7S - RE - Processo Civil - Recursos
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7S - RE - Processo Civil - Recursos

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Processo Civil - Recursos
Prof. Aleksandr Mendes Zakimi

I - Teoria Geral dos Recursos:

	Recurso é um ato processual voluntário que tem por objetivo insurgir-se contra determinada decisão judicial (sentença, acórdão ou decisão interlocutória), obtendo a modificação, anulação ou integração da decisão recorrida.

	Pode ser classificado como:

	a) Recurso Ordinário: sempre que “proteger o interesse particular da parte (direito subjetivo), no caso concreto” (2 – p. 530), e;

	b) Recurso Extraordinário: sempre que visar “a proteção e a preservação da boa aplicação do direito [viabilizando] no caso concreto a melhor aplicação da lei federal e constitucional [tendo como] objetivo, como se nota, não a preservação do direito subjetivo da parte no caso concreto, mas a proteção do direito objetivo, entendendo-se a sua preservação como significativa para toda a sociedade, e não só para a parte sucumbente” (2 – p. 529-530).

1. Legitimidade para interposição de recurso:

	1.1 Parte vencida: aquela que sucumbiu total ou parcialmente; que lhe está sendo causado um dano que pode ser material ou processual.

		Observação 1: a parte vencedora também pode ter legitimidade para 	recorrer – caso algo na decisão não atenda o que a parte vencedora esperava, ela 	poderá recorrer. Por exemplo: “A” entra com ação em face de Município e recebe 	sentença favorável, porém, não exatamente com a aplicação de determinada sanção 	ao Poder Municipal como esperava. “A” recorre para conseguir mudar a regra 	aplicada em seu benefício.

		Observação 2: Exemplo de tipo processual: juiz não aceita produção de 	prova em seu despacho saneador – entra-se com recurso para poder instruir o 	processo.

	
		Sucumbência parcial: recorre-se naquilo que não foi ganho e, no que foi, 	não se mexe.

	1.2 Terceiro prejudicado: é alguém estranho à lide, mas que tem relação com pelo menos uma das partes e que, por ter sofrido lesão ou ameaça de lesão ao seu direito em lide alheia, está legitimado a recorrer. Exemplo: Locador entra com ação de despejo em face de Locatário e o Sublocatário se insurge contra a sentença contra o locatário.

	1.3 Ministério Público: tem legitimidade tanto na condição de parte, como na de fiscal da lei (custus legis).

2. O recorrente poderá desistir do recurso sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes (CPC, art. 501).

Art. 501. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso.

3. A Renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte (CPC, art. 502).

 Art. 502. A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte.

4. Aceitação: poderá ser (CPC, art. 503):

	4.1 Expressa: quando a parte se conforma, aceita a sentença expressamente;

	4.2 Tácita: pratica um ato incompatível com a vontade de recorrer.

		Exemplo: sentença condena o réu à indenização no valor de R$ 50 mil. No 	prazo de recorrer o réu faz o depósito judicial para pagamento, conforme a 	condenação. Com isso, extinguiu a obrigação, não podendo recorrer. O cuidado que 	se deve ter em todos os atos escritos, após a sentença, é o de colocar ressalvas neles, 	dizendo que, apesar da pratica de tal ato, não se concorda com a sentença.

Art. 503. A parte, que aceitar expressa ou tacitamente a sentença ou a decisão, não poderá recorrer.

 Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem reserva alguma, de um ato incompatível com a vontade de recorrer.

5. Recurso em despacho: em regra não é cabível, pois ele não causa gravame. Porém, se o despacho do Juiz não for compreensível por alguma razão, pode-se impetrar embargos de declaração.

Art. 504. Dos despachos não cabe recurso.

6. Impugnação total ou parcial (art. 505 do CPC): “o recurso de apenas parte da decisão significa aquiescência da parte não impugnada” (1 – p. 872), ocorrendo preclusão consumativa.
	
 Art. 505. A sentença pode ser impugnada no todo ou em parte.

7. Prazo: 15 dias da intimação, sentença ou do acórdão.

 Art. 508. Na apelação, nos embargos infringentes, no recurso ordinário, no recurso especial, no recurso extraordinário e nos embargos de divergência, o prazo para interpor e para responder é de 15 (quinze) dias.

	Embargos de declaração, 5 dias. Recurso de Agravo (todos) e Recurso Inominado (JEC), 10 dias.

	O cômputo é a partir da sentença. Se, na audiência, as alegações finais forem orais e não sob a forma de memoriais, o Juiz poderá prolatar a sentença nela mesmo.

	Novas apelações, em que o Tribunal passe a ser instância a quo, o prazo contará a partir da divulgação da parte dispositiva do acórdão ou do acórdão com seu inteiro teor.

8. Efeitos: há na doutrina divergência quanto a quantidade e tipos, mas, os mais tradicionalmente aceitos são o devolutivo e o suspensivo.

	8.1 Efeito devolutivo: é a transferência ao órgão ad quem do conhecimento de matérias que já tenham sido objeto de decisão no juízo a quo.

	Essa nomenclatura é equivocada, pois somente se devolve matéria a determinado órgão jurisdicional se anteriormente esse órgão já teve competência para analisá-la (...) para salvar esse nome, já tradicional e arraigado em nossa cultura jurídica, podemos falar em devolução ao próprio Poder Judiciário, ainda que entre órgãos diferentes (2 – p. 538);

	8.2 Efeito suspensivo: diz respeito à impossibilidade da decisão impugnada gerar efeitos enquanto não for julgado o recurso interposto.

9. Litisconsórcio (CPC, art. 509):

 Art. 509. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses.

	Se, por outro lado, em um litisconsórcio simples de A, B e C, no qual as partes são condenadas a obrigações diferentes, se A recorrer e o Juiz acatar, a apelação só a ele se aproveita.

	No mesmo exemplo anterior, se somente o réu A recorre, para B e C a ação transitará em julgado. Neste caso, o autor poderá instaurar cumprimento de sentença definitiva, através da carta de sentença (não pelos autos, pois estes seguiram para o Tribunal devido a apelação de A) (CPC, art. 510).

Art. 510. Transitado em julgado o acórdão, o escrivão, ou secretário, independentemente de despacho, providenciará a baixa dos autos ao juízo de origem, no prazo de 5 (cinco) dias.

10. Preparo (CPC, art. 511):

Art. 511. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção.

 § 1o São dispensados de preparo os recursos interpostos pelo Ministério Público, pela União, pelos Estados e Municípios e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal.

 § 2o A insuficiência no valor do preparo implicará deserção, se o recorrente, intimado, não vier a supri-lo no prazo de cinco dias.

	O Tribunal decidiu, após muitas ocorrências de falta de preparo, que:

	a) Se a diferença a ser recolhida for grande: recurso deserto;

	b) Se a diferença a ser recolhida for pequena: recurso provido.

	A guia de recolhimento no TS-SP é a Guia de Porte e Remessa – Fundo Especial de Despesas do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (FEDTJ/SP).

	É possível o parcelamento das custas de apelação – não está na lei -, deve-se peticionar ao Juiz, antes do vencimento do prazo recursal.

11. Julgamento do recurso (CPC, art. 512):

 Art. 512. O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso.

II - Recurso de Agravo (CPC, arts. 522 a 529):

	É visto pela doutrina como gênero, do qual são espécies:

	1. Recurso de Agravo Retido: contra decisões interlocutórias de primeiro grau é a regra (art. 522, 1ª parte);

	2. Recurso de Agravo de Instrumento: contra decisões interlocutórias de primeiro grau é a exceção ( art. 522, 2ª parte);

	3. Recurso de