7S - RE - Processo Civil - Recursos
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7S - RE - Processo Civil - Recursos

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o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo;

 II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito;

 III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que as partes Ihe submeterem.

	É nos fundamentos que o apelante encontrará a maior parte dos argumentos para justificar o seu recurso de apelação, pois é nele que o Juiz estabelece seu convencimento – que pode estar equivocado.

2. Prazo (CPC, art. 508): 15 dias.

3. Interposição (CPC, art. 514):

	Petição dirigida ao juiz da causa que terá competência para a análise de admissibilidade recursal e que a remete ao Tribunal (TJ/TRF), que deverá julgar o recurso.

Art. 514. A apelação, interposta por petição dirigida ao juiz, conterá:

 I - os nomes e a qualificação das partes;

 II - os fundamentos de fato e de direito;

 III - o pedido de nova decisão.

4. Juiz declara os efeitos (CPC, art. 520): a regra é o efeito devolutivo e suspensivo:

Art. 520. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. Será, no entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença que:

 I - homologar a divisão ou a demarcação;

 II - condenar à prestação de alimentos

 IV - decidir o processo cautelar;

 V - rejeitar liminarmente embargos à execução ou julgá-los improcedentes;

 VI - julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem

 VII – confirmar a antecipação dos efeitos da tutela;

 Art. 521. Recebida a apelação em ambos os efeitos, o juiz não poderá inovar no processo; recebida só no efeito devolutivo, o apelado poderá promover, desde logo, a execução provisória da sentença, extraindo a respectiva carta

5. Caso de não recebimento (CPC, art. ,518, § 1º):

	O objetivo é evitar a subida de recurso de apelação ao Tribunal, desnecessariamente. Alguns argumentam que esse artigo viola o princípio do duplo grau de jurisdição; outros que não, pois em função de possível existência de súmula, o Tribunal não julgará diferente.

 Art. 518. Interposta a apelação, o juiz, declarando os efeitos em que a recebe, mandará dar vista ao apelado para responder.

 § 1o O juiz não receberá o recurso de apelação quando a sentença estiver em conformidade com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal.

6. Novo prazo para se efetuar o preparo (CPC, art. 519):

Art. 519. Provando o apelante justo impedimento, o juiz relevará a pena de deserção, fixando-lhe prazo para efetuar o preparo

7. Possibilidade de inovar na apelação

	A princípio não há possibilidade de inovar na apelação. Atualmente há possibilidade de inovar em casos específicos. Nas seguintes circunstâncias:

	7.1 modificação da lei: havendo, por exemplo, declaração de inconstitucionalidade da lei. Podendo apresentar este fato no recurso de apelação.

	7.2 objeto conquistado através da sentença não há possibilidade de ser executada, devido o seu perecimento: caso em que entre a interposição do recurso e julgamento, haja perecimento da coisa (quadros, escultura).

IV – Embargos de Declaração (art. 496 e 535 ao 538 do CPC)

Prazo (art. 536 do CPC): 5 dias
Conceito (art. 535 do CP): é o recurso cabível contra sentença ou acórdão que possuam pontos de obscuridade, contradição ou omissão.
		Obs.: Atualmente, a doutrina e a jurisprudência admitem embargos de declaração de decisões interlocutórias e há quem sustente que ele vale para todo e qualquer pronunciamento judicial.
3. Fundamentos dos embargos:

	3.1 Obscuridade: é a falta de clareza do ato. As decisões judiciais devem ser compreendidas por seus destinatários, devendo ser redigidas em linguagem clara, que expresse de forma inteligível o pensamento do magistrado.

	3.2 Contradição: falta de coerência da decisão, que deve ser lógica. Por contradição se entende a afirmação contrária a algo que se disse anteriormente.

	3.3 Omissão: será omissão a decisão se houver alguma lacuna, estiver faltando algo relevante que deveria ter sido apreciada pelo juiz e não foi. E a sentença, se tiver de apreciar algum ponto relevante seja referente aos pedidos, seja aos fundamentos da pretensão da defesa, poderá ensejar sua nulidade.

4. O juiz julgará os embargos de declaração em 5 dias (art. 537 do CPC)

Art. 537 - O juiz julgará os embargos em 5 (cinco) dias; nos tribunais, o relator apresentará os embargos em mesa na sessão subseqüente, proferindo voto. 
5. Não há custas de preparo

6. É admissível embargos de declaração dos embargos de declaração (ocorre quando o juiz piora a decisão após os embargos de declaração).

7. Haverá multa de 1% do valor da causa podendo chegar até 10% quando utilizar embargos de declaração para fins protelatórios (art. 538, parágrafo único). Pode-se recorrer da multa aplicada no recurso de apelação.

Art. 538. Parágrafo único - Quando manifestamente protelatórios os embargos, o juiz ou o tribunal, declarando que o são, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente de 1% (um por cento) sobre o valor da causa. Na reiteração de embargos protelatórios, a multa é elevada a até 10% (dez por cento), ficando condicionada a interposição de qualquer outro recurso ao depósito do valor respectivo.
8. Interpostos embargos de declaração ocorre interrupção de qualquer outro recurso (art. 538, CP). A contagem do prazo para recurso inicia-se quando a decisão dos embargos de declaração é proferida.

Art. 538 - Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, por qualquer das partes.
9. A interrupção do prazo interrompe para a parte que interpôs recurso.

10. Não há obrigatoriedade do contraditório em sede de embargos de declaração. O juiz pode autorizar o contraditório, se autorizado, deve haver interrupção do prazo.

11. Em regra, os embargos de declaração não têm caráter infringente (caráter modificativo de integral). O juiz julga procedente e, após embargos de declaração, julga improcedente. A jurisprudência e a doutrina (Vicente Grecco Filho) admitem o caráter infringente.

V - Embargos infringentes (CPC, art. 496, III e 530 a 534):

	É o recurso cabível contra acórdão não unânime (maioria de votos) que houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente a ação rescisória. “Decisões monocráticas e decisões colegiadas unânimes dos Tribunais, jamais serão recorríveis pelo recurso ora analisado” (1 – p. 657)

	Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos, à matéria objeto da divergência. Admitidos os embargos estes serão interpostos e julgados conforme dispuser o regime do tribunal.
	

	Interpostos os embargos pelo sucumbente da ação, abrir-se-á vista para as contrarrazões.

	Exemplo prático: tendo sido decretada sentença condenatória por juiz de Primeira Instância, o réu apela contra a decisão. Admitida a apelação, o recurso é encaminhado para o Tribunal, que reforma a decisão inicial. Contudo, sendo a decisão do Tribunal votada por três membros, dois foram a favor da reforma, enquanto o terceiro foi contra (desfavorável ao réu e favorável ao autor). Neste sentido, pode o autor opor recurso de embargos infringentes contra decisão desfavorável a ele.

	Art. 496. São cabíveis os seguintes recursos:

 III - embargos infringentes;

 Art. 530. Cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto da divergência.

		Acórdão não unânime: não pode ser 3 x 0; mas 2 x 1.
		
 Art. 531. Interpostos os embargos, abrir-se-á vista ao recorrido para contra-razões; após, o relator do acórdão embargado apreciará a admissibilidade do recurso.

 Art. 532. Da decisão que não admitir os embargos caberá agravo, em 5 (cinco)