DP - Execução
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DP - Execução

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juiz mandar que se faça do modo menos gravoso para o devedor, mas sem prejudicar o credor. Ou seja, deverá haver um equilíbrio entre os interesses das partes.
       Princípio do contraditório
Ainda que a aplicação deste princípio na execução tenha causado controvérsia, certo é que sua aplicação estende-se à execução, uma vez que o ordenamento jurídico estabeleceu como garantia constitucional o contraditório e a ampla defesa nos processos judiciais e administrativos, consoante art. 5°, inc. LV da CF.
Mesmo inexistindo sentença de mérito na execução, trata-se de processo judicial e, portanto, não excluído da garantia constitucional.
As defesas previstas no CPC confirmam a existência deste princípio.
 
3. LEGITIMIDADE DAS PARTES
O título executivo aponta quais são as partes na execução, ou seja, traz que são os credores, denominados na execução exequentes e quem são os devedores, denominados executados, casos em que teremos a legitimidade ativa e passiva, respectivamente.
Em regra, credor e devedor são as partes na execução, entretanto poderão ocorrer mudanças que ocasionarão alterações nestas posições, o que nos leva à legitimação derivada ou superveniente.
Também poderá o título executivo conferir titularidade a mais de um credor ou devedor o que indica a formação do litisconsórcio.
 
       LEGITIMIDADE ATIVA
Os artigos 566 e incisos do CPC prevêem quais são as pessoas que podem promover a execução forçada: credor e o Ministério Público.
A doutrina diferencia a legitimidade ativa em primária ou direta e superveniente ou derivada
 
Legitimidade ativa direita
a)    Credor a quem a lei confere título executivo (inc. I).
É aquele que assim figura no título executivo, seja o título judicial ou extrajudicial, podendo pleitear a prestação jurisdicional executiva.
Trata-se de legitimidade ordinária.
b)    Ministério Público, nos casos previstos em lei (inc.II).
O Ministério Público tem grande atuação na defesa dos interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, ou seja, possui legitimidade para agir no âmbito do direito processual coletivo.
O membro do Ministério Público poderá promover a execução em nome próprio ou em nome do Estado, salientando-se que também deverá intervir quando, na execução, houver interesse de incapazes ou interesse público, nos termos do artigo 82 do CPC.
Trata-se de legitimidade extraordinária, pois o interesse tutelado não lhe pertence. Litiga em juízo em nome próprio, mas na defesa de interesses alheios.
 
Legitimidade ativa superveniente ou derivada
Uma vez constituído o título executivo judicial ou extrajudicial poderá ocorrer alguma situação na qual o título será transferido a terceiros que são também legitimados a prosseguir na execução se esta já foi iniciada, ou promover-lhe, caso ainda não esteja em curso, de tal forma que a legitimação será superveniente à formação do título executivo.
As hipóteses estão previstas no artigo 567 e incisos do CPC: espólio, herdeiros ou sucessores do credor; cessionário e sub-rogado.
a)    Espólio, os herdeiros ou sucessores do credor sempre que por morte deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo (inc. I).
Espólio: quando a sucessão ocorre por morte o espólio será legitimado até que se realize a partilha dos bens do de cujus.
Espólio corresponde ao aglomerado de bens que compõe a herança, enquanto não realizada a partilha, tendo como representante o inventariante, sendo que se este for dativo os representantes serão todos os herdeiros, conforme estabelece o art. 12, §1° do CPC.
Herdeiros: após a partilha serão os herdeiros os legitimados.
Herdeiro é aquela pessoa que recebe a título universal. É o sucessor universal. O herdeiro poderá receber na forma legítima ou testamentária.
Sucessores: neste contexto são as pessoas que foram contempladas no testamento do credor com o direito contido no título executivo, como legatárias.
Legatário é a pessoa que recebe a título singular, ou seja, vai receber determinado patrimônio.
 
 
b)    Cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe foi transmitido por ato entre vivos (inc.II).
Cessão é matéria relativa ao direito das obrigações e vem regulada no Código Civil nos artigos 286 a 303.
Resumidamente cessão de crédito é a transferência dos direitos do credor a uma terceira pessoa e como regra, todos os créditos podem ser cedidos.
Ocorrendo a cessão de crédito por ato entre vivos o pólo ativo será ocupado pelo cessionário, que deverá apresentar o ato de cessão, não sendo necessária a anuência do devedor, à medida que o art. 286 do CC dispõe que o credor pode ceder o seu crédito. Isto porque na cessão de créditos participam apenas o cedente e o cessionário, ficando o devedor estranho à relação, sendo necessário que ele seja notificado para que não efetue o pagamento ao credor originário, porém a sua anuência não é indispensável para que a cessão se efetive.
c)     Sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional (inc. III).
Convêm relembrar o que vem a ser sub-rogação.
Trata-se de instituto de direito civil, pertinente às obrigações.
O termo sub-rogação indica situações em que uma pessoa ou uma coisa são substituídas por outra pessoa ou por outra coisa, conforme seja a sub-rogação pessoal ou real.
Ocorre que esta substituição, que enseja a transferência de direitos, pode se dar por convenção das partes ou por determinação legal, daí falarmos em sub-rogação legal e convencional, ambas tratadas no Código Civil.
Sub-rogação legal (art. 346, CC) decorre da lei, enquanto a convencional (art. 347, CC) decorre da vontade das partes.
A sub-rogação legal independe da declaração do credor ou devedor, comumente sendo um terceiro o interessado na satisfação do crédito.
Já a sub-rogação convencional origina-se por iniciativa de uma das partes, quando não evidenciados os requisitos da sub-rogação legal.
 
       LEGITIMIDADE PASSIVA
Legitimado passivo é aquele que responde pelo cumprimento da obrigação consistente no título executivo judicial e extrajudicial.
É contra este legitimado que se pode promover a execução.
Em regra, são legitimados passivos aqueles que constam no título executivo como devedor (legitimação originária) e assim como acontece na legitimidade ativa, na passiva tem-se as hipóteses de legitimação derivada.
O artigo 568 e incisos do CPC institui quem são as pessoas passíveis de sofrer a execução: devedor, espólio, novo devedor, fiador judicial e responsável tributário.
A doutrina costuma chamar o inciso I de legitimação direta e os demais incisos de legitimação superveniente ou derivada. 
a)    O devedor, reconhecido como tal no título executivo (inc. I).
Tanto no título executivo judicial como no extrajudicial constará quem é o devedor.
Tratando-se de título judicial devedor é a pessoa que foi condenada. É o vencido e será responsável pela obrigação na parte em que a sentença determinar.
Tratando-se de título extrajudicial devedor será aquele que mencionado no título.
b)    O espolio, os herdeiros ou os sucessores do devedor (inc. II).
Assim como ocorre no pólo ativo, no pólo passivo também existe a possibilidade de alterações fáticas, o que importa na legitimação derivada ou superveniente, mantendo-se as mesmas considerações já feitas.
No entanto, cabe observar que a execução não poderá ultrapassar os limites da herança.
c)     O novo devedor, que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante do título executivo (inc. III).
Trata-se de assunção de dívida (cessão de débito).
Neste caso uma terceira pessoa assume a posição de devedor e com isto adquirirá a responsabilidade pela dívida.
O pólo passivo será ocupado pelo cessionário, mas deverá haver consentimento do credor, nos termos do art. 299 do CC.
Este consentimento é condição de eficácia para que a cessão de débito se aperfeiçoe, justamente porque o novo devedor, tornando-se responsável pelo adimplemento da obrigação, deverá ter a concordância do credor para que este não seja prejudicado, uma vez
Paloma fez um comentário
  • Gisele, poderia postar as respostas do questionário? Obgda!
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