Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil
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Resumo (de concurso) - Direito Processual Civil -Curso Processo Civil

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para criar aquela determinada regra de competência, é que
reside a importância do estudo desses critérios. Isto porque, uma vez infringidas as regras de
competência absoluta, está-se diante de um vício insanável, consistente, segundo alguns, numa

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Resumo: Curso de Direito Processual Civil – por Reinaldo Wanbier

nulidade absoluta, a respeito da qual não se opera a preclusão, nem para as partes, nem para o juiz,
devendo este, de ofício, decretar este vício. Interessante ressaltar ser de tamanha gravidade o vício
consistente na incompetência absoluta que, mesmo depois de se ter formado a coisa julgada, a
sentença continua passível de ser impugnada, dentro de dois anos, a partir do trânsito em julgado,
por meio de ação rescisória (art. 485, inciso 11).
Já quando se trata de competência relativa, determinada por outros critérios, uma vez infringida a
regra, está-se diante de nulidade meramente relativa, que não pode ser conhecida de ofício, que se
sujeita à preclusão, pois não sendo este vício argüido pelas partes, no prazo previsto em lei, e
através de um veículo específico por esta apontado (exceção de incompetência - arts. 304 a 306 do
CPC), o vício se sana (ou seja, ocorre a prorrogação da competência).
É por isso que, ao examinar-se a regra que determina a competência, é importante que se perceba
em que tipo de critério a norma se baseou.
Os critérios são fundamentalmente quatro: territorial, funcional, matéria a ser decidida e valor da
causa.
Os critérios ligados ao território e ao valor ligam-se à competência relativa, como regra geral; os
critérios funcional e aquele ligado à matéria são tomados em conta, pelo legislador, para estabelecer
regras de competência absoluta.
5.5 Utilização dos critérios
Todos os elementos para que a parte possa estabelecer a competência ao propor a ação devem
constar da petição inicial:

1. território - domicílio das partes e localização do bem que é objeto material do litígio;
2. valor - valor pecuniário atribuído à causa;
3. matéria - lide, pedido ou pretensão;
4. função.

Os itens 2 e 3 são tratados pela doutrina como critérios objetivos de estabelecimento da competência.
É importante ressaltar que, na verdade, todos, ou quase todos, os critérios são utilizados
simultaneamente para indicar a competência de determinado órgão jurisdicional para processar e
julgar ações e recursos.
Por exemplo, se A quer intentar ação de separação judicial contra B, deve fazê-lo:

a) no domicílio de B (art. 94, caput, do CPC) – critério territorial;
b) na vara de família - competência fixada em razão da matéria: separação judicial;

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c) em 1º grau de jurisdição - competência funcional: é função do primeiro grau de jurisdição
julgar ações originariamente.

Advirão conseqüências diferentes, todavia, de se infringirem umas ou outras regras determinantes da
competência.
5.6 Critério territorial
Um dos critérios de que se serviu o legislador para determinar a competência dos órgãos
jurisdicionais leva em conta o fato de que o exercício da jurisdição se dá, pelos diferentes órgãos, em
determinados limites territoriais. Assim como a jurisdição brasileira tem como limite o território
nacional (competência internacional), os juizes nacionais têm limitações ao exercício da função
jurisdicional em razão do território. Assim, os juizes de Direito dos Estados, por exemplo, exercem a
jurisdição nos limites das respectivas circunscrições territoriais, as comarcas. Os juízes federais o
fazem nos limites das chamadas seções judiciárias, as Juntas de Conciliação e Julgamento têm
definidos seus respectivos espaços territoriais, e assim por diante. Em relação aos tribunais se dá
exatamente o mesmo: os Tribunais Regionais Federais têm competência para exercer a jurisdição
nos limites das respectivas regiões. 0 TRF da 4ª Região, por exemplo, tem competência territorial
limitada aos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. 0 Tribunal Regional Federal da
3ª Região, por sua vez, tem competência, sob o critério territorial, para exercer a jurisdição nos
Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Vista essa matéria sob o ângulo da parte, isto é, daquele que demanda ao Poder Judiciário uma
solução para determinada lide, a competência territorial nos leva à determinação do foro competente,
isto é, do local em que se deva ajuizar ação contra determinada pessoa.
Em princípio, quando uma norma se servir de critério territorial para fixar a competência, a
infringência deste dispositivo gera, como regra geral, vício relativo. Exemplo de dispositivos legais em
que se leva em conta o critério territorial para fixar-se a competência é o art. 94 e seus parágrafos.
Exceção à regra de que a competência fixada em razão do critério territorial é relativa se encontra
prevista no art. 95, 1ª parte. Neste caso, não há prorrogação, decorrente da ausência de impugnação,
e não pode haver convenção das partes em sentido contrário àquele que a lei prevê. A competência
fixada em razão do art. 95, 1ª parte, é absoluta (segundo alguns, seria, por ser absoluta, funcional).
Do ponto de vista da parte, a esta cabe procurar na própria petição inicial um elemento de natureza
territorial (por ex., o local onde reside o réu) para, a partir deste critério, orientar-se quanto ao foro
competente para julgar a ação que pretende propor.
5.7 Critério funcional
Trata-se de critério que, via de regra, tem utilidade quando já proposta a ação perante juízo
competente.'

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A competência funcional é determinada pela função que o órgão jurisdicional deve exercer no
processo. Pode ocorrer de, no mesmo processo, terem de atuar dois ou mais órgãos jurisdicionais. A

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competência funcional pode ser determinada a partir do objeto do próprio juízo, da hierarquia e das
distintas fases do procedimento.
A competência funcional que se fixa em razão do objeto do juízo se dá nas hipóteses em que devam
atuar, no mesmo processo, diferentes órgãos jurisdicionais, cada qual com competência para decidir
parcela do conjunto de questões que tenham sido suscitadas no processo. Exemplo disso está no
incidente de uniformização de jurisprudência (art. 476). Será competente para o julgamento da lide o
órgão fracionário para o qual tenha sido distribuído o recurso (por ex.), mas será competente para o
julgamento da uniformização o Pleno do tribunal ou seu órgão Especial (art. 479 do CPC e art. 93, XI
da CF).
A competência funcional em função da hierarquia leva em conta que mais de um órgão da jurisdição
deve julgar a lide, se houver recurso. Como já vimos, os organismos do Poder Judiciário estão
hierarquicamente dispostos, em diferentes graus de jurisdição. No chamado primeiro grau de
jurisdição estão os juízos singulares (juiz de Direito/Vara); no segundo e terceiro grau de jurisdição
encontram-se os tribunais inferiores e tribunais superiores (juízos colegiados).
Levando em conta as possíveis fases do procedimento, a competência funcional pode ser fixada
dependendo do tipo de ato processual que se deva realizar. Se se precisa ouvir determinada
testemunha, que reside fora da comarca perante a qual tramita o processo, o juízo competente para
conhecer e julgar essa ação solicitará os serviços de outro juízo, para que ouça essa testemunha na
comarca em que se encontre.
5.8 Critérios objetivos
5.8.1 Valor
0 valor dado à causa é um dos critérios determinativos de competência (art. 91).
Este critério pode desempenhar papel importante, tanto no que diz respeito ao primeiro
Rodrigo Reis fez um comentário
  • antigo CPC !
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