DP - Execução
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DP - Execução

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fase de um processo único, que contempla a fase cognitiva, relativa à fase de conhecimento e a fase executiva, onde se busca a satisfação do direito.
No processo de conhecimento o que se busca é a declaração de um direito, obtida por meio de uma sentença condenatória. Se o determinado pelo juiz não for cumprido espontaneamente haverá um conflito e o descumprimento acarretará a fase executiva, em que se almeja a satisfação do direito do autor, reconhecido na sentença condenatória.
Em regra, não se admite sentença ilíquida, conforme artigo 459, § único do CPC, pois a execução de um título executivo tem como um dos requisitos a liquidez, nos termos do artigo 586 do CPC, porém em determinadas situações poderá o juiz preferir sentença ilíquida.
Sendo ilíquida a sentença deverá haver a liquidação. É o que estabelece o artigo 475 – A do CPC e sendo líquida seu cumprimento será o previsto no artigo 461 e 461 - A do CPC, tema que será estudada na semana 3.
Título líquido corresponde ao título cujo valor é determinado ou tenha o objeto individuado, ou seja, é aquele que demonstra a quantidade de bens ou valores que perfazem a obrigação.
Já sentença ilíquida é aquela que apresenta todos os elementos identificadores da existência da obrigação, sem definir o quantum debeatur, ou seja, é título certo no que diz respeito à existência da obrigação, porém o valor da condenação não é determinado.
A liquidação da sentença é uma fase preparatória da execução, destinada a apurar oquantum, nas situações em que o título judicial for ilíquido. Pela liquidação apura-se o valor do que foi reconhecido na sentença condenatória.
Portanto, não há mais em nosso ordenamento jurídico fase autônoma de liquidação de sentença e desta forma será necessária a intimação da parte contrária.
Requerida a liquidação da sentença a parte será intimada na pessoa de seu advogado. Somente será necessária a citação do devedor se o título executivo for sentença arbitral, penal ou estrangeira, segundo redação dada pelo artigo 475 – N, § único do CPC. Isto porque, nestas três situações, não houve a fase de conhecimento, que antecede a fase executiva. Desta forma um novo processo será formado e por isto será necessária a citação da parte contrária.
Outra inovação estabelecida pela lei 11.232/2205 foi a liquidação provisória. Trata-se da possibilidade da parte requerer a liquidação, mesmo que haja recurso pendente.
A liquidação provisória será processada em autos apartados, no juízo de origem e o liquidante deverá instruir o pedido de liquidação com as cópias das peças do processo pertinentes, consoante artigo 475 - A, § 2° do CPC.
Não se deve confundir a execução com a liquidação. O que a lei tornou possível foi aliquidação provisória enquanto pendente recurso cujo efeito foi suspensivo. Não será possível a execução provisória, mas a liquidação provisória sim. Ou seja, caso a sentença seja ilíquida, e havendo recurso, poderá a parte interessada requerer a liquidação provisória, salientando-se que, na hipótese do recurso da parte contrária ser provido, a liquidação ficará sem efeito.
A execução somente terá início quando não houver recurso pendente com efeito suspensivo. 
 
2. ESPÉCIES DE LIQUIDAÇÃO
Eram três as espécies de liquidação previstas no código de processo civil: por cálculo do contador judicial, liquidação por arbitramento e liquidação por artigos.
A liquidação por calculo do contador judicial foi suprimida pela lei 8.898/94, mantendo-se apenas no CPC a liquidação por arbitramento e por artigos.
Atualmente quando necessário cálculo aritmético para se estabelecer o quantum, o próprio credor deverá requer o cumprimento de sentença, não havendo mais a fase de liquidação, conforme disposto no artigo 475-B e parágrafos do CPC.
O credor deverá requerer o cumprimento de sentença no forma do art. 475 – J, cujo pedido deverá ser instruído com a memória descritiva e atualizada do cálculo e se a elaboração depender de dados que estejam em mãos do devedor ou terceiro deverá o juiz, a requerimento do credor, fixar prazo de trinta dias para cumprimento desta providência. E nesta situação se os dados não forem apresentados, de modo injustificado, pelo devedor, os cálculos apresentados pelo credor serão tidos como corretos.
Se a recusa injustificada for de terceiro as regras seguidas serão as previstas no artigo 362 do CPC, ou seja, o juiz determina o depósito em cartório ou em outro lugar designado no prazo de cinco dias. Ordenará ainda que o terceiro responda pelas despesas e se ainda assim a ordem for descumprida o juiz expedirá mandado de busca e apreensão, e se necessário requisitará força policial e tudo isto sem prejuízo da responsabilidade por crime de desobediência.
Poderá o juiz valer-se de contador judicial nas situações dispostas no art. 475 –B, §3°, quais sejam: caso a memória apresentada pelo credor aparentemente exceder os limites da decisão a ser executada e também na hipótese de serem os credores ou devedores beneficiários da assistência judiciária.
 
       Liquidação por Arbitramento (artigos 475-C e 475-D, CPC)
O CPC em seu artigo 475 – C estabelece as hipóteses em que é cabível a liquidação por arbitramento, especificando que esta espécie de liquidação será feita quando determinado pela sentença ou convencionado pelas partes ou ainda quando a natureza do objeto da liquidação assim exigir.
A liquidação por arbitramento implica na nomeação de um perito que irá atribuir valor a uma atividade ou a um prejuízo ocasionado por um fato, ou seja, o perito indicará o quantumdebeatur.
O juiz, ao nomear o perito, indicará prazo para a entrega do laudo, sendo possível que, após a entrega do laudo, as partes sobre ele se manifestem em dez dias, nos termos do art. 475- D, CPC.
O juiz, se necessário, poderá marcar audiência para a oitiva do perito ou, não sendo o caso, proferirá sua decisão.
 
 
 
       Liquidação por Artigos (artigos 475-E a 475-G, CPC)
Será cabível a liquidação por artigos nas situações nas quais para se determinar o valor da condenação houver necessidade de alegar e provar fato novo, conforme determina o art. 475 – E, CPC.
Fato novo é o que não foi objeto de apreciação na sentença e que tenha relação com o valor devido, não podendo este fato novo acarretar a rediscussão da lide.
O procedimento da liquidação por artigo é o procedimento comum (rito sumário ou ordinário), uma vez que o art. 475 – F do CPC remete-nos à regra do art. 272 do mesmo diploma.
Desta forma poderá a fase de liquidação seguir o procedimento ordinário, ainda que o processo tenha seguido o sumário. Dependerá, no entanto, do valor ou da complexidade da questão, observando-se as regras dos artigos 275 e 276 do CPC, respectivamente.
O fato novo deverá ser comprovado e por isto todos os meios de prova serão admitidos.
O liquidante deverá, ao elaborar a petição inicial, expor os fatos novos e se necessário o magistrado determinará a perícia. 
O devedor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar contestação e após a produção de provas, e após a sucessão de atos próprios do procedimento adotada na liquidação, se ordinário ou sumário, o juiz fixará o valor devido (quantum debeatur)
 
3. RECURSO CABÍVEL
O art. 475 – H do CPC especifica ser o agravo de instrumento o recurso cabível contra a liquidação de sentença, no entanto há certa polêmica doutrinária sobre o tema.
O entendimento defendido pela maioria da doutrina é de que a decisão que encerra a fase de liquidação é considerada interlocutória, cujo recurso cabível é o agravo de instrumento. Argumentam, para defender tal posicionamento, que a liquidação é fase do processo e que, portanto, a decisão é interlocutória.
Outra parte da doutrina defende ser tal decisão atacável por apelação já que possui conteúdo de sentença, resolvendo a lide, situação que se enquadra na hipótese prevista no art. 269, I do CPC e que, portanto, somente pode ser atacada por apelação.
 
 
 
QUESTÕES DE FIXAÇÃO
O que é sentença ilíquida?
Qual a finalidade da liquidação de sentença?
Paloma fez um comentário
  • Gisele, poderia postar as respostas do questionário? Obgda!
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