Suspensão Condicional do Processo
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Suspensão Condicional do Processo

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tal medida. Aceita a proposta, retornam os autos ao juízo de origem (porque quem defere a suspensão é o juízo deprecante). E pode haver necessidade de uma nova precatória, mas agora a fiscalização das condições – que fica por conta do juízo deprecado. No mesmo sentido está a jurisprudência do STJ:

CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO. CARTA PRECATÓRIA. MODIFICAÇÕES DAS CONDIÇÕES PELO DEPRECADO. DETERMINAÇÃO DA SUSPENSÃO PELO DEPRECADO. IMPOSSIBILIDADE.

1. Quando se depreca a realização da audiência de suspensão condicional do processo, deve o deprecado cumprir a carta, como enviada. Dada a característica transacional do ato, é possível, todavia, a flexibilização, pelo deprecado, das condições. No entanto, a decisão sobre a suspensão é privativa do deprecante – juiz natural da causa.

2. Conflito de competência conhecido para declarar competente o suscitante para a formulação da proposta do art. 89 da Lei nº 9.099/95, anulando-se a suspensão condicional do processo efetivada pelo suscitado, o qual deverá apresentar as condições como estabelecidas pelo suscitante.

(CC 90339/PR; Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura; Órgão Julgador: Terceira Seção; DJU 28.03.2008; DJ 25.04.2008 p.1).

6.4 – Não Aceitação da Proposta e Hipótese de Vários Acusados

Se o acusado não aceitar a proposta do instituto transacional do processo, por força do art. 89, § 7º, “o processo prosseguirá em seus ulteriores termos”. De se observar que é a vontade do acusado a que prevalece, sempre que houver divergência entre ele e seu defensor.

Interpretando-se o mesmo parágrafo a contrario sensu, se o acusado aceitar (mesma que seu defensor seja contra) o processo se suspende.

Caso haja, exemplo, dois réus e um aceita e outro não, dá-se a ruptura do processo. O ato é personalíssimo. Para um ficará suspenso, para o que recusou a proposta o processo prossegue.

E se no final o juiz reconhecer a atipicidade do fato? Ficará sem efeito a suspensão condicional do processo para aquele que a ela se sujeitou. A decisão do juiz terá efeito extensivo, aplicando-se analogicamente o disposto no art. 580 do CPP ou o juiz reconhecerá a falta de justa causa ou condição da ação e a trancará ex officio.

6.5 – Retratação. Arrependimento e Limite Temporal da Aceitação

Depois de manifestada a aceitação, não existe a possibilidade de retratação. Mas se o acusado se arrependeu de ter aceitado a suspensão, é muito fácil rompê-la: é só provocar a sua revogação. Isso pode ocorrer de várias formas, inclusive com prévia comunicação ao juízo, querendo.

Pode acontecer, também, de o acusado na audiência conciliatória vir a rejeitar a suspensão e depois se arrepender. Poderá expressar esse seu arrependimento e pedir uma nova audiência ao juiz. Porém, até que momento pode fazer isso? Qual é o limite temporal máximo da aceitação?

Pensamos que o limite extremo está no ato da defesa preliminar até o período da data da feitura da audiência de instrução e julgamento. Durante esta já não será possível a suspensão do processo, a não ser por mera liberalidade do Ministério Público e do juiz.

7. O Recebimento da Denúncia como Pressuposto da Suspensão do Processo

7.1 – Momento Adequado Para o Exame da Denúncia

O art. 89, § 1º, da Lei Federal n.º 9.099/95, preconiza, in verbis: aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do juiz, este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes condições.

Analisando atentamente esse dispositivo, o juízo de admissibilidade da denúncia deve anteceder à designação da audiência de conciliação. Azos de ordem sistemática justificam tal mister.

E caso o juiz desde logo perceba que é o caso de rejeição, conforme novo procedimento processual, não deve nem sequer designar a audiência. Deve imediatamente rejeitar a peça acusatória.

O recebimento da denúncia, por outro lado, continua com a eficácia de interromper o interstício prescricional, com espeque no art. 117, inc. I, do Código Penal, aplicável subsidiariamente, por não ser incompatível, conforme positivado pelo art. 92 da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais.

7.2 – Motivos e Rejeição Ab Initio

Uma vez ofertada a denúncia e formulada a proposta de suspensão do processo, cabe ao magistrado examinar sua pertinência jurídica desde logo, antes da marcação da audiência de conciliação.

 Dentre as condições da ação está o interesse de agir que, na seara do processo penal, consiste na seriedade do pedido formulado (probabilidade de existência do crime e probabilidade de autoria).

Se o juiz percebe, desde logo, que irá rejeitar a denúncia por falta de elementos condicionantes para o seu recebimento, a nós nos parece muito clarividente que deve imediatamente tomar tal providência.

Nenhum outro ato processual deverá praticar, mesmo porque é pressuposto da suspensão do processo a existência de uma imputação séria e que conte com a viabilidade jurídica.

Na eventualidade de que o juiz não rejeite a denúncia ab initio, em razão da informalidade, a imediatidade, a oralidade, economia processual e outros princípios, nada impede que o acusado, pelo seu defensor, em lugar de aceitar a proposta de suspensão do processo, faça a argüição da inviabilidade da peça acusatória conforme novel art. 396 e 396-A do CPP. E cabe ao juiz decidir tudo na hora. De qualquer maneira, a rejeição ou não da denúncia ensejará o controle recursal.

7.3 - Decisão Interlocutória

A atuação do juiz na suspensão condicional do processo não é meramente homologatória. O Ministério Público pode ofertar sugestões, mas não lhe cabe impor nada. Essa é mais uma prova de que o juiz deve desempenhar uma relevante atividade dentro desse instituto.

A decisão do juiz que determina a suspensão condicional do processo não julga o mérito – não absolve e nem julga extinta a punibilidade. Não se trata, portanto, de sentença, muito menos de mero despacho.

Só resta admitir ser uma decisão interlocutória, pois sobrestamento não é encerramento. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: (Resp 601924/PR, 5ª Turma, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, DJU de 07/11/05; Resp 296343/MG, 5ª Turma, Rel. Min. Wilson Dipp, DJ de 16/09/02; Resp263544/CE, 6ª Turma, Rel. Hamilton Carvalhido, DJu de 19/12/02)

7.3.1 – Recursos Cabíveis

Complementando o que foi acima exposto, na letra do artigo 581, inciso XI, do Código de Processo Penal, cabe recurso em sentido estrito da decisão que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da pena, havendo firme entendimento, não unânime, de que se cuida de enumeração exaustiva, a inibir hipótese de cabimento outra que não as expressamente preconizadas na lei.

Tal disposição, contudo, por força da impugnabilidade recursal da decisão denegatória do sursis, prevista no artigo 197 da Lei de Execuções Penais, deve ter sua compreensão dilatada, de maneira a abranger também a hipótese de suspensão condicional do processo, admitida a não revogação parcial da norma inserta no Código de Processo Penal.

Desse modo, cabe a aplicação analógica do inciso XI do artigo 581 do Código de Processo Penal aos casos de suspensão condicional do processo, viabilizada, aliás, pela subsidiariedade que o artigo 92 da Lei nº 9.099/95 lhe atribui. A recorribilidade das decisões é essencial ao Estado de Direito, que não exclui a proteção da sociedade.

	Parte da doutrina tem o entendimento de que quando se revoga a suspensão condicional do processo o recurso cabível é o de apelação: Mirabete (2002, p. 384), Pelegrini at al (2005, p. 339/340, n. 10.2); Tourinho Filho (2007, p. 222); Folgado (2002, p.134/135).

Tourinho Neto e Figueira Júnior (2002, p. 740) entendem que, quando a proposta de suspensão é negada pelo juiz, cabe correição parcial haja vista que a decisão não põe fim ao processo e muito menos se trata das hipóteses elencadas no art. 581 do CPP e, por sua vez, Borges de Andrade (1996, p. 132) informa