DP - Execução
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DP - Execução

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CONTRA A FAZENDA PÚBLICA (art. 730 e 731, CPC)
 
1. INTRODUÇAO
O procedimento executivo em face da Fazenda Pública subordina-se a regras específicas, contidas nos artigos 730 e 731 do CPC que tratam, especificamente, execução por quantia certa contra a Fazenda Pública.
Tratando-se de execução de obrigações de fazer e não fazer e de entrega de coisa contra a Fazenda segue - se o disposto nos artigos 461 e 461 - A do CPC, se título judicial. Sendo o título extrajudicial observa-se o procedimento próprio de título extrajudicial correspondente à obrigação, ambos no Livro II do CPC.
Nas execuções cujo pólo passivo contiver a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal, autarquias e fundações públicas o procedimento para a execução será especial, devido à impossibilidade de expropriação dos bens destes entes, uma vez que, por força do art. 100 do Código Civil, os bens públicos são impenhoráveis e o pagamento será feito por precatórios, em razão da previsão constitucional contida no art. 100.
E não sendo possível a expropriação de seus bens não será ela citada para pagar em três dias, sob pena de penhora, conforme determina o art. 652 do CPC. A citação conterá outra determinação que será estudada adiante.
Poderá a execução ser fundada em título judicial ou extrajudicial e embora haja certa controvérsia sobre esta questão o Superior Tribunal de Justiça (STJ) disciplinou a questão com a edição da Súmula 279, assim estabelecendo: “é cabível execução por título extrajudicial contra a Fazenda Pública”.
Extrai-se, portanto outra característica própria desta espécie de execução, qual seja: a formação de processo autônomo ainda que se trate de título judicial.
Na semana 1, ao estudarmos a teoria geral das execuções, registramos que as alterações promovidas pela lei 11. 232/2005 modificou significativamente o tema execução, transformando o processo de execução de títulos judiciais em um único processo. Nele a execução é uma fase seguinte ao processo de conhecimento, que é a fase de cumprimento da sentença. Para os títulos judiciais os atos cognitivos e satisfativos são fases deste processo único.
Já nas execuções fundadas em título extrajudicial vimos que estas ensejam a formação de um novo processo autônomo e que exige a citação do devedor.
Para a execução contra a Fazenda Pública não há este sistemática. A execução, tratando-se de Fazenda Pública, independente de qual a natureza do título; se judicial ou extrajudicial, formará sempre um novo processo, exigindo-se a citação da Fazenda Pública.
 
2. PROCEDIMENTO
De acordo com o art. 730 do CPC a Fazenda Pública será citada para opor embargos em dez dias.
Citada, poderá a Fazenda Pública optar por não embargar. Poderá também embargar, mas o juiz, ao analisar os embargos, poderá rejeitá-los.
Diante da não oposição dos embargos pela Fazenda Pública ou de sua rejeição será o pagamento feito por precatório (art. 730, inc. I e II, CPC), seguindo-se a ordem estabelecida na Constituição Federal.
Se esta ordem cronológica não for obedecida prevê o art. 731 do CPC o seqüestro da quantia necessária para satisfazer o débito, que deverá ser ordenado pelo magistrado após a oitiva do membro do Ministério Público.
Importante percebermos a diferença procedimental desta espécie de execução. A Fazenda será citada para, em 10 dias, opor embargos e não para pagar a quantia em 3 dias. 
E, na sua inércia, a conseqüência não é a penhora de bens, mas sim a expedição de ordem de pagamento. Isto porque a Fazenda não poderá ter seus bens penhorados e a única forma de coerção é o ofício requisitório.
 
3. PRECATÓRIOS
Precatório significa requisição de pagamento e possui regras constitucionais que devem ser observadas.
O precatório deverá ser solicitado pelo Presidente do Tribunal Regional da respectiva região em que tramita a ação, tratando-se de Fazenda Pública Federal.
Esta atribuição do Presidente do Tribunal de Justiça se não cumprida leva ao crime de responsabilidade. A EC 62/09, ao incluir o §7° no art. 100, adverte: “O Presidente do Tribunal de Justiça competente que, por ato comissivo ou omissivo tentar retardar ou tentar frustrar a liquidação regular de precatórios incorrerá em crime de responsabilidade e responderá também, perante o Conselho Nacional de Justiça”.
Tratando-se de Fazenda Pública Estadual, Municipal ou do Distrito Federal, a requisição de pagamento será dirigida ao Presidente do Tribunal de Justiça respectivo.
A Emenda Constitucional n° 62 de 2009 (EC 62/09), denominada a “EC dos Precatórios” alterou a sistemática, fixando exceções no que se refere à requisição e também criou uma nova ordem de preferência para realização do pagamento.
Atualmente, com a redação dada por esta emenda ao art. 100, o § 3° e § 4° foi alterada a forma de requisição do precatório e o pagamento das obrigações consideradas como de pequeno valor deverá ser requisitado diretamente pelo juízo da execução, retirando tal missão do Presidente do Tribunal, sendo pequeno valor fixado pelos Estados, em leis próprias.
Quanto à ordem estabelecida para efetuar o pagamento a EC 62/09 também trouxe mudanças, concedendo preferência aos créditos alimentares para algumas pessoas que tenham características especiais.  Assim o §2° do art. 100 determina que os débitos de natureza alimentar deverão ser pagos com preferência aos portadores de doença grave e pessoas com 60 anos ou mais na data da sua expedição.
Isto não significa que estes créditos estão dispensados do precatório, mas sim que possuem preferência quando do pagamento, inclusive havendo súmula do STF sobre esta questão. (Súmula 655).
 Ao receber o ofício requisitório a Fazenda deverá incluir no orçamento a verba destinada aos pagamentos de seus débitos oriundos de sentença transitada em julgado, constantes de precatórios judiciais, apresentados até dia 01 de julho, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, sendo os valores atualizados monetariamente, segundo determina o § 5° do art. 100 da CF.
 
4. DUPLO GRAU DE JURISDIÇAO (REEXAME NECESSÁRIO)
Primeiro vale relembrar o que vem a ser reexame necessário.
Não se trata de recurso, pois o CPC não o inclui neste rol.
É um fenômeno processual, cujas hipóteses estão descritas no art. 475 do CPC. Nelas sempre há sucumbência da Fazenda Pública, ou porque as sentenças foram proferidas contra os entes que compõe a Fazenda Pública (União, Estados, Municípios, Distrito Federal, autarquias e fundações de direito público) ou porque os embargos foram julgados procedentes e, portanto, houve sucumbência.
Estas situações levam ao reexame necessário que é a apreciação da sentença pelo órgão superior.
 
Observação: quanto aos embargos à execução contra a Fazenda Pública, trata-se de mecanismo de defesa do devedor, tema a ser abordado detalhadamente na semana 12.
 
       DA EXECUÇÃO FISCAL
 
1. INTRODUÇÃO
A execução fiscal rege-se pela lei 6.830/80 (lei de execução fiscal – LEF) que dispõe sobre a cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Publica, indicando, no art. 1° a aplicação subsidiária do CPC.
O título executivo desta espécie de execução é a certidão de dívida ativa (CDA), cuja definição é dada pelo art. 2°da LEF e o art. 3°, estabelece que a CDA devidamente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez, que são justamente os pressupostos dos títulos executivos. E nos termos do art. 585 do CPC é título executivo extrajudicial.
 
2. PROCEDIMENTO
Conquanto seja título executivo judicial sua execução não se dá da mesma forma.
A petição inicial deverá observar as normas do art. 6° da LEF.
O despacho proferido pelo juiz, se deferi-la conterá a ordem de citação, penhora  e arresto, registro de ambas e avaliação dos bens penhorados ou arrestados, segundo prescreve o art. 7° da LEF.
O executado será citado para, em 5 dias (e não nos 3 do CPC), pagar a dívida ou garantir a execução, observadas as regras do art. 8° da lei.
Se o executado não realizar o pagamento e nem garantir a execução, a penhora poderá recair em todos os bens do executado,
Paloma fez um comentário
  • Gisele, poderia postar as respostas do questionário? Obgda!
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