Suspensão Condicional do Processo
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Suspensão Condicional do Processo

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ocorre “quando o beneficiário vier a ser processado por outro crime, no curso do prazo”. É indispensável, portanto, que já tenha sido instaurado a ação penal pelo outro crime, com o recebimento da denúncia ou queixa, não bastando a notícia da prática de crime ou mesmo da instauração de inquérito policial contra o beneficiário. No sentido do texto é a doutrina de Moraes e Smaio (2006, p. 334). Não é causa de revogação obrigatória a instauração de ação penal contra o beneficiário pela prática de contravenção, circunstância referida expressamente no § 4º do art. 89 da Lei dos Juizados Especiais. Não haverá, outrossim, a revogação quanto à posterior infração penal de competência do JECRIM conforme Mirabete (2002, p. 378)

Se foram propostas e aceitas a conciliação pelo ressarcimento dos danos ou a imposição de pena restritiva de direitos ou multa. Não há, no caso, “processo” em andamento, que acarretaria a revogação, uma vez que a composição dos danos e a transação por imposição de pena são atos processuais anteriores ao oferecimento e recebimento da denúncia ou da queixa.

A segunda causa obrigatória de revogação da suspensão condicional do processo consiste em não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano, durante o período de prova. Esse dispositivo demonstra que a reparação do dano não é condição de concessão da suspensão, senão condição de extinção de punibilidade conforme já analisado no item A reparação pode ser concretizada ao longo do período de prova. De uma só vez ou em parcelas. Se não for feita, salvo motivo justificado, provocará a revogação da suspensão. Quem muito auxiliará o juiz no controle dessa condição será a vítima. Antes de qualquer revogação, manda o bom senso e a prudência que se ouça o acusado, que poderá ter justo motivo para o não pagamento. Muitas vezes, de outro lado, existe impossibilidade absoluta de se fazer tal pagamento. Mas é preciso a comprovação dessa impossibilidade.

10.1.2 - Causas Facultativas

A primeira causa facultativa de revogação da suspensão condicional verifica-se se o acusado vem a ser processado, no curso do processo, por contravenção que é um ilícito penal de somenos gravidade.

A segunda causa facultativa de revogação está no descumprimento de qualquer outra condição imposta, isto é, ressalvada a reparação do dano, que é causa obrigatória, qualquer outra entra na classe facultativa de revogação.

O juiz conta com uma alternativa diante das causas facultativas. Pode revogar ou não revogar a suspensão. Terá que analisar cada caso, a gravidade da falta, a postura do acusado etc.

Cuidando-se de condenação por contravenção à pena de multa, pensamos que não é possível a revogação de modo algum (CP, art. 77, § 1º). A lei não estabeleceu nenhuma regra para a hipótese de o juiz querer revogar a suspensão. A única providência que pode ser tomada, portanto, seria a advertência.	

É de fundamental relevância que o juiz, antes da revogação e sempre que possível, dê oportunidade para o acusado explicar-se. Muitas vezes o descumprimento de uma das condições decorre de motivo justificado.

Se o juiz, precipitadamente, revogou a suspensão e depois se descobre que não era o caso, não se vislumbra razão para não restabelecer o instituto.

10.2– Conseqüências da Revogação

A primeira conseqüência da revogação da suspensão, obviamente, é o reinício do processo. O processo que estava paralisado voltará ter curso normalmente. E nesta altura a denúncia já foi recebida.

Outra conseqüência natural da revogação é o retorno da contagem do prazo prescricional: reinicia-se a contagem. Não se pode falar em detração, ainda que uma das condições na essência seja igual a alguma pena posterior. Não se pode confundir condição com pena (vide item 9.5.2., p. 64-66).

10.3 – Causa Descoberta após Expirado o Período de Prova	

O § 5º, do art. 89 diz: “Expirado o prazo sem revogação, o juiz declarará extinta a punibilidade”. Isso não significa que mesmo depois de expirado o prazo não possa o juiz revogar a suspensão. A melhor leitura do dispositivo invocado é a seguinte, portanto: expirado o prazo sem ter havido motivo para a revogação, o juiz declarará extinta a punibilidade.

O tema não é pacífico, entretanto. É que o acusado ficou subordinado, durante o período de prova, a uma série de condições. Parece justo computar em seu favor o tempo transcorrido. Considere-se, ademais, que, se a Justiça só descobriu a causa de revogação depois de expirado o prazo de suspensão, culpa nenhuma pode ser atribuída ao acusado.

Se já existe sentença definitiva extintiva da punibilidade, isto é, se o juiz já julgou extinta a punibilidade em sentença definitiva e depois veio a descobrir o motivo da revogação, nada mais pode ser feito, mesmo porque agora se deve respeitar a coisa julgada. E não existe revisão pro societate. É muito conveniente que antes dessa sentença sejam acolhidas informações a respeito do acusado. Nesse sentido, é a doutrina de Tourinho Filho (2007, p. 221).

Outra observação importante: pode ter surgido, conforme já dissemos no item 10.1, durante o período de prova, um novo processo. Se não for julgado até o final do período de prova, há prorrogação deste. Logo, tendo havido prorrogação, não se fala em extinção da punibilidade. Deve-se aguardar o fim desse novo processo.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem o entendimento de que pode haver a revogação da suspensão do processo após a expiração do período de prova desde que o fato tenha ocorrido durante este interstício: HC: 88281/RJ, DJ 02.09.08, Min. Rel. OG Fernandes; RHC: 21352/SP, DJ 18.10.07, Min. Rel. Jane Silva (Desembargadora convocada do TJ/MG); HC 81449/SP, DJ 13.09.07, Min. Rel. Jane Silva (Desembargadora convocada do TJ/MG).

10.4 – Prisão Superveniente

E se o acusado for preso no curso do período de prova? Vai depender do caso. Se estiver preso durante o inquérito policial a suspensão condicional do processo não será revogada em razão de a lei ser clara ao prescrever que cessa a suspensão do processo na hipótese, dentre outras, de o acusado ser “processado” por outro crime [art. 89, § 3º da Lei dos Juizados Especiais]. Nesta situação, o benefício será paralisado em razão, por evidência, da prisão ser incompatível com o prosseguimento do cumprimento das condições fixadas. Se houver a fase judicial, independentemente de estar o acusado preso ou não, haverá a revogação da suspensão condicional do processo nos termos do art. 89, § 3º da lei acima mencionada.

Se a prisão é em decorrência de contravenção, pode o juiz suspender, em cada caso, o benefício processual tendo em vista que é uma causa de revogação facultativa conforme expõe o art. 89, § 4º da Lei nº 9.099/95. Após a liberdade do acusado, este pode dar prosseguimento ao cumprimento das condições propostas.

10.5 – Sursis após a Revogação da Suspensão

Depois de ter havido revogação da suspensão do processo, pode o acusado, se condenado no final, obter sursis? Não existe impedimento explícito, mas algumas causas de revogação são flagrantemente incompatíveis com o sursis. Por exemplo: condenação por outro crime doloso e não pagamento, sem motivo justo, da reparação. Essas duas hipóteses configuram causas de revogação obrigatória do sursis. Logo, a fortiori, serão também impeditivas.

No que diz respeito às demais causas revogatórias da suspensão impõe-se a análise concreta de cada caso. Mas desde logo convém enfatizar: quem não foi suficientemente capaz de cumprir as condições da suspensão, em algumas hipóteses, não terá aptidão para cumprir a suspensão condicional da execução.

Questão distinta em saber se quem foi beneficiado com a suspensão condicional do processo pode ou não receber o sursis “em outro crime”. Ora, na suspensão condicional não se examina a culpabilidade do agente. Portanto, em princípio, não impede o sursis em outro processo.

Em sentido exposto ao nosso temos as doutrinas de Pazzaglini Filho et. al.(1997, p. 105) entendendo que, em qualquer hipótese, a conduta