Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

24. TUTELA ANTECIPADA
SUMÁRIO:
24.1 Noções gerais e requisitos
24.2 Diferenças e semelhanças entre tutela cautelar e tutela antecipatória:

24.2.1 Generalidades;
24.2.2 Exeqüibilidade

24.3 Características da antecipação de tutela:
24.3.1 Pedido - Iniciativa do autor;
24.3.2 Contexto procedimental;
24.3.3 Veículo para a concessão da medida;
24.3.4 Reversibilidade;
24.3.5 Revogabilidade;
24.3.6 Impugnabilidade;
24.3.7 Tutela antecipatória: contra a Fazenda Pública.

24.1 Noções gerais e requisitos
A antecipação de tutela vem prevista no art. 273 do CPC, com a sua nova redação, determinada pela
Lei 8.952/94. Trata-se de uma das mais expressivas e polêmicas inovações trazidas por aquilo que
se convencionou chamar de A Reforma do CPC.
Quer na hipótese de aplicação do inc. I, quer na do inc. II, é necessário que a parte apresente prova
inequívoca da verossimilhança das alegações que faz.
0 juiz, pois, para conceder ou não o pedido formulado pelo autor no sentido de que sejam
antecipados os efeitos da tutela pretendida, ou alguns deles, deve verificar se os requisitos previstos
no art. 273 e em seus incisos, ou só num deles, estão presentes na situação.
Trata-se de uma inovação corajosa, em que o legislador assumiu o risco de permitir que o juiz profira
decisão com base em prova não exauriente.
0 conceito de prova não exauriente (fumus boni iuris ou provê quantum satis) é correlato ao de
cognição sumária ou superficial, Nestas hipóteses, o juiz tem uma forte impressão de que o autor tem
razão mas não certeza absoluta, como ocorre na cognição exauriente.
Esse risco é, por assim dizer, compensado com a exigência expressa e explícita no sentido de que a
decisão, que concede a medida, seja fundamentada de modo claro e preciso e de que também o seja
a decisão que modifique ou revogue aquela anteriormente proferida (art. 273, §§ 1º e 4º).
Hoje, à luz dos valores e das necessidades contemporâneas, se entende que o direito à prestação
jurisdicional. é o direito a uma prestação efetiva e eficaz. Na verdade, pouco importa se tenha sido
concedida por meio de sentença transitada em julgado.

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É, de fato, interessante observar que um mesmo princípio jurídico possa comportar diferentes
leituras, possa ter diversos significados ao longo do tempo.

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0 princípio da inafastabilidade do controle da jurisdição, de que decorre o direito à prestação da tutela
jurisdicional, está hoje formulado expressamente no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal.
Por isso é que se afirma, com acerto, que a tutela antecipatória: consiste em fenômeno processual
de raízes nitidamente constitucionais, já que, para que seja plenamente aplicado o princípio da
inafastabilidade do controle jurisdicional, é necessário que a tutela prestada seja efetiva e eficaz.
A função da tutela antecipatória: é a de tomar a prestação jurisdicional efetiva. A necessidade dessa
efetividade é a contrapartida que o Estado tem que dar à proibição da autotutela.
A função da tutela cautelar é a de gerar tutela jurisdicional eficaz.
Na clássica definição de Chiovenda, tem-se que o processo será efetivo se for capaz de proporcionar
ao credor a satisfação da obrigação como se ela tivesse sido cumprida espontaneamente e, assim,
dar-se ao credor tudo aquilo a que ele tem direito.
A eficácia do provimento jurisdicional é a possibilidade de a decisão produzir transformações no
mundo empírico, no plano real e concreto dos fatos, com o objetivo de gerar a satisfação do credor.
Portanto, pode-se concluir que também a tutela cautelar tem fundamento constitucional.
É intuitivo que garantir às pessoas a tutela jurisdicional e prestar-lhes tutela inefetiva e ineficaz é
quase o mesmo que não prestar a tutela.
A tendência vem sendo, ao longo do tempo, e principalmente nos últimos 30 anos, a de criar meios
para que o processo possa gerar resultados mais rapidamente.
As alterações introduzidas no CPC pela reforma envolveram, sem dúvida, certa dose de risco.
A tutela antecipada, tal qual insculpida no art. 273 do CPC, consiste indubitavelmente numa das
alterações mais importantes introduzidas pela Reforma do CPC.
Exige-se, para antecipação de tutela, uma veemente aparência de bom direito, somada, no caso do
art. 273, 1, ao periculum in mora, ou seja, ao perigo de que, não sendo concedida a medida, venha
a decisão final a ser ineficaz, ou haja grande risco de isto ocorrer. No caso do art. 273, 11, exige-se,
ao lado do fumus boni iuris, que haja defesa protelatória ou abuso do direito de defesa. Trata-se de
uma quase inexorabilidade diante da situação de uma real prova inequívoca da verossimilhança do
direito.
24.2 Diferenças e semelhanças entre tutela cautelar e tutela antecipatória:
24.2.1 Generalidades
0 fenômeno da antecipação de tutela não é propriamente novo no Direito brasileiro. Novidade é o
disposto no art. 273, que em princípio estende a possibilidade de se anteciparem os efeitos do
provimento jurisdicional final em todo o tipo de processo ou procedimento.

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Embora conserve seu caráter excepcional, alteraram-se, sem dúvida, de modo significativo, as
dimensões desta excepcionalidade.
Antes já havia, porém, por exemplo, as ações possessórias, em que se antecipavam à parte, que
demonstrava fumus, os efeitos da sentença prescindindo-se da prova de periculum in mora. Por
meio das ações possessórias, diferentemente do que ocorre com as medidas de índole cautelar, não
se protegem os direito que correm risco.
Outras medidas já havia no sistema positivo brasileiro, que, embora tivessem como pressuposto o
periculum in mora, consistiam efetivamente no adiantamento da própria tutela. Tais já eram, de
regra, embora não necessariamente, as liminares no mandado de segurança, na ação declaratória,
de inconstitucionalidade, na ação civil pública.
Essas medidas, pois, consistiam, segundo o que nos parece, em medidas mistas, já que têm como
pressuposto o periculum in mora (risco de ineficácia do provimento final), que é característica
tipicamente cautelar, mas que, por outro lado, consubstanciam-se no adiantamento dos efeitos da
própria tutela pretendida.
A tutela antecipatória: pura é a que protege o direito evidente. Há, assim, o fumus (forte, robusto,
veemente) e não precisa necessariamente haver o periculum. É o que hoje se prevê no art. 273, 11,
do CPC, tendo o art. 273, 1, cogitado de hipótese que chamaríamos, corno dissemos antes, de tutela
antecipatória: mista: antecipa-se sob o fundamento de fumus e de periculum in mora. 0 mesmo
ocorre com os arts. 84, § 3º, do CDC, e 41 do CPC.
Trata-se de tutela satisfativa no sentido de que o que se concede ao autor liminarmente coincide, em
termos práticos e no plano dos fatos (embora reversível e provisoriamente), com o que está sendo
pleiteado principalmente.
É importante que se observe que a expressão satisfatividade comporta vários sentidos. Um deles é o
que se mencionou acima. Outro diz respeito à irreversibilidade da medida concedida, no plano
empírico. Outro, ainda, está ligado a prescindibilidade da ação principal (ou de outra decisão,
posterior, que confirme ou infirme a medida concedida).
Só no primeiro sentido é que se pode considerar satisfativa a tutela antecipatória:
A decisão interlocutória, através da qual o juiz antecipa os efeitos da tutela pleiteada, é provisória,
baseada em cognição sumária, e passível de ser posteriormente
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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