DP - Execução
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DP - Execução

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prejuízos nos mesmos autos, por arbitramento;
III – o levantamento do depósito em dinheiro e a prática de atos que importem alienação de propriedade ou dos quais possa resultar grave dano ao executado dependem de caução suficiente e inidônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos.
 
 Já o exequente deverá, ao requerer a execução provisória, instruir a petição com as cópias da decisão (sentença ou acórdão) exequenda, da certidão de interposição de recurso ao qual não foi atribuído efeito suspensivo, das procurações outorgadas pelas partes, da decisão de habilitação, se for o caso e de outras peças que julgue necessária.
 
4. FRAUDE CONTRA CREDORES E FRAUDES À EXECUÇÃO
A legislação civil faculta ao proprietário o uso, o gozo e o poder de dispor de seus bens. É o que estipula o art. 1228 do CC.
O art. 591 do CPC, já mencionado no estudo do princípio da patrimonialidade, estipula que “o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei”.
O patrimônio do devedor constitui a garantia do credor em caso de inadimplemento, tornando-se uma limitação ao devedor, uma vez que este não poderá alienar ou onerar seus bens de modo a prejudicar os credores. Se o fizer, haverá fraude.
São duas as maneiras de alienação fraudulenta: fraude à execução e fraude contra credores.
       Fraude à execução
É instituto de natureza processual e suas hipóteses estão descritas no art. 593 e também no art. 615- A e parágrafos, ambos do CPC.
O art. 593 considera em fraude de execução a alienação ou a oneraçao de bens quando pendente sobre eles ação baseada em direito real ou quando ao tempo da alienação ou oneração já havia processo contra o devedor, processo este capaz de levá-lo a insolvência.
Portanto fraude à execução pressupõe processo pendente e requer também que o prejuízo causado ao credor decorra da insolvência do devedor.
Uma vez constatada, na execução, a insolvência do devedor, o juiz declara os atos praticados pelo devedor ineficazes.
E por serem estes atos ineficazes os bens alienados ou onerados em fraude à execução serão abarcados na execução como se não tivessem sido alienados e/ou onerados, ou seja, como se pertencessem ao executado.
Trata-se de questão de ordem pública, pois é ato atentatório a dignidade da justiça, por força do art. 600, inc. I do CPC que estabelece: “considera-se como ato atentatório a dignidade da justiça o ato de executado que frauda a execução”.
O descumprimento deste dever acarreta a imposição por parte do juiz da multa prevista no art. 601, não superior a 20% do valor atualizado do débito e que será revertida em proveito do credor.
A constatação da fraude à execução é feita na própria execução, pois somente na execução é que o juiz examina se o devedor está insolvente, requisito este indispensável para que se caracterize a fraude.
Se, após a citação de devedor na fase de conhecimento, ficar comprovado que houve alienação ou oneração de bens e que estas causaram a sua insolvência, o magistrado reconhecerá, na própria execução, a fraude à execução, declarando os atos ineficazes, sendo sua decisão interlocutória.
A outra possibilidade, prevista no art. 615 – A, implementada pela lei 11. 382/2006 trata da possibilidade de averbação de ajuizamento de execução e da presunção em fraude de execução.
O art. 615 - A possibilita ao exequente obter certidão comprovando a propositura da demanda no ato da distribuição para fins de averbação no registro de imóveis, veículos e de demais bens que se sujeitam a penhora. Estas averbações deverão ser comunicadas, pelo exequente, ao juízo, no prazo de dez dias de sua efetivação.
O §3° do mesmo artigo consolida: “presume-se em fraude à execução a alienação ou oneraço de bens efetuadas após averbação (art. 593)”.
Trata-se de presunção relativa, uma vez que o é possível que haja prova em contrário por parte dos interessados e do próprio executado.
 
       Fraude contra credores
É instituto de direito material, regulado pelo Código Civil nos artigos 158 a 165.
Trata-se de defeito do negócio jurídico, tornando-o anulável, nos termos do art. 171, inc. II do CC.
Assim como na fraude à execução, na fraude contra credores o devedor objetiva desfazer-se de seus bens, em prejuízo do credor, para furtar-se da responsabilidade patrimonial que a legislação processual lhe impõe, no já mencionado art. 591 do CPC.
A fraude contra credores forma-se com dois elementos; o objetivo, denominado eventus damni e o subjetivo, denominado consilium fraudis.
O elemento objetivo é o prejuízo do credor advindo da insolvência do devedor.
O elemento subjetivo é a má-fé do adquirente. Não se exige, para que se caracterize o consilium fraudis a ânimo de prejudicar credores. Apenas faz-se necessário que o devedor esteja ciente que seus atos importarão prejuízos aos credores, devido à insolvência que tais atos o levarão.
Portanto, a fraude contra credores não exige processo pendente. Requer apenas prejuízo ao credor decorrente de sua insolvência e a prova da má-fé do adquirente.
A fraude contra credores, diferentemente da fraude à execução, não poderá ser reconhecida na execução, de modo incidental.
Será necessário ao credor ingressar com a ação pauliana, também denominada revocatória para que os negócios jurídicos perpetrados sob fraude contra credores possam ser anulados.
Uma vez anulados os negócios jurídicos fraudulentos o resultado reverterá em benefício de todos os credores.
 
 
 
 
5. SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO
O CPC reserva o Título VI do Livro II para tratar das causas de suspensão e extinção do processo de execução.
Sobrevindo as causas de suspensão a execução tem-se por paralisada, enquanto que a extinção enseja o encerramento do processo.
 
       Suspensão (artigos 791 a 793, CPC)
O art. 791 traz as hipóteses em que a execução será suspensa.
São elas:
a) quando recebidos com efeito suspensivo os embargos à execução, casos em que poderá se dar a suspensão total ou parcial.
b) nas hipóteses previstas no art. 265, inc. I a III, ou seja, nas causas que levam à suspensão do processo de conhecimento, a saber: morte ou perda da capacidade processual das partes, do representante legal ou procurador; pela convenção das partes e se for oposta exceção de incompetência do juízo, suspeição ou impedimento do juiz.
c) quando o devedor não possuir bens penhoráveis.
Na ocorrência de alguma destas situações a execução será suspensa, sendo vedada à prática de atos processuais, porém poderá o magistrado ordenar as medidas cautelares que considerar urgentes, segundo redação dada pelo art. 793 do CPC.
 
       Extinção (artigos 794 e 795, CPC)
A finalidade da execução é a satisfação do credor ou porque cumprida a satisfação de algum modo ou porque houve a renúncia do credor.
As causas que levam o processo de execução à extinção estão descritas no art. 794 do CPC.
São elas:
a) o devedor satisfaz a obrigação e este é justamente o objetivo da execução. Extinto o crédito a execução perde o objeto e, portanto extingue-se.
b) o devedor obtém a remissão da dívida, seja por transação ou por outro meio.
c) o credor renuncia ao crédito.
Na ocorrência de alguma destas situações a execução será encerrada, porém somente produzirá efeito após ser declarada por sentença, por força do art. 795 do CPC.
QUESTÕES DE FIXAÇÃO
Diferencie a execução definitiva da execução provisória.
Explique fraude contra credores.
Explique fraude à execução.
Discorra sobre a suspensão da execução.
Discorra sobre a extinção da execução.

Semana 3
Nesta semana você deverá estudar sobre a liquidação de sentença e suas espécies.
 
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA (art. 475-A a 475-H, CPC)
 
1. CONCEITO
Atualmente a liquidação de sentença situa-se no processo de conhecimento e não mais no processo de execução.
As alterações promovidas pelas leis 11.232/2205 e 11.382/2006 tornaram a execução um processo autônomo de tal forma que a execução é uma
Paloma fez um comentário
  • Gisele, poderia postar as respostas do questionário? Obgda!
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