Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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há, certamente, certa carga de interdependência entre
o direito processual civil e o direito civil (direito processual e direito material). Esta carga de
interdependência se dá no nível das essências do direito material e do direito processual e, por isso,
usa-se a expressão ontologicamente, para explicar o plano em que esta ligação existe, já que
onthos, em grego, significa ser. 0 processo civil, em última análise, existe em função do direito civil e
da necessidade de se contar com instrumental capaz de servir de conduto para as pretensões de
direito material diante do aparelho Jurisdicional. Parece que, de fato, do ponto de vista ontológico,
direito processual civil e direito civil estão necessariamente ligados , na medida em que o primeiro
(DPC) encontra no direito civil a sua razão de ser.
Todavia, do ponto de vista dos estudos científicos, ou seja, sob o enfoque epistemológico, ambos os
ramos do direito são absolutamente independentes e autônomos. A palavra epistemologicamente
significa cientificamente, pois episteme quer dizer ciência em grego.

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

3. PRINCÍPIOS PROCESSUAIS
Há alguns princípios que orientam a elaboração legislativa do direito processual. Quando tratamos da
questão da autonomia do direito processual em relação ao direito material, vimos que essa
independência está caracterizada, dentre outros fatores, pela existência de princípios que são
próprios ao direito processual civil.
Mas, o que são esses princípios? Para que servem? Qual a importância de seu estudo? Trata-se, na
verdade, de regras não escritas, de caráter geral, que têm a função de inspirar e orientar o legislador
ao escrever os textos das leis processuais e que nos possibilitam compreender o contexto histórico,
ético e moral que influenciou a elaboração da norma processual. Portanto, devem servir de vetores
orientativos para o intérprete.
Existem duas categorias distintas de princípios aplicáveis às regras de direito processual. A primeira
contém os chamados princípios informativos, enquanto a outra envolve os princípios fundamentais,
também chamados de princípios gerais do processo civil.
A primeira categoria - princípios informativos - contém regras de cunho generalíssimo e abstrato, e se
aplica a todas as regras processuais, tanto às de índole constitucional quanto àquelas que estão nas
normas ordinárias, independentemente de tempo e lugar. A categoria relativa aos princípios
fundamentais, diferentemente da primeira, alberga um grupo de princípios menos abstratos, menos
gerais, mais contextuais, e que se referem a um determinado ordenamento jurídico, levando em
conta, inclusive, suas especificidades e características. Alguns deles, em razão da relevância de que
se revestem, têm assento na Constituição Federal, situando-se como bases sobre que se constrói
todo o sistema normativo processual infraconstitucional.
Os princípios informativos são os seguintes: princípio lógico, jurídico, político e econômico.
De acordo com o princípio lógico, temos que, em razão de o processo ser, basicamente, uma
seqüência de atos que se voltam a um fim determinado, a sentença, há de existir lógica na
concepção normativa de tais atos e em sua disposição ao longo do procedimento. Isso quer dizer que
as leis processuais, pelo princípio lógico, devem prever os meios que mais sejam capazes de permitir
o descobrimento da verdade subjacente ao processo.
O princípio jurídico informa que tudo, em matéria de regramento de direito processual, deve ser
feito de acordo com a lei. No ordenamento jurídico brasileiro, o princípio jurídico pode ser entendido
como determinante da conformação das regras processuais em geral com os princípios processuais
constitucionais, que, com sede na CF, devem nortear toda a elaboração legislativa infraconstitucional.
Por outro prisma, o princípio jurídico significa que tudo quanto se faça no processo (em cada
processo) deve ser feito em rigorosa conformidade com a lei, garantindo-se a igualdade das partes e
a justiça da decisão que venha a ser prolatada pelo juiz.

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Quanto ao princípio político, pode dizer-se que a estrutura do processo, isto é, das regras
disciplinadoras da atividade desenvolvida no processo, deve ser conformada à estrutura política que
tenha sido adotada no país. Assim, a normatização processual num Estado de Direito,' deve ser
coerente com a concepção democrática com que se moldam as estruturas públicas. 0 direito à ampla
defesa é um bom exemplo. Sob outro aspecto, também referido na doutrina, o princípio político

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significa que o processo deve ter o máximo rendimento possível, como garantia da sociedade, com o
mínimo de sacrifício da liberdade individual.
O princípio econômico, por seu turno, deve inspirar tanto o legislador processual quanto o operador
do Direito (juiz, advogado, promotor) a obter o máximo rendimento com o mínimo de dispêndio. Deve
também o processo, segundo o princípio econômico, ser acessível a todos quantos dele necessitem,
inclusive no que diz respeito ao seu custo.
Os princípios gerais, ou fundamentais, do processo, alguns, como já afirmamos, com sede no texto
expresso da Constituição Federal, servem de guia para o legislador brasileiro, no trabalho de
elaboração de normas jurídicas processuais.
O primeiro deles, que se consubstancia em postulado fundamental de todo o sistema processual, é o
princípio do devido processo legal. Segundo esse princípio, previsto no inciso LIV do art. 5º da CF,
"ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal".
Isso quer dizer que toda e qualquer conseqüência processual que as partes possam sofrer, tanto na
esfera da liberdade pessoal quanto no âmbito de seu patrimônio, deve necessariamente decorrer de
decisão prolatada num processo que tenha tramitado de conformidade com antecedente previsão
legal. 0 devido processo legal significa o processo cujo procedimento e cujas conseqüências tenham
sido previstas na lei.
Em seguida temos o princípio do contraditório, que também pode ser identificado como princípio da
paridade de tratamento ou princípio da bilateralidade da audiência. Segundo o texto do inciso LV do
art. 5º da Constituição Federal, "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados
em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes".
Esse princípio, guindado à condição de garantia constitucional, significa que é preciso dar ao réu
possibilidade de saber da existência de pedido, em juízo, contra si, dar ciência dos atos processuais
subseqüentes, às partes (autor e réu), aos terceiros e aos assistentes, e garantir a possível reação
contra decisões, sempre que desfavoráveis. Esse princípio está visceralmente ligado a outros, que
são o da ampla defesa e o do duplo grau de jurisdição, em respeito ao qual se deve evitar a hipótese
de falta de controle das decisões judiciais, pela parte (por meio dos recursos) e pelo próprio Poder
Judiciário (pelo provimento ou improvimento dos recursos).
Em seguida, tem-se o princípio dispositivo, ou princípio da ação, que analisaremos juntamente com o
princípio da inércia, para que se possa compreendê-los melhor.
0 princípio dispositivo é aquele segundo o qual cabe à parte, isto é, àquele que se diz titular do direito
que deve ser protegido,' colocar em movimento a máquina estatal (isto é, a estrutura do Poder
Judiciário), para que dela obtenha uma concreta solução quanto à parcela da controvérsia, ou do
conflito (a essa parcela se denomina lide) trazida a juízo. Na esfera do direito processual civil, o
Poder Judiciário é absolutamente
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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