Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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que terá o condão de
suspender os efeitos da decisão rescindenda, mas o fato de a situação se encartar num dos incisos
do art. 273.
Pode ser concedida também nas ações possessórias, quando o autor não faz jus ao uso do
procedimento especial, porque a ofensa à posse data de mais de ano o dia. Neste caso, não se pode
aplicar o art. 927, mas pode-se aplicar o art. 273 do CPC.
Dúvidas pode haver quanto à possibilidade de antecipação de tutela nas ações declaratórias.
Parece-nos, todavia, não ser incompatível a declaratoriedade da sentença e a antecipação de alguns
dos seus efeitos, como, por exemplo, quando se tratar de ação declaratória de inexistência de
relação jurídica de débito-crédito e se pleitear que antecipadamente sejam concedidos os efeitos
relativos à impossibilidade de a dívida ser cobrada, evitando-se, assim, o protesto do título (que, por
exemplo, já tenha sido pago).
Mas, embora em princípio não se deva limitar, em tese, o alcance da regra contida no art. 273,
parece que deve examinar-se caso a caso.
24.3.3 Veículo para a concessão da medida
A antecipação dos efeitos da tutela é, de regra, salvo casos excepcionais, concedida por meio de
decisão interlocutória, passível de ser impugnada por agravo de instrumento. Para o manejo do
agravo sob o regime da retenção, carecerá a parte de interesse, já que, quando do seu julgamento, o
pronunciamento do tribunal não terá mais utilidade.
24.3.4 Reversibilidade

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A tutela antecipatória: deve ser reversível, isto é, as conseqüências de fato ocorridas como
decorrência da decisão proferida devem 1º reversíveis, no plano empírico.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

Essa reversibilidade que exige a lei pode ser in natura, o que é sempre preferível. 0 que se deseja é
que seja possível a volta ao status quo, antes que haja reposição do estado das coisas tal qual
estas existiam antes da providência.
Considera-se, todavia, reversível o provimento (reversíveis os seus efeitos), toda vez que puder haver
indenização e que esta seja capaz de efetivamente compensar o dano sofrido.
Sabe-se, porém, que isto nem sempre ocorre. Há danos que, rigorosamente, não são substituíveis
por pecúnia.
Pense-se, por exemplo, na destruição de um imóvel urbano. A indenização pode se prestar a custear
a reconstrução de outro equivalente. Isto não ocorreria se se tratasse de imóvel cuja construção
datasse de 1900.
Só em casos como estes, e em mais graves, é que se considera que o dano seria irreversível a ponto
de evitar a concessão da medida.
Ainda assim, em certos casos, há que aplicar o princípio da proporcionalidade.
0 princípio da proporcionalidade recomenda que, ainda que esteja em jogo um interesse
rigorosamente não-indenizável, devam-se ponderar os valores em jogo, e, em função dessa
ponderação, eventualmente, chegar-se a conceder a antecipação.
Assim, ainda que se trate de imóvel de valor histórico, se, ao que tudo indica, está ameaçando ruir e
representa perigo a pessoas, deve-se sacrificar um direito provável em detrimento de um direito
improvável, e conceder a medida, apesar de inexistir reversibilidade no plano empírico.
0 princípio da proporcionalidade é uma das respostas que se pode dar à tentativa de se solucionar a
equação rapidez - segurança, gerada pela possibilidade de que medidas concedidas com base em
fumus não fiquem presas à necessidade de reversibilidade.
24.3.5 Revogabilidade
0 problema da revogabilidade da decisão, por meio da qual o juiz concede ou não a antecipação dos
efeitos da tutela pleiteada, de que se ocupa o art. 273, § 4º) parece ser dos mais delicados.
A lei alude à possibilidade de que esta decisão seja alterada pelo juiz, a qualquer tempo, em decisão
fundamentada.
Parece, todavia, que se deve entender que esta modificação pode ter lugar se a situação de fato
subjacente ao processo também se alterar e fizer com que, por exemplo, desapareçam os
pressupostos da manutenção da medida concedida ou surjam os pressupostos que determinem a
sua concessão.
Assim, e mais rigorosamente, não se poderá dizer que a decisão terá sido propriamente alterada,
mas o que terá havido terá sido a prolação de outra decisão, para outra situação.

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Do mesmo modo que se diz que a causa de pedir identifica 0 pedido, dir-se-á também que a razão de
decidir identifica a decisão. E isso se dá não só no plano do pedido (inicial) e da sentença, irias
também no âmbito das interlocutórias.
Alterados os fatos e o quadro probatório em que se terá embasado a decisão anteriormente proferida,
outra deverá ser prolatada em seu lugar.
0 que não pode ocorrer, em nosso sentir, é a alteração da decisão concessiva ou denegatória da
antecipação dos efeitos da sentença porque o juiz terá pensado melhor e mudado de idéia. É
necessária a alteração dos fatos do quadro probatório.
Trata-se de fenômeno análogo àquele que ocorria e que ocorre com as liminares nas ações
possessórias, justamente porque, neste caso, também as liminares são antecipatórias e não
cautelares.
A liminar por meio da qual o juiz concede a antecipação dos efeitos da tutela, tanto com base no art.
461, § 3º, quanto com fundamento no art. 273, ambos do CPC, está dentre aquelas decisões que
geram preclusão pro judicato, não podendo, por isso, ser alteradas ex officio pelo juiz.
Não significam permissão para que o juiz altere sua decisão, de acordo e em consonância com a
variação de sua opinião, sem provocação (técnica) da parte, os dizeres do art. 273, § 4º). Esse
dispositivo não significa senão a permissão de que o juiz inverta ou modifique a sua decisão em
função das alterações que podem ter lugar no plano dos fatos, adequando, assim, a sua decisão à
existência e à subsistência dos pressupostos que terão autorizado a concessão da medida.
0 raciocínio a que se há de proceder nessas novas de antecipação de tutela, hoje, abrangendo o
próprio processo de conhecimento, que, na conformidade do que dispõem os textos 1º). lei vigente,
pode se afastar da ordinariedade, nos moldes mais clássicos Assim, ti alteração de liminar através da
qual se anteciparam os efeitos da tutela pretendida só pode ocorrer quando, mediante a interposição
de agravo, o juiz exerce o juízo de retratação.
24.3.6 Impugnabilidade
A tutela antecipada é concedida por meio de decisão interlocutória, e o recurso adequado para
impugnar esta decisão é o agravo. Pensamos dever ser de instrumento e não retido o agravo, uma
vez que a parte falece interesse para fazer uso do agravo sob o regime da retenção nos autos, como
veremos quando tratarmos do recurso de agravo.
24.3.7 Tutela antecipatória: contra a Fazenda Pública
Um dos pontos que têm suscitado elevado grau de discordância entre os autores é o que diz respeito
ao cabimento de tutela antecipatória: contra a Fazenda Pública. Vem predominando, ao que parece,
a tendência no sentido de não se a admitir.
Um dos argumentos que têm sido levantados é o de que não pode ser eficaz decisão proferida contra
a Fazenda Pública, se não passou pelo crivo do duplo grau de jurisdição.

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Outro dos argumentos relevantes é o art. 100 da CF, que coloca como pressuposto da execução
contra a Fazenda Pública que de sentença se trate (e não de decisão interlocutória, e que os
pagamentos devem ser feitos pela ordem dos precatórios prestados.
Para rebater o segundo argumento, dizem alguns autores que o art. 730 do CPC tem de ser
interpretado no conjunto e no contexto do
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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