Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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inerte, só se manifestando (em amplo sentido) mediante a
solicitação (= provocação) do interessado.

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0 processo previsto no Código de Processo Civil brasileiro está baseado fundamentalmente nesse
princípio, como se vê da disposição constante no art. 2º. Segundo essa regra, "nenhum juiz prestará
a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais".

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

Outro princípio é o do impulso oficial, segundo o qual, uma vez instaurado o processo por iniciativa da
parte ou interessado (princípio da inércia), este se desenvolve por iniciativa do juiz, independente de
nova manifestação de vontade da parte. 0 juiz, que representa o Estado (poder jurisdicional do
Estado) promove e determina que se promovam atos processuais de forma que o processo siga sua
marcha em direção à solução do sistema jurídico para aquela determinada lide.
0 art. 262 é clara demonstração da presença, no texto legal, do princípio do impulso oficial. Essa
regra dispõe que "o processo civil começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso
oficial ".
Depois, há o princípio da oralidade, a que se somam três outros princípios: o da identidade física do
juiz, o da imediatidade e o da concentração da causa.
De acordo com o princípio da oralidade, é salutar que exista sempre um expressivo número de
manifestações das partes sob forma oral, principalmente na audiência, onde tais manifestações se
devem concentrar, porque, dessa maneira, é possível se alcançar o julgamento da matéria posta em
juízo com menor número de atos processuais.
Tem-se em vista a possibilidade de obter-se melhor resultado, conforme a lei e a verdade dos fatos,
sempre que se prestigiar o princípio da oralidade.
Com esse princípio, como dissemos, há outros três, por assim dizer, sub-princípios, ou elementos,
que permitem que se operacionalize com maior objetividade a oralidade.
0 primeiro desse subgrupo é o princípio da identidade física do juiz, em razão do qual haverá de ser o
mesmo juiz que preside a audiência, que colhe as provas orais (depoimento das partes e de
testemunhas, por exemplo), o que dê a sentença. Essa regra decorre do seguinte: o juiz que tiver
contacto direto, na audiência, com as partes e testemunhas, tem mais e melhores condições de
proferir uma sentença satisfatória, isto é, em que efetivamente se aplique o direito, do que aquele que
não tenha presidido a audiência. 0 art. 132 do CPC consagra expressamente esse princípio: "0 juiz,
titular ou substituto, que concluir a audiência julgará a lide, salvo se estiver convocado, licenciado,
afastado por qualquer motivo, promovido ou aposentado, casos em que passará os autos ao seu
sucessor".
0 seguinte é o princípio da imediatidade, segundo o qual o juiz deve colher as provas direta e
pessoalmente, sem intermediários. 0 art. 446, inciso 11, do CPC, assim dispõe: "Compete ao juiz em
especial: II - proceder direta e pessoalmente à colheita das provas".
0 princípio da concentração, terceiro daqueles que, como afirmamos, permitem que se operacionalize
o princípio da oralidade, contém a idéia de que todos os atos do processo, inclusive a sentença,
devem realizar-se o mais proximamente possível uns dos outros, para que se possa proferir decisão
justa. Os artigos 455 e 456 expressam incisivamente esse princípio. 0 primeiro dispõe que "a
audiência é una e contínua. Não sendo possível concluir num só dia, a instrução, o debate e o
julgamento, o juiz marcará o seu prosseguimento para dia próximo ". Já o art, 456 prevê que
"encerrado o debate ou oferecidos os memoriais, o juiz proferirá a sentença desde logo ou no prazo
de 10 (dez) dias".

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Outro princípio fundamental, que inspirou o legislador do Código de Processo Civil, é o da
publicidade. Esse princípio está ligado a outro, de igual relevância, que é o princípio da motivação
das decisões judiciais. Em geral, todos os atos realizados no processo são públicos, inclusive as
audiências. Trata-se de regra que, por óbvio, representa uma garantia, tanto para as partes quanto
para o próprio juiz. Em sede constitucional, o princípio/garantia da publicidade está estampado no
inciso IX do art. 93, o mesmo que consagra, também, o princípio da ampla fundamentação (ou
motivação) das decisões judiciais. Segundo esse dispositivo, "todos os julgamentos dos órgãos do
Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo
a lei, se o interesse público o exigir limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a
seus advogados, ou somente a estes". No CPC, os arts. 444 e 155 dispõem a respeito da publicidade
da audiência e dos atos processuais em geral. Essa regra decorre da predominância do interesse
público, que envolve a prestação da atividade jurisdicional, sobre o interesse privado daqueles que
são partes no processo.
Por último, tem-se o princípio da lealdade, tratado minuciosamente nos artigos 14 e seguintes do
CPC. 0 comportamento das partes, no processo, deve respeitar os preceitos relativos à boa-fé,
repugnando ao sistema o comportamento desleal. Se o processo tem como um de seus escopos a
realização do direito no caso concreto, não se pode alcançar esse objetivo por meio de trapaças e
comportamentos levianos. A lei prevê severas punições para os comportamentos destoantes desse
princípio. Como já observamos, quando tratamos da noção de norma que contém dever a ser
observado pela parte, o art. 14 do CPC prevê como dever, tanto das partes quanto de seus
advogados, o de "proceder com lealdade e boa-fé" (inciso II).

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4. ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA
SUMÁRIO:
4.1 Organização judiciária e Constituição Federal
4.2 Organização judiciária e Constituições Estaduais
4.3 Órgãos do Poder Judiciário
4.4 0 Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça
4.5 Tribunais Regionais Federais e juízes federais
4.6 Justiças especiais
4.7 Justiça do Trabalho
4.8 Justiça Eleitoral
4.9 Justiça Militar
4. 10 Tribunais e juízes dos Estados.
As normas de organização judiciária são aquelas que regulam o funcionamento da estrutura do Poder
Judiciário, mediante a atribuição de funções e divisão da competência de seus órgãos, singulares ou
colegiados, e por meio do regramento de seus serviços auxiliares. Não são de organização judiciária
as regras que disciplinam o processo, ou seja, a atividade jurisdicional voltada ao exercício do direito
de ação, com todos os seus desdobramentos. 0 que se normatizada pela organização judiciária, é a
estrutura do Poder Judiciário e a forma de constituição e de funcionamento de seus órgãos.
Os órgãos do Poder Judiciário, encarregados do exercício da função jurisdicional propriamente dita,
são os juízos e os tribunais, estes últimos existentes em razão da necessidade de se dar
cumprimento ao princípio do duplo grau de jurisdição (ver adiante: órgãos do Poder Judiciário).
As regras aplicáveis à organização judiciária são a Constituição Federal, as Constituições Estaduais,
as Leis de Organização Judiciária de cada Estado, a Lei Orgânica da Magistratura e os Regimentos
Internos dos Tribunais.
4.1 Organização Judiciária e Constituição Federal
Por força do que dispõe o art. 96, inciso I, letra a, da CF, é da competência privativa dos tribunais a
elaboração de seus regimentos internos, dispondo a respeito da competência e do funcionamento
dos respectivos órgãos judiciários e administrativos. A regra constitucional expressamente
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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