Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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confirmada ou infirmada.
0 art. 273 contém duas expressões aparentemente inconciliáveis, mas que não querem senão dizer
que o fumus, para que possam ser adiantados os efeitos da sentença final, há de ser mais robusto,
mais veemente, mais expressivo do que aquele exigido para a concessão de liminar em ação
cautelar.
E a razão evidente dessa diferença de graus consiste em que o caráter de excepcionalidade das
decisões liminares, através das quais se concede tutela antecipatória: no processo de
conhecimento, parece ser efetivamente muito mais acentuado do que o das decisões liminares
proferidas no bojo de ações cautelares.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

A probabilidade de que o autor tenha mesmo o direito que assevera ter há de ser bastante acentuada
para que possa ser concedida a tutela antecipatória: Disse o legislador que da verossimilhança deve
haver prova cabal (não do direito).
Trata-se, todavia, de cognição sumária, incompleta, não exauriente.
Este é o principal ponto em comum entre ambas as medidas, a cautelar e a antecipatória: de tutela.
Como traço distintivo predominante não temos dúvida de que este reside no pressuposto e na
correlata finalidade da medida cautelar: seu pressuposto é o periculum in mora (risco de dano à
eficácia da providência pleiteada), e sua finalidade ou função é a de evitar ou a de minimizar este
risco. A tutela antecipatória: pressupõe direito que, desde logo, aparece como evidente e que por
isso deve ser tutelado de forma especial pelo sistema.
Existe, todavia, um outro critério de que freqüentemente tem lançado mão a doutrina, que, no nosso
entender, não é o principal. É justamente o da satisfatividade (no sentido da coincidência entre a
providência adiantada e aquilo que de fato se quer, isto é, o mérito).
Medida tipicamente cautelar é aquela em que se concede providência consistente em pressuposto
para a viabilização da eficácia da ação principal ou do provimento final, e não a própria eficácia. Não
são medidas coincidentes com o que se pleiteia afinal o arresto ou o seqüestro. São, portanto,
segundo esse critério, medidas cautelares.
Pode ocorrer, todavia, que a antecipação dos próprios efeitos da sentença seja pressuposto para sua
própria eficácia.
Ter-se-á, então, uma medida mista, como é o caso do art. 84, § 3º, do CDC.
0 art. 273, 1, indubitavelmente introduziu no nosso sistema um tipo de tutela antecipatória: com
feições nitidamente cautelares, pois que, embora se exija, para a sua concessão, fumus robusto,
reforçado, veemente, se requer também que haja perigo de ineficácia do pronunciamento final,
pressuposto que corresponde à função cautelar.
0 art. 273, 11, consagra hipótese de tutela antecipatória: pura: exige-se só o fumus. Na verdade,
defesa protelatória ou abuso de direito de defesa nada mais são que circunstâncias que vem a
reforçar o fumus: os argumentos do autor são tão sólidos e tão convincente documental juntada à
inicial que a defesa não pode ser senão protelatória ou abusiva.
Portanto, tem-se que, tanto com base no I, quanto com fulcro no II, pode a tutela antecipada ser
concedida inaudita altera parte. Pode, a fortiori, ser concedida depois da contestação e, na verdade,
qualquer tempo, até na própria sentença, o que deve equivaler, no plano prático, a uma decisão
judicial no sentido de que a apelação não se já recebida no efeito suspensivo, passando a sentença
a produzir, desde logo, efeitos.
Essa necessidade surge, por exemplo, no caso de a tutela antecipatória: ser concedida com base no
art. 273, II, após a contestação, e de ser uma hipótese de julgamento antecipado da lide, em que não
deve haver audiência e o juiz deve, logo, sentenciar.

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A tutela antecipada, embora, ao que tudo indica, deva ser instituto predominantemente usado no 1º
grau de jurisdição, pode ser concedida no tribunal, se já tiver sido proferida a sentença de 1º grau de
jurisdição.
Ainda que a nosso ver esta hipótese não venha a ser comum, não vemos óbice a que se possa
conceder a tutela antecipada no tribunal, tendo em vista seus pressupostos e a sua finalidade.
24.2.2 Exeqüibilidade
A liminar, através da qual o juiz concede a tutela antecipatória: é exeqüível, ou seja, pode dar origem
a um processo de execução. A lei determina, porque faz menção ao art. 588, II e III, que a execução
seja provisória ou incompleta e que não se exija prestação de caução pelo requerente.
Por extensão, pode-se aplicar o art. 811, para os casos em que o requerente que obteve a liminar
perca a ação. Trata-se, pois, de responsabilidade objetiva, cuja aferição independe quer de culpa,
quer de dolo.
24.3 Características da antecipação de tutela
24.3.1 Pedido - Iniciativa do autor
Em princípio, o pedido de antecipação de tutela é formulado pelo autor. Autor é quem formula a
pretensão, quem traça os limites 1, determina os contornos da lide. Autor, no processo, é o autor
propriamente dito, o opoente, o denunciante, o reconvivente, o que apresenta declaratória, incidental
etc. Podem, também, o assistente e o MP formular pedido de tutela antecipatória: mas a antecipação
dos efeitos da sentença beneficiará ou atingirá autor e réu, não a eles (assistente e MP), que são
terceiros.
Ter havido pedido é pressuposto para poderem ser antecipados os efeitos da sentença. Não há
antecipação dos efeitos da sentença sem provocação da parte.
24.3.2 Contexto procedimental
A lei não distingue tipos de ação em que a antecipação de tutela pode ser concedida.
Por isso, e para dar maior rendimento ao instituto, deve-se, em princípio, considerar possível a
antecipação da tutela em toda espécie de processo de conhecimento: condenatório, constitutivo,
declaratório, mandamental etc.
Pensamos que a antecipação de tutela pode ser concedida até na própria ação rescisória apesar da
aparente vedação do art. 489 do CPC.
Estabelece mencionado dispositivo que a ação rescisória não tem o condão de suspender a
execução do julgado rescindendo.

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Deve, todavia, ser entendido à luz do novo contexto em que se insere: ou seja, à luz de um Código de
Processo Civil diferente daquele que vigeu de 1973 até o início desse processo de reformas.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

0 art. 273 é um dos dispositivos em que mais se refletiu a intenção do novo legislador no sentido de
agilizar os processos, tomando-os mais céleres e mais efetivos. Tanto é que o art. 273, inc. II,
permite que se antecipem os efeitos da decisão final independentemente de periculum in mora,
consistindo esse fenômeno em algo qualitativamente diferente das medidas de natureza cautelar.
A interpretação que hoje deve dar-se ao art. 489 deve ser sistemática, já que o método de
interpretação literal não é propriamente um método, mas um pressuposto interpretativo. A
preocupação que teve o legislador da reforma, no sentido de agilizar e encurtar o caminho da
prestação jurisdicional, não pode ser desconsiderada na leitura e na compreensão de nenhum dos
dispositivos, cuja redação é anterior à reforma, sob pena de esta ser, ainda que parcialmente,
transformada em letra morta.
Assim, a ação rescisória. por si só, de fato não suspende a execução do julgado rescindendo, desde
que não se trate de hipótese encartável no art. 273, que, sendo genérico, se aplica a todo tipo de
processo e procedimento. Perfeitamente possível, portanto, que se suspenda a execução até o
julgamento da ação rescisória.
Deve-se ter em mente, todavia, que não é a ação rescisória. em si mesma
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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