DP - Execução
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DP - Execução

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dos bens penhorados e a regra geral é que ocorra por hasta pública, mas a lei traz a possibilidade de se realizar por meio de corretor de imóveis ou por corretor da Bolsa de Valores, nos termos do art. 704 do CPC.
Também denominada arrematação, a alienação em hasta pública é ato executório pelo qual são transferidos os bens penhorados ao credor. Esta transferência é feita, pelo Estado, mediante o pagamento, em dinheiro, do valor dos bens.
A hasta pública é feita de dois modos; praça ou leilão.
Se o objeto penhorado for bem imóvel será feita mediante praça e esta será realizada no átrio do edifico do fórum. Se tratar-se de bem móvel será feita mediante leilão que deverá ser realizado no local onde estiverem os bens ou o determinado pelo juiz (art. 686, §2°, CPC).
A arrematação é ato complexo que exige um procedimento, denominado procedimento expropriatório, composto por três fases: publicação do edital, licitação e assinatura do auto.
A publicação do edital objetiva a tornar pública a alienação forçada dos bens penhorados, possibilitando a participação dos interessados na licitação.
 
Observações sobre o edital
O art. 686 do CPC especifica o que deverá conter o edital de hasta pública, a saber: descrição do bem penhorado com todas as suas características, valor do bem, lugar onde se encontram os bens ou autos do processo em que se encontra a penhora, dia e hora da realização da praça ou leilão, menção da existência de ônus, recurso ou causa pendente sobre os bens, comunicação de que se o bem não alcançar o lanço superior ao da avaliação será realizada outra alienação pelo critério de maior lanço, mas não poderá, nesta segunda praça, ser oferecido preço vil (art. 692, CPC).
O edital será afixado no local de costume e sua publicação resumida deverá ocorrer com antecedência mínina de 5 dias, pelo menos uma vez em jornal local e se o credor for beneficiário da justiça gratuita o edital será publicado na imprensa oficial.
Se o valor dos bens penhorados não exceder a 60 vezes o salário mínimo vigente na data da avaliação a publicação do edital será dispensada e nesta situação o preço da arrematação não será inferior ao da avaliação, nos termos do art. 686, § 3°, CPC.
Sendo superior o valor haverá a publicação do edital, sob pena de nulidade da arrematação caso não haja sua publicação ou o edital encontre-se incompleto.
Poderá o juiz alterar o modo e a freqüência da publicidade do edital, a depender das condições da comarca e do valor dos bens e poderá ainda determinar a reunião das publicações em listas referentes a mais de uma execução, segundo orientação do art. 687, § 2° e § 4°, CPC.
Para os editais da praça o § 3° do mesmo artigo determina que estes sejam divulgados pela imprensa, preferencialmente em seção destinada aos negócios imobiliários.
Observações sobre intimações
O executado deverá ser cientificado da hora e local da alienação judicial ou por intermédio de seu advogado, se este já estiver constituído nos autos. Em caso negativo deverá ser cientificado por mandado, carta registrada, edital ou outro meio idôneo destinado a dar-lhe ciência da arrematação. Também deverão ser cientificados da alienação judicial os credores com garantia real ou com penhora anteriormente averbada que não faça parte da execução. Esta comunicação deverá ser feita com antecedência mínima de 10 dias por qualquer meio idôneo, sendo que sem esta providência não será realizada a alienação, determinações estas estabelecidas pelos artigos 687, §5° e 698 do CPC, respectivamente.
Observações sobre participantes
O art. 690-A do CPC e incisos apresentam quais são as pessoais que podem participar da alienação judicial, trazendo também as restrições. Determina que podem participar da licitação todos aqueles que estiverem na livre administração dos bens.
Como restrição tem-se os tutores, curadores, testamenteiros, administradores, síndicos ou liquidantes em relação aos bens que estejam sob a responsabilidade deles. Também os mandatários, quanto aos bens que estejam sob sua administração, não podem licitar.
Ao juiz, aos membros do Ministério Público, da Defensoria Pública, servidores e auxiliares da Justiça também existe tal vedação.
O fiador remisso e o arrematante também não poderão licitar, conforme disposto no art. 695, CPC. Considera-se remisso, nesta situação, o fiador ou arrematante que não efetuaram o pagamento no prazo de 15 dias.
Observações sobre lanços
Sendo diversos os bens e houver mais de um lançador, terá preferência o que oferecer arrematar os bens reunidos, propondo preço igual ao da avaliação para os bens que não tiverem licitantes e maior lanço para os demais.
Não será aceito preço vil, em caso de segunda hasta, porém a lei não define o valor que possa ser considerado vil, cabendo ao juiz decidir.
O que a lei determina é que quando o imóvel for de incapaz e for ofertado preço inferior a 80% do valor da avaliação, a alienação será suspensa por prazo não superior a um ano, devendo o juiz determinar a guarda e administração do imóvel a depositário idôneo.
Nesta situação poderá o juiz autorizar a locação do imóvel. O adiamento também poderá ser suspenso e o juiz autorizará a alienação em praça, se o pretendente assegurar o preço da avaliação, prestando caução, porém se houver arrependimento ao arrematante será imposta multa de 20% sobre o valor da avaliação. A multa será revertida em prol do incapaz e esta decisão formará título executivo.
Observações sobre conclusão da arrematação
Assim que o produto da arrematação for suficiente para o pagamento ao credor, a arrematação será suspensa, pois o direito do credor será satisfeito e para tanto será necessário formalizar o auto de arrematação, que será lavrado de imediato.
A arrematação será considerada perfeita, acabada e irretratável após o auto de arrematação ser assinado pelo juiz, pelo arrematante e pelo leiloeiro ou serventuário da justiça, ainda que os embargos do executado sejam julgados procedentes, segundo art. 694 do CPC. Isto porque no caso de procedência dos embargos o executado terá direito a receber do exequente o valor recebido como produto da arrematação. E no caso do valor ser inferior ao valor do bem receberá a diferença, conforme determinado pelo art. § 2° do citado artigo.
Prevê o art. 694 situações que levam a arrematação a ser considerada sem efeito.
São elas:
I – vício de nulidade;
II – se não for pago o preço ou não prestada a caução;
III – se o arrematante provar, nos 5 dias seguintes, a existência de gravame ou ônus real não mencionado no edital;
IV – se o arrematante requerer, no caso de embargos à arrematação;
V – se realizada por preço vil; e,
VI – nos casos previstos no art. 698, que versa sobre falta de intimação de credores com garantia real ou com penhora já averbada.
 
Não sendo considerada sem efeito, não sendo impugnada e observadas as condições para a lavratura do termo a carta de arrematação, tratando-se de bens imóveis, será exarada e deverá conter a descrição completa do imóvel, a cópia do auto de arrematação e a prova de quitação dos impostos para que seja levada ao Registro de Imóveis pelo adquirente.
 
       DO PAGAMENTO AO CREDOR (art. 708 a 724, CPC)
O art. 708 e incisos do CPC prescrevem as formas de pagamento ao credor, estabelecendo que “o pagamento ao credor far-se-á ela entrega do dinheiro, pela adjudicação dos bens penhorados ou pelo usufruto de bem móvel ou imóvel de empresa”.
A adjudicação dos bens penhorados já foi objeto de estudo, restando apenas a entrega do dinheiro e a adjudicação de bem móvel ou imóvel.
 
Da entrega do dinheiro
Tratando-se de credor único caberá o direito de preferência sobre os bens penhorados e alienados e o juiz autorizará o credor a levantar o dinheiro depositado até a satisfação do crédito. O mesmo ocorrerá se não houver sobre os bens alienados privilégio ou preferência, instituídas anteriormente à penhora. Nestas situações, o credor receberá o mandado de levantamento e dará ao devedor quitação por termo nos autos. É o que determina o art.
Paloma fez um comentário
  • Gisele, poderia postar as respostas do questionário? Obgda!
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