se a citação do réu na pessoa de seu mandatário, administrador, feitor ou
gerente, mas apenas para a hipótese de a ação versar sobre atos por estes praticados, e desde que
o réu esteja ausente (§ 1º). Ainda, excepcionalmente, aceita-se a citação feita na pessoa daquele
que estiver recebendo os aluguéis, quando o locador ausentar-se do país sem deixar procurador
conhecido (§ 2.0).
Nessas hipóteses, a citação assim realizada é considerada válida e, na eventualidade de inexistir
contestação, não é dado curador ao revel.
23.5 Local onde se realiza a citação
Embora cumpra ao autor fornecer o endereço do réu, para a realização da citação, esta pode ocorrer
em qualquer lugar onde o réu seja encontrado art. 216, caput). Se, por exemplo, o oficial de justiça
tiver conhecimento de outro local onde encontrar o réu, que não a residência ou domicílio deste, e aí
citá-lo, isto não anula a citação realizada.

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0 parágrafo único do art. 216 autoriza a citação do militar da ativa na unidade onde está servindo,
desde que desconhecida sua residência ou, mesmo que conhecida, nela não for encontrado.
23.6 Casos em que a citação não se realiza
0 Código aponta duas situações em que a citação não deve se realizar:
I) por respeito à dignidade humana (art. 217). Não se realizará a citação, exceto para evitar o
perecimento do direito, daquele que estiver
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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