DP - Execução
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DP - Execução

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sem a solicitação do credor.
 
3. POSIÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA EM RELAÇÃO À PRISÃO CIVIL
A prisão civil será decretada se o devedor não pagar a prestação alimentícia devida e nem justificar o inadimplemento. Vimos que a prisão pode ser decretada tratando-se de alimentos definitivos ou provisórios. Indaga-se apenas quanto ao momento, pois necessário saber se cabível a prisão para alimentos pretéritos.
A prestação de alimentos tem como finalidade propiciar ao credor o sustento, a manutenção de suas necessidades. Tal objetivo imprime a esta prestação a urgência.
Diante disto, o STJ editou a Súmula 309: “o débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores à citação e as que vencerem no curso de processo”.
Ademais, o art. 206, §°2 do Código Civil traz regras para a prescrição, estabelecendo que prescreve em 2 anos a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem.
Trata-se de mais um indicativo de que o devedor não poderá estar sujeito à prisão civil se a prestação não for cobrada em tempo adequado e, lembrando, que se decorrente de ato ilícito, não pode ensejar a decretação da prisão e sim poderá ser executada na forma prevista para os títulos judiciais, observando-se o prazo prescricional.
As prestações que levam o juiz a decretar a prisão civil, ou seja, aquelas que podem ser executadas na forma do art. 733 do CPC, como regra, são as três prestações anteriores à citação e as que vencerem no curso de processo e advindas de fixação de alimentos provisórios ou definitivos.
Embora a súmula que embasa tal afirmação não seja vinculante, deve ser observada.
As prestações anteriores, conquanto não ocasionem a prisão civil do devedor, poderão ser executadas na forma comum, tendo como mecanismos de coerção a penhora dos bens e conseqüente expropriação nas formas indicadas pelo CPC, ou seja, pela adjudicação, alienação por iniciativa particular e alienação por hasta pública (vide semana 05).
 
4. RECURSO
O artigo 19, § 2° da Lei de Alimentos fixa: “da decisão que decretar a prisão do devedor, caberá agravo de instrumento”.
Entretanto a prisão fere a liberdade do indivíduo, que é um direito fundamental da pessoa humana e que por expressa previsão constitucional contida no art. 5°, inc. LXVIII, admite contra ela a impetração de habeas corpus.
O habeas corpus tem as regras disciplinadas pelo Código de Processo Penal e não se presta a discutir valores das prestações e aspectos pertinentes às provas. A análise ficará restrita a legalidade da prisão.
 
QUESTÕES DE FIXAÇÃO
Diante da citação para pagamento da prestação dos alimentos provisionais qual atitude deverá tomar o devedor?
Em qual hipótese caberá a prisão civil do devedor de alimentos?
Qual o recurso cabível contra decisão que decreta a prisão civil do devedor de alimentos? Explique.
Explique a controvérsia existente no tocante a prazo da prisão civil do devedor de alimentos.
Qual a posição do STJ em relação à prisão civil do devedor de alimentos?
 

Semana 11
Nesta semana você deverá estudar sobre a execução por quantia certa contra devedor insolvente
 
DA EXECUÇAO POR QUANTIA CERTA CONTRA DEVEDOR INSOLVENTE
 
1. INTRODUÇÃO
De acordo com o art. 591 do CPC o devedor responde com seu patrimônio no cumprimento de suas obrigações.
A satisfação do direito do credor alcança todos os credores, não podendo apenas um ter sua satisfação adimplida. E para que isto seja possível a legislação processual criou uma forma especial de execução.
Trata-se da execução por quantia certa contra devedor solvente, que deverá ser utilizada quando o devedor estiver insolvente, ou seja, quando seu patrimônio for insuficiente para saldar suas dívidas todas.
Insolvência significa impossibilidade de pagamento. De acordo com o artigo 748 do CPC sempre que as dívidas contraídas excederem à importância dos bens do devedor, dar-se-á a insolvência.
Não é suficiente a insolvência do devedor, e sim a declaração de insolvência, que deverá ocorrer judicialmente.
A insolvência também poderá ser presumida, nas situações previstas no art. 750, que serão estudadas mais adiante.
Outra peculiaridade nesta espécie de execução refere-se às partes, pois poderá a insolvência ser requerida tanto pelo credor como pelo devedor ou seu espólio.
O devedor, para ser considerado insolvente, não poderá ser comerciante, pois aos empresários e sociedade empresárias aplica-se a Lei 11.101/05 – Lei de Falências e Recuperação de Empresas (LF)
Isto significa que se tratando de devedor civil e, sendo o caso, haverá insolvência civil. Tratando-se de empresário ter-se-á a falência.
Conquanto tratar-se de institutos diversos a insolvência civil e a falência possuem algumas semelhanças que merecem comentários.
A primeira delas diz respeito à possibilidade de ambas poderem ser requeridas pelo devedor.
A Lei 11.101/05 prevê a hipótese de a falência ser requerida pelo devedor (autofalência - art. 105, LF) e a execução contra devedor insolvente permite ao devedor requerer sua insolvência, com fulcro no art. 753, inc. II do CPC.
Outra semelhança refere-se ao procedimento. Ambas possuem duas fases procedimentais, tendo como conseqüência a execução concursal dos credores, isto é, tanto na execução contra devedor insolvente como na falência abre-se o concurso universal dos credores.
Ambos os institutos guardam semelhanças, mas diferem e uma das diferenças relevantes diz respeito ao termo insolvência.
Tem-se a insolvência civil quando o estado patrimonial do devedor encontra-se diminuto em relação às suas dívidas todas, sendo o caso de insolvência real.
Tem-se a insolvência civil presumida nos casos previstos em lei e que serão estudados no tópico 3 desta semana.
Na falência, a insolvência caracteriza-se pela ocorrência de fatos especificados no art. 94 e incisos da LF, não importando sua situação patrimonial.
Mas ressalte-se que tanto a insolvência civil, que acarreta a execução por quantia certa contra devedor solvente, como a insolvência necessária à execução por falência, ensejam a instauração da execução concursal dos credores, cujo princípio norteador é denominado pela doutrina de pars conditio creditorum.
Por ele sempre que houver a insolvência declarada, os credores não poderão fazer uso da execução individual, e sim da execução concursal, seja na forma do CPC para os casos de devedores civis, seja nos termos da LF, para os empresários.
 
2. PROCEDIMENTO
O procedimento da execução por quantia certa contra devedor solvente se dá em duas etapas distintas.
A primeira fase destina-se a declarar a insolvência por sentença. Realizam-se atos cognitivos, objetivando verificar o estado econômico de devedor. Diante da afirmativa da insolvência do devedor tem-se a condição que permite a execução universal dos credores.
Na segunda fase os atos são executórios e instaura-se o concurso universal dos credores do devedor comum.
O art. 753 do CPC atribui legitimidade para requerer a declaração de insolvência a qualquer credor quirografário, ao devedor e pelo inventariante do espólio do devedor.
       Insolvência requerida pelo credor (art. 754 a 758, CPC)
O credor quirografário, ou seja, aquele credor sem privilégio, cuja obrigação constante no título executivo, não foi cumprida pelo devedor, terá legitimidade para valer-se da execução contra devedor insolvente, requerendo, desta forma, a declaração judicial de insolvência do devedor.
Já o credor preferencial somente poderá requerer a insolvência se abdicar das garantias.
O credor deverá requerer a declaração de insolvência do devedor, instruindo o pedido com o título executivo judicial ou extrajudicial, conforme art. 754 do CPC.
O devedor será citado para opor embargos em 10 (dez) dias.
Se o devedor mostrar-se inerte, ou seja, não oferecer os embargos ou oferecê-los intempestivamente, o art. 755 determina ao juiz a prolação da sentença em 10 (dez), porém se o devedor, neste prazo depositar a importância do crédito para discutir
Paloma fez um comentário
  • Gisele, poderia postar as respostas do questionário? Obgda!
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