Suspensão Condicional do Processo
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Suspensão Condicional do Processo

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do acusado que dá causa à revogação da suspensão demonstra-se incompatível com o sursis.

 CONCLUSÃO

1- A suspensão condicional do processo representa uma mudança radical no que concerne à quebra do princípio da obrigatoriedade da ação penal, possibilitando uma solução mais célere para a lide penal, quer pelo consenso das partes, quer pela transação ou por um procedimento sumário, através de uma via despenalizadora a qual não se perquirirá a culpa do agente.

2 – A suspensão é ato bilateral (tanto o órgão ministerial quanto o réu ou querelante – quando for caso de ação penal privada ou subsidiária da pública - cedem uma parcela de seus direitos, é personalíssimo (fundamento na autodisciplina e senso de responsabilidade), é ato voluntário (aceitação consciente e livre), é ato absoluto (aceitação não pode ser condicionada), é ato formal (reunião das solenidades exigidas pela lei), é ato vinculante (validade nos limites em que tudo foi estipulado), é ato tecnicamente assistido (uma vez que o ato implica no recuo de certos direitos constitucionais) e é ato de postulação (uma vez que cabe ao magistrado a última palavra através do seu poder-dever).

3 – A suspensão condicional do processo deve ser proposta pelo Ministério Público ou pelo querelante na ação penal privada ou subsidiária da pública. Deve ser proposta no momento do oferecimento da denúncia, em regra, exceto em casos de desclassificação final da infração ou naqueles casos com sentença condenatória sem trânsito em julgado, se presentes os requisitos legais, não houve a oportunidade de ofertar a suspensão.
4 – Caso o Parquet não ofereça a suspensão do processo, o juiz, verificando a presença dos requisitos legais, encaminhará os autos ao Procurador Geral, utilizando-se de analogia ao art. 28 do CPP. Se o Procurador insistir na negativa da proposta, nada mais pode ser feito no âmbito consensual. Contudo, se a manifestação do procurador por absolutamente infundada, pode dar ensejo à impetração de habeas corpus. Nos crimes de ação penal privada ou subsidiária da pública, se o querelante recusar a proposta da suspensão, não haverá a proposta de suspensão condicional do processo.

5 - Pode ser admitida a suspensão nos crimes cuja pena mínima não ultrapasse a 1 (um ano) ou se transpassar esse limite, naqueles casos em que há pena alternativa de multa; nas contravenções penais; em qualquer espécie de concurso de crimes desde que seja observado o duplo critério – objetivo e subjetivo -; nos crimes conexos praticados pelo mesmo autor com observação dos requisitos objetivo e subjetivo e desde que, evidente, o acusado não esteja preso pelo crime conexo; nos crimes conexos praticados por diversos agentes dando tratamento individual; nos crimes de co-autoria e de participação, cingindo o processo para aqueles que se enquadram nos requisitos da suspensão; nos casos de desclassificação (emendatio libelli, mutatio libelli, por força do veredicto dos jurados – caso de extinção da punibilidade de crime contra a vida e reconhecimento de prática de crime que cabe a suspensão - e na pronúncia); em tese, nos crimes dolosos contra a vida; e por precatória.

6 - Por outro lado, não se admite caso o acusado seja revel, inimputável ou menor de 18 (dezoito) anos (uma vez que uma das principais características do instituto é a livre e consciente vontade do acusado); durante o interstício de 5 (cinco) anos da concessão da primeira transação processual; e no caso de uma segunda proposta dentro do mesmo processo se iniciada a audiência de instrução e julgamento.

7 – Durante o período de provas o acusado estará submetido a certas condições: reparação de dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; proibição de freqüentar determinados lugares; proibição de ausentar-se da comarca onde reside sem autorização do magistrado; comparecimento obrigatório e pessoal a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. O juiz poderá especificar outras condições bem como flexibilizá-las, com arrimo no princípio da proporcionalidade.

8 – A suspensão será revogada caso o beneficiado não efetue, sem motivo justificado, a reparação do dano; seja processado ou condenado, no curso do período de prova, por outro crime ou contravenção, sendo neste último caso dependendo do caso em concreto em razão de ser hipótese de revogação facultativa; descumpra qualquer outra condição imposta e; seja preso supervenientemente.

9 – Como a suspensão condicional do processo traduz na utilização de uma providência de ordem processual-penal, pode conduzir, em sendo cumpridas as condições impostas ao acusado, a extinção da punibilidade sem chancela pública do ato cometido.

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